37 - Não há volta.

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Um barulho chamou a minha atenção, parecia uma batida nas portas, mas estava tão alta, como se alguém estivesse socando a porta.  

Abre a porta! — Escutei o som da voz estridente. Meu pai, ao meu lado, sentado no sofá, me pegou no colo com uma expressão estranha no rosto.  

— Papai, por que não abre a porta? — perguntei, confusa, com minha voz de criança. Mas papai colocou a mão na minha boca e disse baixinho:  

— Hora do silêncio — avisou ele.

Eu assenti com a cabeça. Às vezes, papai fazia isso, eu sempre tinha que me esconder. Eu odiava. Ele começou a caminhar, nos levando em direção ao meu quarto, enquanto as batidas pareciam ficar mais fortes e os murmúrios mais altos. Ele fechou a porta atrás de si e foi em direção ao meu guarda-roupa rosa, igual ao de uma princesa. Abriu-o e me colocou no cantinho, ali onde não tinha nenhuma roupa ou brinquedo. Eu comecei a ficar com medo.  

Eu franzi a testa, agarrando-me aos seus braços.

— Tá tudo bem, princesinha — me acalmou ele, passando a mão no meu cabelo e sorrindo do jeito que sempre dizia que as coisas ficariam bem, mesmo que eu não entendesse muito bem disso.  

— Por que você me colocou aqui, papai? Eu não quero ficar escondida aqui, é escuro — lamentei, chorosa.  

— Ei, calma! Vou te contar um segredo: esse guarda-roupa é mágico, e sabe o que guarda-roupas mágicos fazem? Eles te levam para o mundo que você quiser ir. É só fechar os olhos e imaginar um lugar bem bonito.  

Ergui as sobrancelhas, surpresa.  

— Sério?  

Papai assentiu, sorridente.  

— Sim, você vai ficar aí quietinha até eu voltar, porque o papai vai acabar com uns mostrinhos que querem machucar a princesinha, e eu não posso deixar. Então, quando tudo acabar e os monstros estiverem derrotados, eu venho te buscar, ok? — disse gentilmente.  

— Mas você vai me proteger, não é, papai?  

Ele apertou a minha bochecha e me olhou com a ternura que só um pai podia ter.

— Sempre, mas você tem que me prometer, Nicole, que não vai sair daqui por nada, mesmo que escute barulhos. Não saia daqui, ok?  

Eu balancei a cabeça confirmando.
 
— Tá bom, mas promete que não vai demorar?  

— Eu prometo, tá bom? Eu vou te levar para um lugar bem legal. Quando acabar, podemos ir naquele parque que você adora. Que tal?  

— Eu vou ficar aqui e ficar quietinha.
 
— Isso aí, minha pequena aventureira. Eu amo você, sabe disso, não é?  

— Eu também.  

Ele beijou a minha testa, mas antes que fechasse a porta, eu o impedi.

— Eu posso ficar com o meu gatinho?  
— Claro.  

Papai foi até a minha cama e pegou o minha pelúcia, era um gatinho. Eu amava gatinhos.  

Acordo PerigosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora