—Que lugar é esse? — Olho para frente e vejo um deck estreito que abre caminho para um lago cristalino.
Tem árvores enormes cobrindo o lugar, e a luz solar escorre por entre as folhas, fazendo com que a água brilhe.
—Meu lugar preferido. — Tom diz destrancando as portas do carro.
Abro minha porta e pulo para fora do automóvel. Meus olhos estão perdidos em tanta beleza, o lugar é lindo, é como uma daquelas paisagens que vemos em quadros. Conforme caminho, posso ouvir as folhas secas sendo esmagadas por meus pés.
Olho para trás e vejo que Tom está remexendo em algo no banco de trás antes de sair do carro. Ele aparece na minha visão segurando um lençol, parece ser surrado, já deve ter sido usado muitas vezes.
—Quase sempre venho aqui. — Ele explica enquanto me alcança com seus passos largos. — Esse lençol sempre fica no meu carro, porque sei que uma hora ou outra vou precisar vir para cá.
Observo o chão enquanto ando.
—Precisar vir para cá? — Repito sua frase em tom de dúvida.
—As vezes eu preciso estar aqui. — Olho para ele e vejo seus olhos analisando o lugar. — Minha segunda casa.
Caminhamos até estarmos encima do deck de madeira envelhecida. Ele estende o lençol e se senta, e então dá um tapinha no lugar ao seu lado. Sorrio e me acomodo no chão com ele.
—Quantas você já trouxe para cá? — Digo brincalhona mas a expressão séria no rosto de Tom faz meu humor vacilar.
—Nunca trouxe ninguém aqui. — Ele diz simplesmente.
Arregalo os olhos.
—Ninguém?
—Ninguém. — Repete. — Nem mesmo Bill. Esse lugar é só meu.
Comprimo os lábios e vejo a água transparente balançando a nossa frente. O vento passa pelas árvores e faz com que algumas folhas caiam encima do lago, observo como tudo aqui parece tão pacífico quanto o possível. Esse facilmente seria meu lugar preferido também.
—Tom, esse é o seu lugar... — Digo juntando os joelhos e os abraçando. — Não precisava ser aqui o nosso lugar de "pegação".
Ele solta uma risadinha e me olha.
—Não te trouxe aqui só porque queríamos um lugar para ficarmos a sós. — Ele começa dizendo. — Te trouxe aqui porque sinto que não vai ser a primeira nem última vez que estaremos aqui juntos.
Viro a cabeça em sua direção e vejo que ele me analisa com tranquilidade, mas ao mesmo tempo esse olhar carrega tanta intensidade que faz minha respiração falhar.
Ele engole seco antes de continuar falando.
—Você sente a mesma coisa, não sente? — Ele questiona com seu olhar intimidador.
Assinto lentamente.
—Sabe, quando eu resolvi fazer aquilo, estava decidido a começar a ser um bom amigo para você. Mas eu percebi como você é especial, Matilda. Acho que não percebia isso porque sempre te vi apenas como minha colega de banda, a caçula do grupo. Quero dizer, eu tinha tudo, as garotas se jogavam encima de mim. E aí eu comecei a andar com você, que agia como se eu fosse um pedaço de merda. Tipo, você queria pegar o Austin... — Estreito os olhos para ele o fazendo sorrir. — Ok, eu também quis pegar a Emma. — Sua expressão se endurece novamente. — Acontece que eu não esperava que fosse me apaixonar por você, pirralha.
Mordo o lábio inferior.
—Eu também não esperava que fosse me apaixonar por você, TommyBoy.
Ele tomba a cabeça para trás e suspira de forma exagerada, e bem... sensual.
—Eu odiava quando você me chamava assim. — Ele olha para mim. — Mas agora isso me deixa meio...
Arqueio uma sobrancelha.
—Excitado?
Ele respira fundo e me encara profundamente.
—Exatamente. — Ele se inclina um pouco para meu lado. — Você também se sente assim quando te chamo daquela forma?
Suspiro porque a aproximação entre nós está cada vez maior.
—Sim. — Isso sai como um sussurro. — O que será que nos fez sentirmos tão atraídos um pelo outro?
Ele balança a cabeça negativamente.
—Eu não sei. Mas acho que foi a nossa constante insistência em dizer que não sentíamos nada um pelo outro. — Ele lambe os lábios e se aproxima ainda mais, agora estando a milímetros de distância do meu rosto. — Sendo que a chama sempre esteve acesa entre nós.
Meus músculos se enrijecem quando sua mão sobe por minhas costas até chegar à minha nuca.
—Acho que tudo o que precisava ser feito... era termos uma chance para descobrirmos isso, antes que tudo pegasse fogo. — Digo.
Ele assente olhando para minha boca.
—Mas agora está tudo queimando.
—Absolutamente tudo... — Com a maior indiferença, levo a mão para o ponto em que a bainha da camiseta branca subiu ligeiramente. Deslizo os dedos sob o tecido e acaricio sua barriga dura, então ouço sua respiração falhar. Lutando contra um sorriso, achato a palma da mão contra sua pele e paro de movê-la. Depois de um momento, ele relaxa.
—Eu esperei três aulas de antropologia cultural, duas de hidrografia e uma de filosofia... — Eu me estico e beijo o pescoço de Tom. — Só para podermos fazer isso.
Ele fica tenso, então deixa escapar uma risada. Baixa e divertida.
—E pensar que você não sabia fazer nada disso.
—Isso o que? — Pergunto, inocente.
—Isso que você está tentando fazer agora. — Ele solta um riso estrangulado. — Sua safada.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
