Respirar dói.
É como se cada centímetro do meu corpo tivesse sido queimado com ferro, embora o meu corpo esteja bem. Bem?
Eu não aguento mais chorar. Não sei como ainda existem lágrimas nos meus olhos. Quando não estou chorando, estou dormindo, e quando acordo, é com lágrimas escorrendo dos meus olhos.
Eu me sinto como se tivesse sido partida ao meio, como se viver doesse muito. Ao mesmo tempo, um vazio enorme atravessa o meu corpo, um abismo do qual eu mesmo me joguei.
O mundo parece escuro e sem sentido algum.
E a culpa me consome tanto que parece que se tornou uma parte de mim. De repente, não há por que sair do quarto ou comer; todas essas coisas parecem tão banais, e encolher-se em uma cama parece ser o melhor jeito de amenizar a dor.
Assim, sinto que não estou viva, apenas existindo.
A culpa é a pior. Não consigo fechar os meus olhos e, quando os fecho, os últimos dias atravessam a minha mente como uma avalanche de tristeza.
Todos os "ses" dançam na minha cabeça sobre o que eu deveria ter feito naquele maldito dia, quando fugi de Devon e perdi a minha bebê. Tudo piora quando olho para a minha barriga, vejo os pontos que me foram dados e piora ainda mais quando lembro que fui irresponsável. De repente, a dor parece algo aceitável para redimir o meu erro.
Três semanas, exatamente três semanas depois da desgraça acontecer, a única vontade que tenho é de desaparecer. Ela está tão grande que está difícil ignorar.
O meu corpo está emergindo na água, apenas minha cabeça está de fora, inclinada contra o apoio da banheira. Nem sei quanto tempo estou aqui, mas sei que deve ser muito tempo. Ouço uma batida desesperada na porta e sei que é Devon. Não consigo emitir nenhum som além de ficar encarando a água.
Não quero vê-lo, não quero muito menos que me veja nessa situação tão deprimente. Quando olho para ele, tudo o que sinto é culpa. Eu matei a nossa filha. Quando olho para ele, lembro do que aquele homem disse sobre ele, sobre as coisas que ele fez. Lembro que ele tem a ver com a morte do meu pai. Tudo se transforma em uma bola enorme de fogo pronta para nos queimar vivos. Não consigo ficar perto dele.
A porta se abre bruscamente. Não que eu tenha inclinado a cabeça para olhar, escuto somente.
— Você não está ouvindo eu te chamar? Faz horas que você está nesse banheiro — a voz dele com certeza tem um tom nítido de preocupação e euforia. Talvez ele tenha pensado que eu estava tentando me matar. Escuto o som dos seus passos se aproximando. Logo, a sua sombra toma a minha frente. As mãos grandes de cada um dos meus lados dos ombros me sacudindo, me fazendo olhá-lo. Meus olhos opacos, sem brilho algum, a água do meu cabelo desliza sobre a minha testa. Eu quero gritar para ele ficar longe de mim, mas nem isso eu consigo. — Eu fiquei preocupado, pensando que estava fazendo alguma besteira. — Meus olhos encaram-no. O seu peito está agitado. Subo o olhar para os seus, a expressão de tormento toma o seu rosto e seu olhar. Abaixo dali, tem olheiras visíveis, os lábios curvados para baixo, as sobrancelhas franzidas. Desvio o olhar, abaixando a cabeça novamente. Um suspiro exaustivo sai da sua boca. Só quero que ele saia daqui. Doe demais só de olhá-lo.
— Eu estou tentando, sabia? — diz, abalado. Sua mão puxa o meu queixo com delicadeza, me analisando. Travo o maxilar. — Fala comigo, por favor — implora, desesperado, e isso parece quebrá-lo em mil pedaços. Como não digo nada, ele me puxa da banheira, me fazendo ficar em pé. Isso me faz franzir o rosto, a água caindo do meu corpo como uma cascata. Ele passa a toalha no meu corpo nu. — Já ficou nessa banheira demais — acrescenta, com um tom de repreensão. Seus braços passam por minhas pernas, me tirando de dentro da banheira, passando pela porta e me levando até a cama.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Acordo Perigoso
Romance🔞 Devon Montenegro está acostumado a ter tudo o que quer e não mede esforços para conseguir. Um dia seu caminho se cruza com uma mulher, fica encantado imediatamente pela bela Nicole Franco, uma mulher de 22 anos que tem que fazer de tudo para sobr...
