2 semanas depois
Eu nunca imaginei que um dia passaria por um acidente que quase tiraria minha vida. Mas isso aconteceu, e tudo ainda está muito confuso para mim. Quando eu acordei, tudo parecia meio irreal. Todas aquelas pessoas ao meu redor, médicos e enfermeiros, meus pais chorando e aqueles tubos enfiados em mim. Era assustador. Parecia que eu tinha acabado de cair de cabeça em algo completamente novo.
Eu me lembro de ouvir as vozes deles me implorando para ficar, me pedindo para voltar. Mas eu não conseguia. Meu corpo estava cansado demais para continuar trabalhando.
Mas então eu o ouvi. E me lembrei de que não podia ir embora sem ter a chance de ser feliz com ele. Não seria justo, para nenhum dos dois. Então eu lutei por ele.
Lutei por Tom.
Mas agora estou parecendo um soldado abatido. Rasparam parte do meu cabelo para poderem fazer a cirurgia, e estou me sentindo tão ridícula que estou usando gorros e bonés desde então. Meus olhos estão mais escuros que lama. E meu corpo está fraco. MUITO fraco.
—Tem certeza que consegue fazer isso sozinha? — Tom pergunta enquanto me observa encostado no batente da porta do meu quarto de hospital.
Ergo a cabeça com os olhos semicerrados em sua direção.
—Claro que consigo. — Passo o vestido delicadamente por minha cabeça e ajeito as alças em meus ombros. — Viu só? Não estou completamente inútil.
Mas quando me agacho para pegar minhas sandálias, minha pressão cai com tudo.
Minha visão escurece e ouço um zumbido, mas Tom me agarra a tempo, antes que eu pudesse ir de encontro ao chão.
—Opa! Com um pouco mais de calma, mocinha. — Ele me estabiliza e me acomoda novamente na cama do quarto.
Suspiro e fecho os olhos até sentir que tudo está normal outra vez.
—Merda. — Murmuro.
Abro os olhos e vejo Tom ajoelhado a minha frente, encaixando as sandálias com cuidado em meus pés.
—Me desculpe por ter que fazer isso. — Comprimo os lábios e o observo com timidez.
Ele ergue a cabeça e arqueia uma sobrancelha para mim.
—Por que está pedindo desculpas? — Ele se levanta e se senta ao meu lado.
—Porque deve ser uma porcaria ficar de babá da namorada.
Tom segura meu queixo e vira minha cabeça para poder olhá-lo.
—Por favor, me diz que está brincando. — Ele pede praticamente em um sussurro.
Quando não respondo, ele fecha os olhos e suspira.
—Já conversamos sobre isso, já disse que cuidar de você não é incômodo nenhum para mim.
Engulo em seco.
—Tom... e se eu nunca melhorar totalmente? — Pergunto com uma voz fraca. — Uma hora ou outra você vai cansar de ser o cuidador de uma menina praticamente careca que não consegue colocar os próprios sapatos sem desmaiar.
Ele endurece a expressão.
—Matilda! Que besteira é essa? Você vai melhorar. Você está passando por um processo de adaptação, tudo vai ficar bem. E não estou de "babá", estou apenas te ajudando com a rotina.
—Mas... e se você perder o interesse em mim? — Agarro a barra do gorro em minha cabeça e o puxo para baixo com cuidado. — Eu estou tão feia.
Olho para ele e espero que brigue comigo por estar dizendo essas coisas, mas de repente, tudo o que ele consegue fazer é rir.
—Agora sim você contou uma piada. — Ele levanta da cama e se ajoelha novamente na minha frente. — Matilda, você é a garota mais linda que eu já vi, dane-se se sua cabeça está raspada, isso não me impede de sentir tesão por você.
Arregalo os olhos e bato em seu ombro com certa força.
—Que merda, Tom. — Abro um sorriso tímido.
—Estou falando sério, Mat. — Ele suspira e começa a fazer uma massagem relaxante em uma de minhas panturrilhas. — Eu nunca senti tanto medo quanto enquanto você estava desacordada. Eu tinha medo de que você nunca mais fosse melhorar, de que não fosse acordar. Eu só conseguia pensar "será que voltarei a ver o rosto perfeito daquela garota se acender novamente?". E então você acordou, você está bem, e por mais que tudo pareça estranho agora, as coisas vão voltar a se encaixar... Mat, existem pessoas que não tem a sorte de receberem a notícia de que estão curados. Você vai ficar melhor.
Franzo as sobrancelhas quando percebo como seus olhos escureceram apenas em dizer essa frase.
—Eu conheci um menininho no primeiro dia que chegamos ao hospital, se chamava Jordan. Eu estava comprando alguma coisa em uma máquina de salgadinhos, e ele apareceu do outro lado do corredor em uma cadeira de rodas. — Seu olhar está vago porém há um pequeno sorriso em seus lábios. — Ele era como você, gostava de fazer tudo sozinho, e juro para você, ele tinha respostas para tudo.
Solto um risinho ao imaginar a cena de Tom conversando com essa criança.
—Quanto mais eu falava com ele, mais eu gostava dele. E Mat, ele sabia que não iria melhorar, ele nunca teve esse fio de esperança. Eu sei que tudo vai parecer meio confuso por um tempo, mas você sabe que está bem. E isso muda tudo. — Ele me olha bem nos olhos e sinto um peso em seu olhar. — E você é linda, não se esqueça disso.
Não tenho tempo de responder, pois no exato momento em que abro a boca, alguém aparece na porta do quarto.
—Pronta para ir para casa? — Levanto o rosto e vejo o Dr. Miles parado na porta com um sorriso no rosto.
Uma sensação esmagadora de felicidade me atinge e é quase impossível esconder meu alívio ao ouvir isso.
Ai caralho, tinha até me esquecido do porquê de estarmos nos arrumando. Eu finalmente tive alta, e agora vamos voltar para casa, onde tudo vai estar melhor.
—Prontíssima.
Ele sorri.
—Que ótimo.
Olho para meu namorado rapidamente e vejo que ele está com um sorriso fraco no rosto, um sorriso que se esforça para sair de seus lábios. Entorto o canto da boca e respiro fundo.
—Tom, você está pronto? — Pergunto repousando uma mão em seu ombro, tentando passar o máximo de conforto que consigo através desse toque.
Ele vira o pescoço e sua feição se suaviza, como se tivesse voltado à realidade.
—Estou.
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training wheels - Tom Kaulitz
Dragoste"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
