08 - perto demais

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Devon acha que eu deveria comprar roupas novas para a chegada do seu avô. Sinceramente, não queria estar a caminho de uma loja para coisas que odeio. Eu odeio ir a lojas pelo simples fato de que todos os funcionários me olham como se eu fosse uma usuária de drogas louca, pronta para pegar um desses vestidos e sair correndo para vender e sustentar meu vício. É exatamente assim que esses funcionários de uma loja de grife estão me encarando, olhando de cima a baixo, sem disfarçar. Tudo bem que eu não pareço com os clientes multimilionários que vêm aqui, e para dizer a verdade, eu nunca cheguei a pisar em lojas tão chiques. Para completar, Devon não veio comigo e só mandou um dos seus seguranças me trazer até aqui.

Preferia comprar roupas em um brechó, como sempre, do que vir a um lugar como esse e as pessoas me olharem como uma ladra.

Observo as roupas enquanto caminho, não me sentindo nem um pouco à vontade. Essas roupas são tão caras que dariam para alimentar um batalhão. Penso nas crianças órfãs que ficariam gratas por usar esse dinheiro para comprar brinquedos para elas.

Em falar em orfanato, me lembro do orfanato que eu visitava. Antes do caos da minha vida, costumava ir lá e levar coisas para as crianças, só para elas não se sentirem como eu me senti quando criança, quando a minha mãe saiu da minha vida sem um breve aviso, me deixando sozinha com as palavras de que eu não precisava de uma mãe. Eu realmente não preciso de uma mulher como aquela que teve a coragem de me deixar no meio de um parque enquanto fingia que iria comprar um algodão doce e me deixou apenas com uma boneca no meu aniversário. Não sei por que estou pensando nela. Faz tanto tempo que não penso sobre isso. Quer saber? É melhor eu deixar isso pra lá.

— Se você não tem dinheiro para comprar, é melhor ir embora — diz uma das vendedoras, me olhando com desdém.

Franzo o rosto. Isso é o cúmulo do absurdo.

— O que? — Quero ter certeza de que ela realmente disse isso.

— Você claramente não tem dinheiro e não sei o que está fazendo em uma loja como essa.

Meu sangue ferve, cerro os punhos, contraindo a mandíbula e apertando minha bolsa um pouco mais forte contra os meus dedos.

— E o que te faz achar que não tenho dinheiro para comprar qualquer roupa aqui? — pergunto, estridente.

Ela nem me conhece.

A mulher sorri um sorriso maldoso, descendo seu olhar por mim com soberba.

— Só sua roupa e seu jeito já dizem que você é uma garota pobre e está me fazendo perder tempo te atendendo.

Me imagino puxando o cabelo dela e fazendo-a engolir cada palavra só da raiva que estou sentindo. Mas que mulher soberba! Tudo bem que eu não tenho nenhuma condição de comprar essas roupas chiques, mas Devon praticamente me obrigou hoje de manhã a vir comprar roupas para a chegada do avô dele, e com o dinheiro dele, é claro.

— Quem você acha que é para falar assim com a minha esposa? — Devon aparece atrás da vendedora como uma assombração. O que esse cara está fazendo aqui?

A vendedora se vira, encontrando o olhar irritado de Devon, e posso jurar que poderia imaginar seu queixo caindo no chão.

— Ah... senhor Devon, e-eu não sabia que ela era a sua esposa — ela se explica, como se isso fosse um motivo plausível, visivelmente nervosa. Para dizer a verdade, até eu fico nervosa com sua presença. Devon pode agir de um jeito comigo, mas com os outros percebo sua indiferença e sua impaciência.

Ele anda até mim, se posicionando atrás de mim, e suas mãos seguram minha cintura. Ele não parece nada satisfeito com a vendedora. Seus lábios se apertaram por um momento.

Acordo PerigosoOnde histórias criam vida. Descubra agora