—Tom? — Abro a porta com cuidado e faço o mínimo de barulho que consigo, pois assim posso ouvir se ele fizer algum som.
O porão está como sempre esteve. Os pôsteres das nossas bandas preferidas colados nas paredes, caixas de pizza vazias jogadas no chão, tabuleiros de jogos empilhados no canto da sala, e o sofá surrado com uma capa de couro em cima.
Os meninos vinham aqui em casa com frequência e passávamos o tempo todo tocando na garagem, quando resolvíamos dar uma pausa, vínhamos aqui embaixo e ficávamos de bobeira até chegar o momento de eles irem embora.
Sempre achei esse lugar aconchegante.
Principalmente pela lareira enorme que temos aqui. E ela está acesa, o que me dá ainda mais certeza de que Tom está aqui.
Meus pensamentos se perdem quando ouço o som inconfundível da guitarra dele.
Sigo o som e vejo que ele está sentado na frente do sofá, não encima dele, mas sim no chão, com as costas encostadas no estofado e a guitarra apoiada em sua coxa esquerda. Ele dedilha as cordas sem fazer nenhuma melodia específica, apenas para ouvir o som que elas podem gerar.
—Ei, o que está fazendo? — Pergunto me ajoelhando próxima a ele.
Seus olhos estão perdidos em qualquer canto do lugar.
—Estou pensando.
Sua expressão é dura, como se nuvens cinzentas estivessem rondando ali.
—Posso saber sobre o que? — Pergunto cautelosamente, pousando minha mão sobre a dele, fazendo com que seus movimentos na guitarra cessem.
Ele olha para mim e vejo quando a tristeza nubla suas feições.
—Em Jordan. — Um músculo de sua mandíbula contrai. — Ele se foi, hoje de manhã.
Tenho certeza que meu rosto empalideceu. Porque sinto todo meu sangue ir direto para o coração, fazendo com que ele bata desesperadamente rápido.
—O garotinho que você conheceu?
Ele afirma de leve com a cabeça.
Não sei como reagir diante dessa situação, porque nem ao menos conheci esse garoto. Mas uma coisa eu sei, ele deixou uma marca inexplicável em Tom.
—Sabe, não estou triste apenas porque ele se foi, e sim porque ele nem teve chance de pensar que poderia ficar. — Uma veia salta para fora de seu pescoço. — Uma parte de mim ainda tinha esperanças de que ele ficaria bem. Eu passei no quarto dele hoje... e-e ele não estava mais... lá. — Uma linha surge em sua testa e uma lágrima foge de seus olhos. Ele rapidamente a limpa e força um sorriso. — Droga, prometi a ele que não choraria e nem ficaria triste quando pensasse nele.
—A dor da perda é uma merda, mas precisa ser sentida... — Me acomodo mais perto dele e faço com que sua cabeça deite em meu ombro. — Então pode chorar. Eu deixo.
Ele solta uma risadinha baixa e funga em meu pescoço.
Se o que ele precisa agora é sentir essa dor, vou deixar que isso lhe escape.
Porque está tudo bem se Tom quiser lamentar a morte de Jordan.
Isso é natural. É humano.
Eles eram amigos e ele está triste. Ponto final.
Daqui para frente teremos que conviver com lembranças ruins e traumas, mas isso não muda o rumo da nossa história. A dor é apenas um culto de passagem nos levando para o caminho da felicidade.
—Ele era um bom menino. — Sua voz sai trêmula. — Uma criança especial para caralho. — Sinto uma lágrima dele escorrer por minha clavícula. — Entende porque eu nunca poderia te perder? Se estou assim por conta de um menino de nove anos que conheci há apenas umas semanas, imagina...
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training wheels - Tom Kaulitz
Romance"𝑵𝒂̃𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒐 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒆𝒓 𝒂 𝒄𝒓𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒖𝒔𝒂 𝒃𝒊𝒄𝒊𝒄𝒍𝒆𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒓𝒐𝒅𝒊𝒏𝒉𝒂𝒔." Matilda Müller se tornou uma garota muito famosa, a tecladista da banda mais renomada de seu país. Ela é só uma menina, mas...
