07 - Cartas na mesa

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                            Devon
    

— Você está me dizendo que alguém roubou a mercadoria? — Meu sangue está fervendo de raiva enquanto olho para esses dois capangas incompetentes à minha frente. Eles parecem um pouco apavorados, embora não devam demonstrar isso para mim. São um bando de incompetentes e estão prestes a me arruinar com suas burrices, o que vai afetar seriamente a minha imagem perante o meu avô, que já me vê como uma criança imatura que não dará conta de tomar conta dos negócios da família. Já basta que eu seja o mais novo.

— Um caminhão estava levando a mercadoria e fizemos uma parada. Não sei como, nesse meio tempo, um cara fingindo ser policial nos parou e acho que alguém aproveitou nossa distração e roubou — um deles me informa. Respiro pesadamente, passando a mão na têmpora.

— Então quer dizer que vocês estavam distraídos ao invés de estarem atentos?! — exclamo.

Eles se encolhem.

O meu avô me deixou encarregado de cuidar das entregas dessas merdas dessas mercadorias e agora, se o cliente não receber, isso vai dar merda. Uma tarefa simples como essa e agora estou prestes a ir à ruína. Meu primeiro teste para mostrar que sou capaz de assumir a máfia se transformou nisso.

— Nós vamos encontrá-los e vamos dar um jeito, senhor.

Eu solto uma risada sarcástica e saio de trás da mesa, caminhando até eles com impaciência.

— É melhor vocês fazerem isso mesmo, porque se não… — aperto a garganta de um, fazendo-o sufocar no chão, tiro minhas mãos do seu pescoço e piso na mão dele com força, enquanto ele se contorce de dor — vocês e eles vão para o inferno juntos.
Olho para os dois com um semblante impenetrável, embora eu esteja planejando mentalmente como acabar com eles.

— Sim, senhor — falam juntos em sintonia.

— E andem logo!

— O que aconteceu por aqui? — Ricky entra na sala assim que os dois incompetentes vão embora.

— Esses incompetentes não fazem nada direito, perderam uma parte da mercadoria.

— O quê? Se seu avô souber disso…

— Eu sei, caramba! Eu tenho que ser logo o presidente, assumir os negócios e deixar de ser um mero gerente — suspiro, me jogando na minha cadeira. Eu não tenho nenhum poder real nessa empresa e muito menos na máfia. Eu tenho que provar que sou apto a assumir tudo isso, e casar com Nicole foi o meu primeiro plano, os outros não podem dar errado.

— Se tem alguém que vai ocupar esse cargo, é você.

— Preciso que você cuide dessa parte da mercadoria e depois se livre daqueles imprestáveis — ordeno. Ricky assente.

— Sim, senhor. E tem uma coisa que precisa saber: seu avô vai chegar na semana que vem — informa.

— Nem sei se isso é bom ou ruim, vou ter que preparar Nicole.

— Em falar nisso, ela sabe do mundo em que você vive, de tudo?

— Claro que não. Eu prefiro que não saiba, apesar de achar que ela pensa que tem algo de errado comigo.

— Mas ela precisa saber, você não acha?

— Eu não quero envolvê-la em nada disso, até porque é um casamento por conveniência e não seria nada bom se ela descobrisse e, sei lá, usasse isso contra mim.

Ele assente.

— Tem razão, enfim, irei cuidar dos negócios.

— Vai lá.

— Então, o meu avô vai chegar semana que vem — anuncio. Nicole me olha sentada no sofá do meu quarto, eu permaneço em pé, tirando o meu terno.

— Isso é bom ou ruim? — pergunta ela.

— Não sei, mas teremos que interpretar bem o papel.

— Sou uma ótima atriz, pode confiar — zomba.

Ela tem um senso de humor, pelo menos.

— Claro, mas enfim, tem algo que precisa saber: o meu avô não sabe que eu sei sobre o câncer, na verdade, ninguém sabe além de mim. Descobri por acaso, em um descuido dele, que deixou receitas de remédios em seu escritório expostas.

— Ah, não sei o que dizer.

— Você só precisa se concentrar em ser minha esposa e, para isso, eu quero que você compre roupas mais… — tentei encontrar palavras para não inferiorizar as suas vestimentas. Não que fossem ruins, mas a minha família é chata com coisas de roupas caras, e se eles aparecerem no dia da volta do meu avô, pode ter certeza de que vão fazer de tudo para diminuí-la.

Ela arqueia a sobrancelha, esperando eu terminar.

— Que não diga que sou uma garota pobre que quer arrancar a fortuna do seu neto — diz com ironia.

Solto um risinho.

— Não é por mim, na verdade eu gosto… — eu paro um pouco para observar suas roupas, um vestido curto que realça suas curvas vantajosas e deixa à mostra suas lindas pernas. Sinto um calor percorrer áreas que não deveria enquanto a encaro, parecendo um depravado. Pigarreio, voltando a encarar seus olhos escuros. Acho que ela percebeu onde eu estava olhando, porque franze a testa e cruza as pernas — das suas roupas… — termino de dizer.

— Só por causa disso, vou seguir seu conselho e comprar roupas que vão até o tornozelo. — Ela se levanta, indo em direção ao closet, mas não antes de acrescentar: — Seu depravado.

Acordo PerigosoOnde histórias criam vida. Descubra agora