— Nick! — meus pensamentos são dissolvidos quando um par de olhos castanho-esverdeados brilhantes me encara, tentando a todo custo chamar a minha atenção, balançando as mãos pequenas na minha frente. Pisco algumas vezes, forçando um sorriso. Deve ter parecido uma careta pelo jeito que ela murcha os ombros.
— O que foi, Diana? — pergunto gentilmente, voltando a limpar a mesa onde as crianças vêm tomar o café da tarde.
Tenho que deixar tudo limpo, foram as condições que as freiras do orfanato me deixaram para ficar aqui, depois que saí da casa de Devon, sem rumo e sem destino. Não fazia ideia do que fazer da minha vida e, quando percebi, os meus pés me trouxeram a esse lugar cheio de crianças, onde ainda está Diana. Ela ainda não foi adotada e foi uma surpresa para mim.
As freiras me acolheram e eu perguntei se podia ficar um tempo e que eu poderia trabalhar aqui fazendo qualquer coisa, e elas deixaram. Só queria esquecer tudo o que me aconteceu e achei que aqui seria um lugar melhor para me esconder bem longe de Devon e de qualquer outro ser humano.
Abandonei meu emprego antigo, visto que não avisei absolutamente nada, e a última pessoa no mundo que quero encontrar é Álvaro. Não quero mais nada que me lembre meu passado doloroso, mas estou definhando a cada dia mais. Estar com essas crianças tem me ajudado um pouco. Diana tem me ajudado a não enlouquecer e a não fazer uma loucura com minha vida.
— Você parece triste... — murmura a garota, parecendo desanimada agora.
Paro de limpar e a encaro com uma expressão que espero que seja suave e amigável.
— Eu não estou triste — minto, uma mentira descarada que até uma criança percebe.
Diana franze o rosto e chega mais perto de mim.
— Você está sim, Nick. É por causa do Devon? Por que ele não veio morar aqui com a gente? Seria legal, assim você não ficaria triste... — sua voz de criança é melancólica.
Desvio o olhar, segurando as lágrimas. Ouvir o nome dele é como um tapa na minha cara. Toda vez que fecho os olhos, me lembro do seu último olhar, que me deu. Isso me aterroriza todas as noites. Eu o machuquei e me arrependo todos os dias de como o tratei naquele dia. Sinto falta dele. Sua ausência é como uma tortura. Minha dor está me consumindo tanto que, às vezes, acordo com falta de ar.
— Ele... — não consigo terminar de dizer. Sinto os seus braços me envolverem em um abraço, me pegando de surpresa. Ela puxa minha mão, me fazendo ficar à sua altura.
— Não chore, Nick — seus dedos limpam as lágrimas embaixo dos meus olhos, que nem notei que tinham caído. Sua carinha de criança só me faz querer chorar mais. Ela dá um olhar triste e, então, passa os braços no meu pescoço e me abraça forte. Eu retribuo, apertando-a contra mim como se necessitasse tanto desse abraço quanto do ar.
— Tudo vai ficar bem, vocês vão voltar a ficar juntinhos — sussurra contra os meus cabelos, enquanto as lágrimas escorrem pelas minhas bochechas sem parar. Eu quero dizer que isso é impossível, mas ela só é uma criança e não sabe dos problemas dos adultos, não sabe que um buraco enorme se forma no peito só de pensar nele, na nossa bebê, na nossa vida e em tudo que isso se transformou, como as minhas decisões afetaram toda a minha vida. — O Devon disse pra mim quando me encontrou naquela vez que fugi, que amava muito você, então não se preocupe, ele vai voltar rapidinho — completa ela, na sua inocência.
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Acordo Perigoso
Romance🔞 Devon Montenegro está acostumado a ter tudo o que quer e não mede esforços para conseguir. Um dia seu caminho se cruza com uma mulher, fica encantado imediatamente pela bela Nicole Franco, uma mulher de 22 anos que tem que fazer de tudo para sobr...
