TOM's POV
Estou me sentindo estranhamente radiante esta manhã.
A noite de sono foi restauradora. Odeio dar o braço a torcer, mas os meninos estavam certíssimos, eu precisava descansar e voltar um pouco à vida. Eu tenho certeza que as pessoas ao meu redor estavam começando a me confundir com um zumbi.
Depois do incidente da madrugada, não tive mais nenhum sonho, minha mente permaneceu vazia. O que me ajudou bastante a recarregar minhas energias. Comi um prato cheio de panquecas de mirtilo e acabei percebendo que não tomava nenhum banho desde o acidente. É, nojento, eu sei.
Mas o que importa é que agora estou zero bala, cheiroso e com a cabeça cheia de tanto tentar explicar sobre acordes de guitarra para uma criança teimosa.
Resolvi vir visitar Jordan hoje. Antes de sair de casa, dei uma geral no meu quarto, e quando vi minha guitarra encostada no canto da parede, me lembrei da promessa que havia feito para aquele menininho no corredor do hospital. E como sou um homem de palavra, aqui estou eu. Ele parece bem, seus olhos azuis parecem ainda mais cristalinos hoje, mas talvez isso seja devido a claridade vinda da janela. Ele não está com o gorro de tubarões, e isso me dá a visão de sua cabeça totalmente careca. Jordan fez uma cirurgia ontem à tarde, e ainda está meio baleado, mas continua com sua língua afiada e gênio forte enquanto tenta aprender a tocar o instrumento que parece ser mil vezes maior em suas mãozinhas.
—E esse... é o ré menor. — Posiciono seus dedinhos finos nas cordas da guitarra. — Pode passar a palheta.
Ele obedece. A guitarra faz um som estridente, e quando ele levanta o rosto, seu sorriso se estica de orelha a orelha.
—Você ouviu? Foi bom, não foi? — Ele pergunta animado.
Assinto com um sorriso.
—Foi ótimo, carinha. — Me apoio no encosto da cadeira e cruzo os braços. — Tenho que me cuidar, desse jeito vou ter um concorrente logo, logo...
—Não me veja como ameaça, não vou durar muito tempo. — Ele diz com um sorriso.
Meu rosto se contrai na hora. Tento disfarçar e agir como se não tivesse ouvido a piada auto depreciativa que ele acabou de fazer. Mas não consigo, porque ele sabe que eu ouvi, e ele sabe o que disse.
—Não precisa agir como se fosse uma coisa ruim. — Ele continua dizendo. — Todo mundo sabe que eu vou morrer.
Seus dedinhos traçam as cordas da guitarra com timidez.
Respiro fundo antes de dizer qualquer coisa.
—Por que está dizendo isso?
Ele dá de ombros e se ajeita na maca.
—A cirurgia não foi boa. — Ele começa a dizer e então estica a guitarra em minha direção. Pego o instrumento sem tirar os olhos dele. — Dra. Cales teve que lidar com um problemão.
Outra coisa, acabei descobrindo porque o nome "doutora Cales" me parecia tão familiar no outro dia. A cada dez frases de Jordan, onze incluem sua médica. Ou ele adora essa mulher, ou tem um ódio mortal por ela.
—Você não fez a cirurgia? — Pergunto cauteloso.
—Claro que fiz... um transplante de fígado. — Ele morde o canto da boca. — O meu estava falhando, não que meus outros órgãos não estejam, mas meu fígado estava virando pó. — Ele arqueia uma sobrancelha para mim. — Eu estava super amarelo no dia que te conheci.
—Eu não... percebi. — Digo.
—Eu sei, as luzes não ajudaram muito na sua avaliação sobre mim. — Ele sorri. — Acontece que o câncer se espalhou pelo "fígado novo" logo depois da cirurgia.
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
