Abro a porta da casa e sou surpreendida com uma faixa colorida pendurada no topo da escada, escrito "bem-vinda ao lar" com letras desiguais e bem chamativas.
Meus olhos brilham de emoção. Estou em casa, e nada pode me fazer mal a partir de agora.
As únicas pessoas presentes são os meninos, Paolla e meus pais. E todos me recebem com um sorriso animado no rosto.
—MAT! — Paolla corre em minha direção e me aperta em um abraço caloroso. — Eu senti muito sua falta...
Fecho os olhos e retribuo o aperto com toda a força que meu corpo tem para oferecer.
—Eu também senti a sua. — Me afasto da garota e seguro em seus ombros. Os cantos de seus olhos estão franzidos, e brilham com empolgação. — Por mais que eu estivesse praticamente morta, foi difícil não ficar com saudade.
Ela solta uma risada estrondosa e joga a cabeça para trás, fazendo com que seus cachos dourados deem pequenos pulos.
—Ela ri agora, mas chorou durante dias. — Georg surge ao lado da garota, sendo seguido por Gustav.
—Os G's... como vocês estão, garotos? — Meço-os com o olhar, há tempos não via nenhum deles.
—Como nós estamos? Você voltou do mundo dos mortos, como você está? — Gustav pergunta abismado.
—Deixa de ser bobo. — Solto um risinho abafado pela palma de minha mão.
Passo os olhos pela sala de estar e vejo Bill conversando com meus pais em um canto do cômodo.
—Licença, gente. — Deixo o pequeno grupo de pessoas para trás e caminho até onde eles estão.
Assim que minha mãe me avista, seus olhos brilham.
—Oi, meu amor... — Ela atropela meu pai e me enrola em seus braços. — É tão bom te ter aqui novamente.
Me permito sentir seu carinho em minha pele e seu cheiro familiar e doce preencher minhas narinas. Eu senti tanto a falta dela.
—É bom estar de volta, mamãe. — Olho para meu pai e vejo quando um canto de sua boca se eleva. — Oi, pai.
E enfim, olho para Bill. Vejo que ele está se segurando para conseguir guardar as lágrimas que estão aparecendo em seus olhos. E estou quase tendo que fazer o mesmo. Minha amizade e a de Bill havia dado uma esfriada depois do que houve entre nós dois. Nós sabíamos que ficaria estranho, e o fato de que nenhum dos dois guardava sentimento nenhum um pelo outro, piorou a situação. Mas assim como eu, ele não fazia ideia de que um acidente aconteceria, e tenho certeza que isso fez com que muitas coisas passassem por sua cabeça. Como o fato de que não valia a pena ficarmos agindo de forma estranha um com o outro, até porque um beijo sem sentimento algum não pode interferir em nossa amizade. Se por acaso fôssemos apaixonados, a história poderia ser diferente. Mas não somos.
Não é como o que Tom e eu temos, e sabemos disso.
—Oi... — É tudo o que ele diz antes de eu o atacar com meus braços.
—Senti saudade. — Aperto seu tronco e respiro fundo.
Ele passa os braços finos ao meu redor e encosta o queixo no topo de minha cabeça.
—Eu também senti, Mat.
É engraçado pensar que eu precisei chegar perto da morte para valorizar o que eu sempre tive. Parece algo egoísta de se dizer, mas enquanto eu lutava para continuar viva, não conseguia pensar em boas lembranças que pudessem me puxar de volta. E isso faz eu me sentir uma escrota. Então, o que eu mais quero fazer a partir de agora, é deixar bem claro para todo mundo que eu estou feliz por ter tido uma segunda chance. Que agradeço por tê-los em minha vida.
—Você é uma das minhas pessoas preferidas, Bibo. — Digo levantando o meu rosto para poder olhar para o dele. — É um grande amigo para mim.
Acho que o fato de que o chamei pelo apelido que lhe dei quando nos conhecemos fez algo borbulhar em seu interior, porque suas narinas se expandem, buscando por ar.
—Obrigado... eu precisava ouvir isso de você, Mat. — Ele contrai a mandíbula e um dos cantos de seus lábios se transforma em uma curva sútil para cima.
Permaneço em silêncio e com um pequeno sorriso no rosto, mas então percebo a falta de alguém em especial.
Me desvencilho de Bill e olho para trás, à procura de Tom, mas não o encontro.
—Sabe onde seu irmão se meteu? — Pergunto franzindo o rosto confusa ao notar que ele não está aqui na sala de estar como todos os outros.
—Hm... acho que vi ele indo para... — Ele estica o pescoço e aponta para frente com a cabeça. — O porão.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
