14- Uma boate e uma recaída

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Giulia está concentrada na organização das louças na máquina de lavar. Enquanto ela se dedica às tarefas domésticas, o som suave do motor da máquina mistura-se com a voz animada de Giovana, que compartilha os detalhes de seus casos com indignação na voz. Os pais, sentados à mesa, escutam atentamente.

Enquanto aprecio o vinho, permito-me imergir em seu sabor encorpado, que dança em minha língua, despertando memórias vívidas dos momentos anteriores, quando os lábios de Giulia tocavam os meus, o calor daquele instante ainda em minha pele.

Giulia estava tão entregue, tão sincera, que é impossível acreditar que tenha sido apenas uma encenação para enganar sua mãe.

O que eu acredito? Não há como fingir tanto desejo, tanto sentimento em um simples beijo falso.

Sou abruptamente trazido de volta à realidade quando a mesma mulher que domina cada pensamento meu para em minha frente.

— Tudo bem? — Pergunta, os olhos fixos em mim, procurando por qualquer sinal de desconforto.

Deixo minha taça delicadamente sobre o mármore, meus dedos ainda sentindo o frescor do vidro.

— Allan, já se passaram 30 minutos e essa sua boca linda não soltou um único comentário sarcástico. Estou começando a me preocupar.

Sem conseguir evitar, meus olhos são atraídos para a mão dela, onde falta um anel em seu dedo anelar, o símbolo do compromisso que eu, como seu noivo, deveria ter dado. Levo sua mão até meus lábios, sentindo a textura suave de sua pele sob o toque.

— Vai ficar tudo bem. Não se preocupe.

Antes que pudesse compreender completamente a situação, sinto um leve puxão em minha camisa, e volto-me para encontrar Alyce, em seu pijama amarelo, os olhos verdes brilhantes como duas pedras preciosas cintilantes. Um sorriso tímido adorna seu rosto infantil, enquanto ela me olha com expectativa.

Desvio meu olhar da criança para Giulia, e meus olhos capturam a expressão dela no momento em que avista a filha. Seus olhos se alargam, refletindo surpresa.

— Filha, o que você está fazendo aqui?

No mesmo instante levanta Alyce em seus braços protetores. A pequena aperta sua mãe, buscando conforto em seu abraço, seu rosto pequeno se colocando entre o pescoço de sua mãe, em busca de carinho.

— Eu queria que o papai me colocasse para dormir e contasse uma história.

Giulia, com um olhar triste, acaricia gentilmente as costas da menina.

— Meu amor, seu pai está viajando.

Alyce se afasta, soltando uma risadinha travessa.

— Mamãe, não, aquele é o papai que eu quero! — Exclama Alyce, apontando diretamente para mim com um dedinho decidido.

Sinto minhas bochechas queimarem instantaneamente, um calor repentino que me faz perceber que estou enrubescendo.

— O que você aprontou, Allan? — Giulia pergunta, entre dentes em um sussurro, sua expressão de preocupação, os cantos de seus lábios se curvando em um sorriso fingido.

Eu dou de ombros, tentando disfarçar meu desconforto, e me aproximo para pegar Alyce nos braços. A menina se agarra em meu pescoço como se fosse uma koala, seus braços pequenos envolvendo-me com firmeza.

Com Alyce firmemente aconchegada em meu colo, iniciamos nossa jornada em direção às escadas. Entretanto, antes que possamos prosseguir, sinto um toque suave em meu braço, seguido por uma cutucada delicada de Alyce. Paro imediatamente e abaixo meu olhar para encontrá-la.

FRUTO CRUELHistórias para pegar e não largar. Descubra agora