21 - Patinhos cor de rosa

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— Por que tem alguém na recepção do prédio às 3h da manhã? — Giulia pergunta, tremendo de frio ao meu lado, enquanto puxa minha camisa encharcada mais apertada contra o corpo.

O ar está gelado, e posso ver nossas respirações formando pequenas nuvens brancas. Olho para o homem de terno cinza, aparentando estar na casa dos 30 anos, concentrado na entrada. Seus olhos estão fixos na tela do computador, a luz azul refletindo em seu rosto sério. Mordo levemente o lábio, ponderando a situação.

— Quem liga? — Digo de forma despreocupada, estendendo a mão e tocando seu rosto gelado, sentindo a pele fria e úmida. — Somos noivos, afinal.

Seguro sua mão, entrelaçando nossos dedos. Sinto a leve pressão de seus dedos contra os meus. Atravessamos o corredor com passos rápidos, nossas roupas pingando água no chão de mármore branco, criando pequenos lagos ao nosso redor. O homem na recepção lança um olhar curioso, seus olhos piscando por um momento, mas logo desvia, focando novamente na tela.

Desvio o olhar para Giulia, observando suas bochechas coradas pelo frio e pelo constrangimento. Clico no botão do elevador, e as portas se abrem com um leve tilintar. Entramos, deixando uma trilha de água atrás de nós.

Giulia se encolhe, abraçando o próprio corpo enquanto clico no botão do nosso andar. O elevador começa a subir com um leve tremor, e eu me aproximo, passando o braço por cima de seus ombros. Sinto o leve perfume de seus cabelos misturado com a fragrância da chuva, um cheiro terroso e fresco.

— Como você pode estar tão cheiroso depois de passar por uma tempestade?

Sinto um arrepio percorrer minha espinha enquanto lentamente desliza o nariz pelo meu peito molhado, respirando fundo, absorvendo meu cheiro. Seus lábios roçam minha pele, o calor de seu corpo se fundindo ao meu.

— Se continuar assim, vamos acabar transando neste elevador...

Ela levanta o olhar, as bochechas coradas enquanto a luz do elevador realça o brilho em seus olhos, tornando-os ainda mais hipnotizantes.

— Tem câmeras — murmura, com um sorriso ladino, olhando rapidamente para o canto do elevador onde uma câmera pisca discretamente, quase imperceptível.

Deixo um sorriso semelhante brotar em meus lábios.

— Com uma ligação, elas param de funcionar — digo, mostrando o celular na minha mão enquanto as gotas de água escorrem pelos meus dedos.

— Proposta tentadora, senhor Moretti, mas adoraria tomar um banho quente agora — responde, sorrindo docemente.

Giulia tem aquele tipo de sorriso que pode fazer o mundo parar. Se ela te pedisse para pular de uma ponte, você pularia sem hesitar, porque ela é simplesmente incrível. Sua pele brilha sob a luz suave do elevador, e seus cabelos úmidos se grudam à testa, moldando seu rosto com perfeição.

— Já disse uma vez, tudo que você me pedir será seu. Se quer um banho quente, terá um banho quente — digo, pegando-a nos braços com facilidade.

Giulia solta um gritinho que ecoa estridente dentro do elevador. Sinto a umidade de nossas roupas se misturando, a textura dos tecidos encharcados, e o calor de seu corpo contra o meu.

— Enlouqueceu, Allan?

— Preciso te lembrar que você me ajudou a fugir de um manicômio?

— Você estava em uma clínica de reabilitação, Senhor Moretti. "Manicômio" é uma palavra muito forte — corrige, mas seu olhar permanece divertido e carinhoso.

— Durante o tempo que estive lá, fiquei à beira da loucura várias vezes — retruco, meu sorriso desaparecendo enquanto a seriedade toma conta do meu rosto. — Sua voz me trazia de volta. Se não fosse por vo...

FRUTO CRUELHistórias para pegar e não largar. Descubra agora