—Seus pais viram você entrando em casa? — Paolla questiona em um sussurro, como se meus pais estivessem aqui no corredor do colégio.
—Hm... não. — Digo fechando meu armário.
—Que bom, nossa. — Paolla suspira de alívio e me acompanha enquanto andamos até a sala de aula.
Minha mente está tão distante quanto o possível. Não consigo pensar em muitas coisas a não ser naquele beijo. É como um borrão. Me lembro de sair correndo daquele escritório e ir direto para o carro de Gustav. Não procurei por Austin, nem pelos meus amigos, apenas me tranquei naquele carro e encarei o vidro da janela pelo que pareceram horas.
E parece loucura, mas parece que ainda posso sentir a textura dos lábios de Tom nos meus. O metal gélido de seu piercing se esfregando em minha língua, suas mãos enormes buscando cada centímetro de minha pele que estivesse exposta. Meu Deus, eu não consigo parar de pensar nisso.
—Mat? — Paolla me cutuca no ombro. — Você está bem? Sua sala é aqui.
Olho rapidamente para ela e então para a porta fechada da sala de aula a nossa frente.
Nem percebi que já havíamos chegado.
—Estou bem. — Me esforço para abrir um sorriso. — Até depois.
Ainda não falei para Paolla sobre o que fiz. Talvez porque ainda não tenha aceitado o fato de que fiz isso nem para mim mesma.
Eu... beijei Tom Kaulitz.
PORRA!
Engulo em seco e bato de leve com as costas da mão na madeira da porta que carrega um retângulo metálico escrito "Sr. Hayes".
—Entre! — Ouço o professor dizer.
Abro a porta cuidadosamente e enfio a cabeça para dentro da sala antes de entrar.
—Desculpe o atraso. — Aviso e abro mais a porta dando espaço para que eu entre.
Caminho até o meu lugar e me sento silenciosamente. Todos os alunos estão atentos ao que o professor está explicando, menos um em especial. Tom não está atento a nada que o professor diz.
Ele não viu quando entrei, seu olhar está preso em algo na janela. Talvez ele não queira me ver. Mas eu... quero que me veja. Quero que ele olhe para mim e veja o que aquilo causou em mim.
Coloco as canetas encima da mesa e abro o livro de história. Tento me concentrar nas palavras complicadas e muito chatas escritas nesse livro mas a única coisa que tenho vontade de fazer, é virar o rosto para trás e observar Tom. Quero saber o que tem de tão interessante naquela janela, que faz com que toda sua atenção fique presa ali.
Olhe para mim, Tom. Veja o que fez comigo.
—Então... — Volto minha atenção para o professor quando ele começa a falar de repente. — Hoje terminei de corrigir o último trabalho sobre a Revolução Francesa que vocês fizeram. E provavelmente as notas estarão disponíveis até hoje à tarde, colocarei o relatório mostrando o desempenho de vocês bem ali... — Ele aponta para a porta da sala. — Vou deixar colado na porta até amanhã, é tempo o suficiente para que vocês vejam e analisem os erros que cometeram e possam ver o que precisam melhorar até a data da recuperação.
Respiro fundo e tento controlar a ansiedade crescendo em meu peito. De uma hora para outra estou torcendo para que o trabalho que fiz com Emma tenha servido de alguma coisa.
—Sr. Kaulitz? — O professor diz para a única pessoa que não parece estar se importando com a aula de hoje. — Algum problema?
Assim como todos da turma, viro metade do corpo na direção do garoto de dreads, ele está de braços cruzados e ainda olhando para algo na parte de fora da sala.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romansa"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
