Sacumé

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— Barbaridade, como o dia passou rápido hoje! — O gaúcho exclamou alto quando viu o horário. — Tenho que entregar o roteiro para Brasília antes que ela invente de ir embora!

— Quer que eu vá junto homi? — Sergipe perguntou solícito.

— Não precisa piá. Eu tenho umas coisas do meu território pra discutir também, vai ser entediante pra ti.

— Então eu vou roubar ele pra mim. — Paraná brincou de longe.

— Pode pegar paixão. — Sul entrou na brincadeira.

— Ei vocês dois! O Gipe não é objeto pra falarem desse jeito dele! — Catarina reclamou.

— É brincadeira guria. — O gaúcho retrucou. — Era pra rir.

— Eu sei tongo, também estou brincando. — A mulher revirou os olhos desacreditada que ele não havia entendido.

— O horário, Sul. — Sergipe lembrou-o baixinho.

— Bah! É mesmo! — Se levantou e pegou os papéis que precisava. — Vão pra onde depois?

— Pra copa. — Paraná foi sucinto em falar, exibia um sorriso extremamente malicioso na cara. — Vou chamar o Norte também.

O maior imediatamente compreendeu e sorriu da mesma forma.

— Então encontro vocês lá.

Só aí Sergipe compreendeu e corou embaraçado. Olhava agora para o concunhado com timidez. Mesmo assim tinha um sorrisinho indiscutivelmente safado no rosto.

Catarina até que não tinha entendido, mas bastou o nordestino mudar de cor que percebeu a malícia. Revirou os olhos, os quatro estavam no cio e não tinha nada que pudesse fazer a respeito. Pelo menos não teria a própria sala interditada.

Rio Grande do Sul saiu apressado ao mesmo tempo que Paraná se levantava. O menor se aproximou serelepe do surfista e lhe tocou o ombro.

— Vamos?

O loirinho não levou um susto pois o viu se aproximar, mas desviava o olhar para todos os cantos da sala, em especial com receio de encontrar com os da mulher. Mas era inevitável. Trocou olhares com SC, ela se limitou a sorrir de canto, afinal ele era muito fofo com vergonha, logo retornou ao que fazia o liberando de seu embaraço.

Paraná lhe tomou a mão convidativo. O nordestino mirou o chão com todas as forças, se levantou e acompanhou o concunhado para fora de mãos dadas.

— Não precisa se preocupar com ela Gipe. — O moreno falou suavemente. — Eu e o Sul já passamos por tanta coisa que ela presenciou que isso aqui é fichinha daí.

Quando pararam para esperar o elevador é que soltaram as mãos. Dentro do aparelho o menor pergunta casual.

— Tu quer dar as caras lá na tua sala antes? Eu posso esperar uns minutinhos.

— Acho que é uma boa ideia visse. Dá um oi pro Mara.

— E pra Bahia também neh.

O loirinho sorriu encabulado.

— S-sim.

— Que foi? Tá com vergonha dela agora? Só por que a gente vai se pegar depois?

A cada pergunta o surfista encolhia mais no lugar, era exatamente aquilo. Paraná foi obrigado a rir alto.

— Não te preocupa piá. — Deu tapinhas em suas costas. — É só ir no Poti primeiro. Diz que eu tô chamando vocês dois pra copa, ele vai entender rapidinho. Daí vai dar tchau pra Bahia. Aposto que o Norte vai ajudar nisso também.

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