A festa de Emma é amanhã, e tudo o que passa pela minha cabeça é o quanto estou apavorada para isso.
Por mais que eu seja uma garota famosa, passe a vida em shows e rodeada por fãs, eu nunca me diverti de verdade. Os holofotes estão sempre ao nosso redor e, de verdade, não me importo com isso. O problema é que por conta disso nunca tive a oportunidade de ser uma adolescente normal, que sai para festas e se diverte sem ser parada por uma legião de fãs para dar autógrafos. Amo que tenham pessoas que me amem apenas pelo meu talento, nem ao menos me conhecem mas gostam mesmo de mim. Mas pela primeira vez, eu não quero isso, quero ser apenas a Matilda, sem ser reconhecida, indo para uma festa adolescente, enchendo a cara, e aproveitando como se fosse o último dia da minha vida.
Essa é a única coisa que está passando pela minha cabeça... até agora.
Estou terminando de lavar alguns pratos quando ouço uma batida forte no andar de cima.
Largo os pratos, fecho a torneira e seco minhas mãos num pano de prato. Ando até a sala e olho ao redor. Não tem ninguém aqui. Subo as escadas e dou uma olhada no quarto de hóspedes. Ninguém. Ando mais um pouco e espreito pelo quarto dos meus pais.
Aqui estão eles.
A porta está entreaberta, mas não de uma forma que pareça que eles apenas tenham a encostado, e sim de uma forma que fez parecer que na tentativa de fecha-lá com uma batida, ela acabou voltando e ficando meio aberta.
Inclino meu corpo e tento espiar pelo vão que separa o quarto dos meus pais de mim.
—Você está dizendo besteiras. — Meu pai diz parecendo frustrado com alguma coisa.
—Não, você sabe que não é besteira. Essa casa está uma zona. — Minha mãe está falando entredentes como se tentasse não gritar, mas seus olhos estão arregalados como se estivesse prestes a bater em meu pai. — Vocês não me ajudam em absolutamente nada. Eu passo o dia trabalhando e quando volto tenho que fazer todas as tarefas domésticas.
Espero que não esteja se referindo a mim nessa acusação.
—Matilda passa o dia todo andando por aí, e não me ajuda. — Ela continua como se respondesse aos meus pensamentos intrusivos.
Estreito os olhos com essa frase. É sério? Eu mal tenho tempo de respirar quando estamos de volta a Alemanha, e tudo o que posso fazer para ajudar na casa, eu faço. Porra, eu estava agora mesmo lavando a louça que eles deixaram na pia do dia anterior.
—E por que não fala com ela? Eu não quero ficar ouvindo essas coisas. — Meu pai está andando pelo quarto sem olhar minha mãe nos olhos, ele está fazendo qualquer coisa que o mantenha com as mãos ocupadas.
—Você acha que adianta? — Minha mãe põe as mãos nos quadris e tomba a cabeça. — Eu não tenho voz nessa casa. Parece que todos aqui me odeiam. O jeito é eu ficar quieta e deixar o circo pegar fogo.
Reviro os olhos. Odeio isso. Odeio quando minha mãe começa com vitimismo. É desgastante.
—Olha aqui... — Quando meu pai começa a falar, seus olhos voam até mim. Pigarreio de susto e arrasto o corpo para o lado, me encostando na parede.
Fecho os olhos com força e torço para que ele não tenha me visto.
—Matilda, entre aqui. — Meu pai ordena com aquela voz autoritária que me causa total desconforto.
—Droga... — Murmuro e respiro fundo. — Sim? — Entro no quarto e recebo um olhar de desaprovação vindo de minha mãe.
—Quanto você ouviu? — Meu pai pergunta cruzando os braços e deixando uma ruga a mostra em sua testa.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
