Estou aliviada por ter tirado esse peso do peito. Tom tinha razão, aquela sensação era apenas um medo bobo. Eu estava com medo dos meus pais, estava aflita com a forma que eles poderiam reagir a tudo que estou vivendo. E agora sinto como se tivesse descarregado toneladas de cima dos ombros. Mas também estou triste, porque minha mãe nem ao menos tentou me entender. Ela não está afim de compreender a situação e isso acaba comigo. Mas eu acredito que isso seja apenas uma fase, tem que ser, ela é minha mãe, não quero que viva decepcionada comigo e com meu relacionamento. Quero dizer, "relacionamento". Meu Deus. Tom e eu nem percebemos que não demos um título ao que temos.
Estamos caminhando em um parque. É um lugar próximo a minha casa. O clima está frio, e o sol está fraco, aquele típico clima de começo de inverno. Sempre que respiro sinto o ar gelado queimar minhas narinas, e estou me divertindo enquanto vejo o ar quente de dentro da minha boca se transformar em fumaça sempre que expiro.
Olho para o lado e vejo que Tom também está soprando fumaça, mas essa é por conta do cigarro aceso entre seus lábios.
—O que nós somos? — Pergunto sem vergonha nenhuma.
Tom arregala os olhos e quase deixa o cigarro cair no chão.
—O que? — Ele pergunta se virando para me olhar.
—Nós somos um casal? Amigos que se pegam? O que nós somos?
Tom segura o cigarro com os dedos e olha para cima pensativo.
—Hm... acho que temos sentimentos demais para sermos classificados apenas como amigos. E se considerarmos que estamos agora mesmo andando de mãos dadas. — Ele sorri de canto e levanta nossas mãos grudadas no ar. — Somos namorados.
Tombo a cabeça de lado.
—Você não me pediu em namoro. — Provoco dando um puxão em seu braço.
Ele estreita os olhos e para de andar.
—Quer ser minha namorada?
Sorrio e dou de ombros.
—Claro.
Ele sorri e volta a caminhar.
—Até que foi fácil. — Ele se gaba e coloca o cigarro na boca outra vez.
Observo atentamente enquanto ele puxa o ar e faz com que o fogo na ponta do papel fino se acenda.
—Eu quero provar.
Tom arqueia as sobrancelhas e me olha confuso.
—Provar o que?
Aponto para o cigarro.
—Fumar, quero saber como é. — Explico animada.
Ele engasga com uma risada e pequenos cortes de fumaça começam a sair de seu nariz.
—Ficou maluca? Claro que não. Eu fumo porque aprendi a fazer isso muito cedo, é um vício, não quero que você fique presa a isso, vai te deixar doente.
Franzo o rosto e continuo observando seus movimentos atentamente.
—Se eu não posso fumar, então você também não pode. — Paro de andar e cruzo os braços.
— Você também pode ficar doente.
Ele olha para mim e levanta as sobrancelhas.
—Vamos fazer um acordo, eu não peço mais para fazer isso se você nunca mais fizer. — Proponho com as mãos na cintura.
Ele estreita os olhos e fica sério por um tempo, mas logo um sorriso se abre em seu rosto. Ele joga a bituca de cigarro no chão e o amassa com a sola do pé.
—Trato feito. — Ele estende a mão para que eu a aperte.
—Ótimo. — Digo e solto uma risada quando, pela mão, ele me puxa mais para perto.
—Mas você pode sentir o gosto. — Ele lambe os lábios e aproxima nossos rostos.
—Ah, é? — Mordo o lábio inferior e olho bem para seus olhos, que estão fixos em meus lábios.
Ele assente e acaba com o resto de distância que ainda existia entre nós. Ele me beija, e realmente posso sentir o gosto da nicotina em sua língua. Nossa, sentir esse gosto através de um beijo parece muito melhor. Agarro a nuca de Tom e aprofundo o beijo, virando o rosto de lado.
—Seu gosto é tão bom. — Ele sussurra entre meus lábios.
Não dou brecha para mais palavras, apenas assinto e continuo a beija-lo.
É o momento perfeito.
Até que eu ouço o barulho de pneus, carros freando, e uma buzina. Alta e ensurdecedora. Tenho tempo de afastar o rosto de Tom e prender a respiração em meus pulmões antes de ouvir um baque. De repente um zumbido preenche meus ouvidos, ouço a voz de Tom bem fraca vindo de algum lugar. Mas não o vejo. Tudo o que meus olhos enxergam é uma escuridão sem fim.
Escuro, escuro, escuro.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
