46 - Isso muda tudo

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Olá, frutinhas!
Pelo visto, algumas pessoas acharam que o último capítulo era o final da história... sinto dizer, mas quem pensou isso claramente ainda não conhece meu jeitinho de escrever!
Eu sempre entrego finais gostosinhos.
Dei uma sumida por motivos pessoais, mas voltei pra dar um oi e deixar aquele gostinho de Fruto Cruel — o tipo de fruto que todo mundo quer provar, nem que seja só um pedacinho.
Em breve, estaremos na Amazon, então aproveitem os livros que ainda estão disponíveis aqui enquanto dá.
Beijos!


Sabe aquele momento em que você leva uma pancada seca na cabeça e tudo o que ouve é um zumbido agudo? A dor vem tão intensa que você perde a noção do espaço, do tempo, de si. Ouvir a Giulia dizer, por telefone, que eu destruí a nossa família,  sem que eu tivesse feito absolutamente nada... foi isso. Uma pancada surda. Só que por dentro. Não pensei, só senti. E foi como perder o ar. A vida. Tudo.

Algo estala no ar seco, inesperado e, de repente, a ardência se espalha pela lateral do meu rosto, quente, pulsante, como se a pele tivesse sido marcada a ferro.

— Faz horas que estou tentando falar com você e você não reage — Isabelly me encara, tensa. — Alguém armou pra você. E foi algo bem feito. A Giulia não acreditaria tão fácil... então é alguém que conhece ela. E conhece bem.

Os olhos castanhos não desviam dos meus. A sobrancelha arqueada cobra uma resposta que eu não tenho.

— Giulia disse que acabou. Que a gente acabou — é tudo que consigo dizer.

— Allan, isso não faz sentido. Ela aceitou estar com um criminoso. Um assassino. Confiou a filha dela, o maior amor da vida dela a você. E te deixaria por causa da Giovanna e de umas ameaças?

Continuo encarando minha prima. Ela tem razão. Tudo isso está errado. Muito errado. Mas minha mente... está vazia. Nada se encaixa.

Noto Isabelly afastando-se em direção à lareira apagada. Seus saltos se acomodam no tapete persa com uma cadência sutil, marcando um compasso silencioso. Veste uma calça preta de alfaiataria e uma blusa de gola alta vinho que delineia sua silhueta com precisão, ressaltando discretamente a curvatura de uma barriga que começa a anunciar uma nova vida. Os cabelos ruivos estão presos num coque improvisado, com algumas mechas escapando para suavizar o contorno de seu rosto. Ela cruza os braços, mordendo o lábio inferior, um gesto que repete quando pensa mais do que fala.

— E se isso não foi o que realmente aconteceu? — diz de repente, sem me olhar. — E se a Giovanna estiver sendo usada como moeda de troca?

A encaro, agora de pé, com os braços atrás das costas. Não consigo ficar sentado. A mente gira, mas não encontra freio

— Por quê? — minha voz sai seca, mais grave que o habitual. — O que alguém ganharia afastando Giulia de mim?

Isabelly se vira, devagar. O olhar castanho mais escuro que o habitual, carregado de algo que parece medo.

— Você sabe o que representa. A família Moretti ainda é um império, mesmo com a queda dos Ristrettos. A Giulia é um alvo perfeito.

Passo a mão pelo cabelo, os dedos deslizando pela raiz até a nuca, tentando ordenar os pensamentos. Eu queria acreditar que era só medo. Insegurança. Mas a Giulia nunca foi fraca.

— Ela não pediu explicações. Só me condenou.

— Ou alguém a convenceu muito bem.

A frase paira no ar por dois segundos antes que o som de um carro estacionando invada o espaço. Me viro instintivamente para a porta, os músculos enrijecidos. Isabelly se mantém no lugar, mas seu olhar me segue.

FRUTO CRUELHistórias para pegar e não largar. Descubra agora