55 - Tempestade

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O caminho até o hospital parece apreensivo, sinto uma sensação horrível me dominar. Devon disse que o hospital tinha ligado mandando-nos ir para lá. Para algo assim, deve ser algo ruim. Eu estou preocupada e não consigo disfarçar, e Devon percebe o meu estado. Sua mão repousa na minha coxa de forma carinhosa enquanto dirige o carro e me lança um olhar tranquilizador, tentando me passar isso, mas não consigo obter essa sensação, porque só me diz que está mesmo errado.  

— Você acha que aconteceu algo ruim? — pergunto, mordendo os lábios.  

— Não pense o pior, Nicole. Talvez só seja algum tipo de procedimento médico para o seu pai — diz, mas não sinto confiança e estou longe de me sentir tranquila.  

Mas aceno com a cabeça, voltando a olhar para frente, com a mente cheia de pensamentos mais negativos do que positivos.

Quando chegamos ao hospital, Devon entrelaça a mão na minha. O seu toque é reconfortante e eu aperto um pouco mais à medida que caminhamos para a recepção.

A enfermeira, que já me conhece de cor de tanto tempo que venho aqui desde que meu pai foi transferido, ergue os olhos na minha direção e, de repente, noto um vislumbre de algo como hesitação e ansiedade neles. Até o médico que cuida do meu pai aparece nos olhando do mesmo jeito. 

Eu não gosto disso.

— Pode nos explicar o que aconteceu? — pergunta Devon, com a voz firme e as sobrancelhas erguidas, segurando a minha mão com mais força.

Meu peito se agita de ansiedade e meu olhar se alterna entre a enfermeira e o médico. Para dizer a verdade, o hospital parece estar em um tumulto de profissionais passando para lá e para cá.

— Por que estão me olhando assim? Dá para dizer o que aconteceu? — pergunto, vendo o silêncio de ambos.  

O médico hesita por um momento, alisando o jaleco branco e percebo algumas gotas de sangue espirradas nele. Eu engulo em seco, aguardando a resposta.  

— Senhora Nicole, aconteceu algo terrível — começa. O tom de voz mostra certo nervosismo que passa para mim.  

Eu olho para Devon, que me encara como se estivesse de olho em minha reação. Volto para o médico, me sentindo cada vez mais ansiosa, só consigo me concentrar no sangue nele, aquele sangue...  

Sinto que a minha voz falha quando exclamo, aos plenos pulmões:  

— Me fale, é algo com o meu pai?  

O médico suspira, parecendo exausto.
 
— Um cara fingindo ser médico entrou no quarto do seu pai... — ele hesita em terminar o restante.  

Eu noto que estou ficando fora de mim, não, isso não pode estar acontecendo...  

— Onde está o meu pai? Que merda aconteceu com ele?!

Devon passa a mão no meu ombro, dizendo coisas, mas não, eu não estou prestando atenção nele.  

— Esse homem... ele esfaqueou o seu pai. Tentamos reanimá-lo, mas, infelizmente, não conseguimos... — O médico abaixa o rosto, triste.  

Estou em choque, prestes a cair, porque não posso acreditar nas palavras que esse médico acabou de dizer. Como assim, o meu pai foi esfaqueado e está morto? Isso não pode ser verdade. Não, não é real. Eu passo a mão na testa, tentando respirar direto.

Acordo PerigosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora