Eu costumava pensar muito nas consequências do que fazemos. Nunca julguei alguém por usar uma roupa diferente porque um dia poderia ser eu a usar aquela roupa. Nunca apontei o dedo para algo que alguém fez porque um dia a mesma coisa poderia acontecer comigo. É a definição da frase "o teto de todas as pessoas é feito de vidro". Vivi sempre na linha.
As pessoas acham que por eu fazer parte de uma banda de rock, vivo como se não houvesse amanhã. Na verdade, sempre vivi como se ainda restassem muitos amanhãs pela frente. Eu não me arrisco. E isso costumava ser um ponto positivo na minha vida. Até o momento em que eu decidi que estava na hora de mudar. Até chegar o momento em que eu decidi pular a janela do meu quarto para ir a uma festa sem a permissão dos meus pais. E pela primeira vez, não estou pensando nas consequências que vão vir a partir disso.
Levanto num pulo quando ouço alguém jogar uma pedrinha que atinge a janela do meu quarto.
Caminho lentamente até a janela, mostrando apenas o topo da minha cabeça. Paolla, os G's e Bill estão ali. Faço um sinal para que esperem.
Viro meu corpo e vou em direção a porta. Paro meu movimento e me viro novamente para a janela. Tom não está aqui?
De repente estou irritada. Por que ele não está aqui? Não foi ele quem me convenceu de que enganasse meus pais e fizesse essa bobagem?
Droga.
Mas não posso desistir a essa altura do campeonato. Então ignoro a questão e continuo o que estava fazendo.
Abro com cuidado a porta do quarto.
—Mamãe? — Chamo atenta a qualquer som que possa estar acontecendo na casa.
—O que? — Ouço sua voz abafada e suspiro tentando controlar a respiração.
—Acabei meus deveres de casa e estou exausta, então já estou indo dormir. — Mordo o interior da bochecha ao despejar a desculpa que venho articulando desde ontem. — Eu jantei mais cedo, então... não me incomodem.
Espero ansiosamente por sua resposta.
—Tudo bem. Boa noite. — Fecho os olhos e encosto a testa na madeira gasta da porta do quarto.
—Valeu... — Murmuro ainda de olhos fechados. — Boa noite. — Respondo.
Tranco a porta e dou uma última checada no espelho do banheiro que por estar a uns metros de distância me permite analisar a roupa toda.
Estou usando um dos looks que Tom me ajudou a escolher. Ele realmente tem bom gosto para isso.
Estou usando uma daquelas calças pantalonas que fazem com que o quadril fique bem marcado e a perna escondida por trás de tecido jeans. E uma tube top preta meio vulgar que deixa bem claro quem foi que escolheu essa peça de roupa. Meu cabelo está solto e bem escovado. Uma gazelle da Adidas, e nada de maquiagem, apenas um gloss.
Até que ficou bom.
Abro a janela com cuidado, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Passo uma perna de cada vez até estar encima da telha.
—Mat... por ali. — Ouço Bill sussurrar apontando para uma corda de ramos que pende da parte de cima do telhado até quase chegar ao chão.
Me esguio até chegar ao cipó e enrolo ambas as mãos nele.
—Cuidado. — Agora ouço Paolla dizer.
Encaixo com cuidado os pés em cada buraco que consigo encontrar.
—Preciso de ajuda. — Sussurro para qualquer pessoa que esteja atrás de mim e que possa me arrancar daqui.
Sinto duas mãos fortes me agarrarem pela cintura e me puxarem para cima, rodopio no ar e finalmente meus pés ficam no chão.
Me viro e vejo Gustav com um sorriso maroto no rosto.
—Foi difícil? — Pergunta.
—Até que não. — Solto um risinho e olho para cima, me certificando de que não deixei nada para trás.
—Então vamos. — Ele aponta com a cabeça para o carro estacionado na esquina.
Foram espertos em não pararem na frente da casa, meus pais com certeza suspeitariam disso.
Sou a primeira a entrar no carro, sendo seguida por Paolla e Georg.
—Bill, por favor, não coloque aquelas músicas entranhas de que você gosta. — Paolla pede para o garoto sentado no banco do passageiro.
—Relaxa, Gustav vai cuidar da playlist hoje. — Bill diz dando um soco de leve no ombro do motorista.
—Não sei do que está falando. Seu gosto musical também é horrível. — Georg provoca a cacheada fazendo com que ela se vire bruscamente em sua direção.
—Cala a boca seu... idiota.— Ela solta um riso contido e diminui o tom de voz a medida que desvia o olhar, envergonhada pela encarada que Georg a deu, que até mesmo eu percebi.
Franzo as sobrancelhas e contenho um sorriso. Mas é meio involuntário quando bato disfarçadamente na coxa da minha amiga.
—Não diz nada. — Ela sussurra para mim e então se vira para frente.
Sufoco um riso comprimindo os lábios.
—Vocês vão acabar namorando. — É a última coisa que digo antes de ser interrompida pelo som alto de uma guitarra vinda do rádio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
