10 - Conhecendo a Família

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A família de Devon é bem numerosa e devo admitir que me sinto como peixe fora d'água enquanto essas pessoas entram pela enorme mansão e não dão a mínima atenção para mim. Vou fingir que é porque o avô dele chegou da viagem de seu tratamento contra o câncer, do qual só eu, Devon e possivelmente seu amigo Ricky sabem. Não fui apresentada a ele ainda. Devon está sendo "atencioso" com o avô, embora tudo isso seja uma grande mentira para ficar com a herança do velho. Tenho que dizer que ele não joga para perder, pelo menos o senhor parece simpatizar com ele.

Eu aproveito a distração dele para fugir um pouco desse ar meio sufocante. Talvez a escolha do vestido não tenha sido das melhores, não que não seja bonito, só é um pouco apertado. Ou talvez eu só esteja à beira de um colapso nervoso, porque agora vai ser real: vamos estar mentindo para aquele monte de pessoas, dizendo que somos casados. Eu sempre odiei mentir, mentiras em geral, e agora faço parte de uma espécie de teatro, do qual eu sou péssima atriz. Me seguro na bancada da cozinha e percebo que uma mão para no meu ombro, e não é bem amigável, é a bruxa, a mãe do Devon.

- Vamos direto ao ponto: quanto você quer para sair da vida do meu filho? - pergunta, afiada.

Me recomponho.

- O quê?

- Isso que você ouviu: quanto quer para sair da vida do meu filho? Posso dar a quantidade que quiser, só o deixe livre. Ele tinha uma noiva antes de você e largou tudo por causa de uma...- ela me olha com desprezo, como se eu fosse um verme, não terminando a sua ofensa.

Oferta generosa, penso.

- Eu não quero seu dinheiro - digo com a testa franzida.

- Gente da sua laia só quer dinheiro.

- Gente da minha laia? - tento ficar calma, embora seja difícil com uma mulher tão arrogante como essa.

- Gente como você que se aproveita dos outros. Você só quer dinheiro! Eu vou te dar, só deixa o meu filho em paz para ele ficar com a Adelina.

- Você nem me conhece e já tira suposições precipitadas. Eu não estou com o seu filho por dinheiro. Eu o amo.

Uma parte é mentira, óbvio que estou com ele por dinheiro, mas não do jeito que ela pensa. É melhor que ela pense que estou perdidamente apaixonada. Tenho que interpretar o meu papel.

- Eu pedi com jeito para você sair da vida dele. Não reclame quando as consequências vierem - uma ameaça, mas verdadeira. Deu para sentir no olhar dela. Ela sai da cozinha, finalmente me deixando sozinha.

O que ela diz com isso? Estou com a sensação de que a minha vida vai virar um inferno por causa dessa mulher.

Greta entra pela cozinha para pegar pratos para levar à sala de jantar.

- Posso ajudar em algo? - pergunto, querendo ser útil. Nunca foi do meu feitio ver as pessoas trabalhando e não fazer nada, e qualquer coisa para adiar minha apresentação àquela família é mais que bem-vinda.

O olhar dela se dirige a mim com uma certa doçura.

- Obrigada, mas não posso deixar que você faça isso. Não se preocupe, damos conta.

Assinto e me sento na banqueta com tédio visível.

- Dia difícil? - pergunta ela.

- Vida difícil - respondo monotonamente.

- Não se preocupe com o que a senhora Montenegro disse. Devon parece te amar e acho que ele sempre vai te proteger.

Lanço um sorriso sem graça a ela, sabendo que aquilo não é verdade, mas não disse nada.

Acordo PerigosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora