13 -Verdade ou mentira? Em quem posso confiar?

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— Quem são os seus pais?

O avô de Devon crava os olhos em mim como se estivesse me estudando. Eu tento não me encolher. Estou sozinha com ele porque Devon saiu, sei lá pra onde, com os seus pais, e eu fiquei aqui sozinha com ele.

— Eu só tenho pai e ele está em coma... — Não sei se eu deveria dizer isso ou não, de qualquer forma, já foi. — É bem improvável do senhor conhece-lo.

— Isso é terrível — diz ele.

— É sim, mas eu sei que ele vai ficar bem. É o que eu quero acreditar.

Ele me olha com compreensão nos olhos envelhecidos.

— Tenho certeza que sim. Você parece ser uma boa filha. Apesar de ter preferido ter te conhecido antes de você e o Devon... eu gostaria de ter participado do casamento.

Não pude dizer muita coisa além de sorrir.

— Afinal, o que você viu naquele moleque irritante? — o senhor brinca, e eu rio junto com ele.

— Também não sei, ele é tão convencido.

Ele balança a cabeça.

— Aquele moleque, desde pequeno, era assim tão confiante e seguro de si, mas, apesar disso, é um bom garoto.

Ele parece realmente gostar de Devon. Isso me faz lembrar do meu pai, do jeito como ele era cuidadoso comigo, superprotetor, o melhor pai que uma filha poderia ter. Mesmo quando ficou com a responsabilidade de cuidar de mim sozinho, nunca me deixou sozinha. Apesar de não termos dinheiro, ele fazia de tudo por mim. É isso que vejo nos olhos do avô de Devon: um pai protetor.

— Bom, você disse que tinha que ir para algum lugar, é melhor você ir. Vai ver o seu pai não é? — diz. Faço que sim.

— Tenho mesmo que ir, então até mais, senhor — digo enquanto me levanto do sofá.

— Não me chame de senhor, somos família agora, me chame de Agnos — pede.

— Ok, Agnos — assinto — tchau.

— Vá em segurança.

Dou um tchauzinho com a mão e saio da casa. Nunca reparei muito nas quantidades de segurança dessa casa, que chega a ser assustador quando esbarro em um. Todo o perímetro da casa tem um, todos eles têm um cara e um jeito intimidador.

O segurança dá um passo para trás, fazendo um aceno com a cabeça.

— Desculpa, senhora — diz ele, com o tom de voz firme como uma pedra.

— Tudo bem — digo, passando por ele e finalmente saindo pelo portão.

Devon me deu ordens de não sair da casa sem um dos seus motoristas, mas ele esquece que não manda em mim e que não vou obedecê-lo como se ele fosse meu dono. Eu prefiro andar pela rua às vezes do que sair de carro.

Depois do nosso beijo, não aconteceu mais nada porque primeiro eu o afastei e porque isso aqui é profissional. Mas dizer que as coisas não ficaram estranhas é uma afronta. Há um clima estranho entre a gente, principalmente quando vamos dormir e estamos ali sozinhos na mesma cama. Eu penso no beijo e meus desejos ficam à flor da pele, e não consigo dormir. Pelo jeito, nem ele, que a propósito se mexe muito na cama, tirando o pouco de sono que tenho. Está sendo uma tortura, admito. A gente nunca devia ter se beijado.

Acordo PerigosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora