57 - A ruína

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                            Devon

— Tá vendo aquele ali? — Ricky maneia a cabeça na direção de um homem mais ao longe de um clube, um clube que é mais uma fachada de tráfico. Estou aqui porque, bom, a minha maior chance de encontrar Miller ou os lacaios dessa organização é nesse lugar. Nunca estive em um lugar como esse, mas, enfim, tenho que usar qualquer coisa a meu favor.

O plano é o seguinte: se eu tiver sorte de encontrá-lo, será ótimo, mas, se não, terei que seguir um desses caras que me levará a algum lugar onde eles praticam suas atividades. O que me garante que, de uma forma ou de outra, eu vou conseguir o que quero, nem que seja algo como travar uma guerra entre duas organizações. Dois dos capangas vai ser informantes e oferecer muito dinheiro pela sua mercadoria, por assim dizer.

Normalmente, para negócios tão grandes, você fala com um dos subordinados mais altos, que, por acaso, vai me levar aonde fica o restante.

Um ato perigoso e que com certeza vai me levar a muito prejuízo, mas se eu não fizer algo, esse cara vai continuar me atormentando.  

— Tatuado, cabelo comprido? — indago. Ricky faz que sim. Minha mão passa pelo queixo, tentando parecer despreocupado enquanto o observo. O cara passa algo para outro, que suponho ser drogas, e lhe dá algumas notas de dinheiro.  

— Ele tem uma tatuagem de escorpião no braço, é o símbolo deles — evidencio.  

— Sim, eles fazem suas transmissões aqui, só não pode descobrir que estamos nesse lugar.  

Entre dar identidades falsas para não ser reconhecido pelo meu nome, até que foi fácil.  

— Parece que ele vai sair — comenta.

Olho na direção do cara que se mistura com as pessoas ali perto, passando por elas. Eu aceno com a cabeça para dois capangas que vieram conosco, que entendem o sinal e seguem o homem.  

Pego o meu celular só para checar com os seguranças se Nicole está bem em casa antes de fazer o que tenho que fazer.

A deixei dormindo sozinha e saí praticamente de fininho do quarto para que ela não notasse a minha ausência antes que eu voltasse. Tomara que seja antes do sol aparecer. Nos últimos 5 dias, ela está muito abatida, mal sai do quarto e praticamente tenho que obrigá-la a comer. Está difícil, ainda depois do enterro do pai.

O segurança manda uma dizendo que  está tudo certo na casa e com ela, nem um sinal de invasão ou algo do tipo.  

Andamos para a parte de fora, seguindo cuidadosamente os capangas que estão conversando com o cara. Eles entram em um carro preto, anoto mentalmente o número da placa branca. Eu e Ricky entramos no carro e, no carro, o notebook se acende, sinal de que conseguiram colocar o rastreador em algum lugar no carro do homem.  

— Vamos — ordeno.  

Seguimos o carro, que corre com certa rapidez. Vamos devagar porque não quero ser descobertos tão rápido, isso tem que nos levar a algum lugar que valha a pena.

Ricky desacelera o carro enquanto o cara sai do veículo. Estamos em uma rua meia estreita e desértica, uma hora dessas da noite já é de se esperar. Ele demora um tempo para sair do carro, e toda essa situação me deixa ansioso. Logo depois, os capangas saem do carro e o veículo acelera, deixando-os sozinhos. O que será que deu? Mas, enfim, agora eu tenho exatamente a localização dele para saber o rastro onde está. 

— Eles parecem estar inteiros, pelo menos, já é alguma coisa, né? — diz Ricky em tom divertido. Balanço a cabeça, apenas observando os dois capangas virem na nossa direção. Abaixo a janela do quarto. 

Acordo PerigosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora