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TOM's POV

O banheiro é menor do que eu imaginava ou gostaria. Tem um lavatório que ocupa metade do lugar, como se todo mundo fosse precisar tomar um banho durante uma festa. Ignoro a frustração e faço com que Matilda se sente na tampa do vaso sanitário. Ela está cambaleando e não para de tagarelar nem por um segundo.

—E é assim que se pede ajuda por código morse. — Ela estala a língua e me lança uma piscadela enquanto vasculho o armário embaixo da pia à procura de algum item que... eu não faço ideia de qual possa ser.

Acho uma pequena embalagem verde meio aberta e então a agarro desesperadamente, conheço bem esse medicamento. Aspirina, o deus da ressaca.

Me viro para a garota e me ajoelho na frente dela, tento não rir quando percebo como ela parece entretida com a luz da lâmpada.

—Que brilhante, parece uma estrela. — Ela sussurra ainda encarando o teto.

—A diferença é que temos que pagar para essa estrela continuar brilhando. — Digo e tiro uma cartela de remédios da caixinha.

Ela solta uma risada engasgada.

—Você é engraçado, moço. — Ela diz com os olhos semiabertos.

É tão estranho o fato de que, no momento, ela não faz ideia de quem sou eu. E que por mais que ela esteja de lingerie, estou concentrado em outra coisa que não em seus peitos.

—Consegue tomar isso? — Tiro duas pastilhas da cartela e estendo a mão para ela.

Ela encara minha mão e estreita os olhos para tentar enxergar os medicamentos na minha palma.

—O que é isso? — Ela entorta o canto da boca.

—Remédio para dor de cabeça. — Explico.

—Não estou com dor de cabeça. — Ela contraria cruzando os braços.

—Mas amanhã vai estar. — Abro bem os olhos como se estivesse dizendo "estou te avisando, mocinha." — Então vamos, tome.

Ela faz beicinho e tenta pegar os remédios com os dedos molengas. Solto um riso e então viro a mão dela, despejando as aspirinas em sua palma.

—Como vou tomar isso sem água? — Ela olha bem para os pontinhos brancos e então sobe o olhar para mim.

Estalo a língua e olho ao redor. Esqueci desse detalhe.

Olho para trás e, ainda sentado, puxo a maçaneta da porta, abrindo apenas um pouco para conseguir olhar as pessoas do lado de fora.

Chamo a atenção de um rapaz que passa segurando uma bandeja nas mãos.

—Ei! Tem água aí? — Pergunto fazendo o rapaz baixar o olhar para a bandeja.

Ele nega.

—Tenho suco de laranja.

Isso serve.

—Claro, pode ser.

Ele caminha até mim e estende o copo com o líquido alaranjado para mim.

—Valeu. — Agradeço e fecho a porta com um baque.

Estendo o copo para Matilda. Ela nem sequer checa para ter certeza se o que está lá dentro é água, apenas joga as aspirinas na boca e acaba com a bebida em uns três goles.

—Delícia. — Ela diz lambendo os lábios.

Sorrio ao ver a cena. Ela realmente parece uma criança quando está bêbada.

—Agora você precisa dormir. — Digo me levantando.

—Vai me fazer dormir também? — Ela arqueia uma sobrancelha em um tom sarcástico.

training wheels - Tom KaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora