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TOM's POV

Eu te amo.
Eu quero você de volta.
Eu preciso de você.
Acorde, acorde, acorde.
ACORDE.

Abro os olhos em um pulo. Meu coração está acelerado como um liquidificador, e preciso me inclinar para frente e puxar o ar com força para poder controlar a respiração. Aperto os olhos e massageio meu peito na esperança de que a dor emocional seja curada de forma física.

Olho para frente e vejo meus amigos e meu irmão dormindo. Não sei quando os G's chegaram, mas estão aqui, esparramados nas poltronas de couro da sala de espera. Olho para a parede do hospital, ainda estamos no meio da madrugada. Estamos aqui há algumas horas. Mas sinto que estou aqui há dias.

Suspiro.

Quero ela de volta.

Me levanto e vou em direção a uma máquina de salgadinhos. Preciso comer alguma coisa.

Analiso as opções e resolvo pegar um saco de batatinhas. Pego uma nota amassada de 5 euros que encontrei no bolso de minha calça e enfio na máquina. Enquanto espero o pacote cair dentro do cesto, observo um pacote de balas de goma, são de melancia. Não sei quantas vezes já tivemos que parar a van da turnê no meio da estrada porque Matilda estava com vontade de comer essas balas. Sempre me irritei com isso. Mas agora estou enfiando outra nota na máquina apenas para poder segurar esse pacote de gomas que me lembra dela.

Quero ela de volta.

Solto um suspiro pesado e me recosto na parede ao lado da máquina.

Abro o pacotinho de batatas e assim que enfio uma delas dentro da boca, meu olhar encontra uma criança parada no meio do corredor, sentada em uma cadeira de rodas, me olhando com desconfiança.

Estreito os olhos para ver melhor, talvez seja uma ilusão, porque ainda estou cansado e com sono.
Ele está bem afastado, mas posso ver que está usando um avental do hospital. Está claro que é um paciente.

—Ei... — Chamo, mas a criança estende os bracinhos magrelas até cada uma das rodas da cadeira e começa a se distanciar ainda mais. — Espera!

Caminho apressadamente até sua direção. E por motivos lógicos, consigo alcançá-la rapidamente.

Seguro delicadamente a alça da cadeira e viro-a para mim.

É um menininho. Está usando um gorro de lã estampado com tubarões coloridos. Ele tem os olhos azuis como o oceano, que se destacam com suas olheiras escuras. Olho para seus pés e sorrio ao ver uma meia de cada cor e pantufas do Barney. Mas não deixo de perceber manchas espalhadas em seus dois braços, ele já deve ter sido espetado diversas vezes por agulhas, porque os furos tampados com fitas e um acesso fechado coberto por um esparadrapo me deixa isso bem claro.

—Por que fugiu de mim? — Pergunto.

Ele me olha de cima a baixo e volta a me olhar com suspeita.

—Porque não te conheço e porque preciso voltar para o quarto, se não a Dra. Cales me mata. — Ele diz com uma expressão dura.

Sorrio de leve.

—Então o que veio fazer aqui? — Pergunto me agachando até estar da sua altura.

—Porque gosto de andar pelo hospital. — Ele explica mas logo se corrige. — Me empurrar pelo hospital.

Ele olha para a cadeira de rodas e revira os olhos.

Comprimo os lábios sem saber o que dizer.

—Tenho câncer, acho que é óbvio, não é? — Ele sorri tentando aliviar a situação. — Sou careca e estou numa cadeira de rodas... a não ser que você seja um idiota que não sabe que pessoas muito doentes normalmente ficam nesse estado.

training wheels - Tom KaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora