Capítulo 42

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Capítulo 42: Os Cuidados de Toga no Templo

A suave brisa que atravessava o santuário de mármore fez as flores de cerejeira dançarem levemente no ar. Toga, a recém-criada druida negra, observava calmamente enquanto Sans repousava em seus braços, o corpo exausto por ter usado tanto poder em sua criação e no fortalecimento das defesas de suas montanhas flutuantes.

Ela o carregou com cuidado, como se o peso do jovem fosse uma folha leve. Toga atravessou o santuário que ele havia erguido, cada passo em harmonia com o ambiente sereno que agora ela guardava. As árvores ao redor pareciam saudá-la, inclinando-se ligeiramente enquanto ela passava, e o murmúrio do vento soava como uma canção de ninar.

Dentro do templo de mármore, Toga caminhou até uma pequena cama feita de seda e materiais macios que Sans havia providenciado. Ela o colocou suavemente sobre os lençóis, ajustando o travesseiro sob sua cabeça. Seus olhos verdes e roxos brilhavam com uma curiosidade suave, mas também com um traço de preocupação.

— "Você realmente se esforçou demais, jovem mestre..." — murmurou Toga, enquanto seus dedos delicados tocavam de leve o rosto de Sans, afastando uma mecha de cabelo de sua testa.

Ela não tinha dúvidas sobre o poder de Sans, mas sabia que ele frequentemente se entregava demais em suas criações e projetos, sem medir os limites de seu corpo. Toga, com seus vastos talentos em magia de cura e conexão com a natureza, sentia-se na obrigação de protegê-lo.

Toga, sendo uma druida de uma linhagem tão única, compreendia a complexidade das energias que fluíam pelo corpo de Sans. Seus três corações pulsavam em uníssono enquanto ela meditava em silêncio, sentada ao lado da cama. Os corações triangulares dentro de seu corpo canalizavam maná e energias naturais, permitindo que ela entendesse o estado físico e espiritual de Sans.

Ela estendeu a mão sobre o peito dele, deixando sua magia fluir suavemente. Um brilho verde suave emergiu de sua palma, envolvendo o corpo de Sans. O fluxo de energia foi gentil, projetado para não interromper o descanso do jovem, mas o suficiente para acelerar a recuperação de seu esgotamento.

— "Sua força é incrível... mas sua determinação às vezes o cega," — murmurou Toga para si mesma, enquanto observava o brilho da energia curativa se fundir ao redor dele.

Por algumas horas, Toga permaneceu ali, zelando por ele. De tempos em tempos, ela se levantava e caminhava até a porta do santuário, onde a floresta de cerejeiras se estendia. O cheiro doce das flores a envolvia, e a druida sentia-se em paz naquele local. Ela sabia que sua função era proteger aquele espaço sagrado e, acima de tudo, cuidar do criador que lhe deu vida.

As estrelas já começavam a surgir no céu, e Toga olhou para cima, refletindo sobre sua própria existência. O núcleo de maná divina em seu cérebro pulsava suavemente, uma fusão das forças do caos e da criação. Esse poder latente dentro dela era imenso, mas ainda estava em processo de adaptação ao mundo ao redor.

— "Eu fui criada para um propósito maior, algo que ainda não consigo compreender completamente," — sussurrou Toga, enquanto observava as estrelas. — "Mas sei que proteger Sans é parte desse propósito. Ele é meu criador... e meu guia."

Ao retornar para o lado de Sans, ela se abaixou novamente, continuando a observá-lo com paciência e cuidado. O sono de Sans parecia tranquilo, e seu rosto, antes marcado pela tensão de tanto trabalho, estava mais relaxado. A presença calmante de Toga preenchia o ambiente.

Com a mão ainda sobre o peito dele, Toga fez um feitiço de proteção suave, uma magia que garantiria que nenhum mal o atingisse enquanto dormia. Era uma camada extra de segurança, não apenas contra ameaças físicas, mas também espirituais. Ela entendia que Sans, com o poder que possuía, era um alvo tanto para seres malignos quanto para energias destrutivas que poderiam tentar corromper sua essência.

Olhando ao redor do santuário, Toga refletiu sobre como havia sido cuidadosamente projetado. Tudo ali parecia se conectar com a essência da natureza e da magia, desde as paredes de mármore até a vegetação ao redor. A energia do lugar estava viva, e ela sentia cada respiração das árvores, cada movimento do vento. Era seu novo lar, e também o local que ela deveria proteger e nutrir.

Sans começou a se mexer levemente na cama, indicando que seu corpo estava começando a se recuperar. Ele ainda não tinha acordado completamente, mas sua aura já estava se estabilizando. Toga sabia que ele logo despertaria.

Enquanto aguardava o despertar de seu mestre, Toga se dedicava a fortalecer as defesas do santuário. Ela desenhou runas protetoras ao redor do templo, criando uma barreira invisível que afastaria qualquer presença maligna que ousasse se aproximar. Essas runas, alimentadas por seu próprio maná e pela conexão com o núcleo divino dentro dela, garantiriam que o templo fosse um refúgio inviolável.

Depois de concluir as proteções, Toga voltou para o lado de Sans, sentando-se ao seu lado. Ela colocou sua mão sobre a testa dele novamente, sentindo que a febre e o cansaço que antes o assombravam haviam diminuído consideravelmente.

Por fim, Sans abriu os olhos lentamente, sua visão ainda um pouco turva. Ele piscou algumas vezes antes de perceber onde estava, e seus olhos encontraram os de Toga, que o observava com um sorriso tranquilo.

— "Como se sente, jovem mestre?" — perguntou Toga, com a mesma serenidade de sempre.

— "Melhor... muito melhor," — respondeu Sans, ainda um pouco grogue, mas já recuperando suas forças.

Ele olhou ao redor, reconhecendo o santuário que havia construído no dia anterior, e então se lembrou de tudo. O treinamento de Rukia, a ativação das runas, a criação de Toga... Tudo isso o havia levado ao limite, e ele sabia que devia ter descansado antes de seguir adiante. Mas ver Toga ao seu lado o tranquilizou.

— "Eu estava preocupado em terminar tudo a tempo, mas vejo que você cuidou muito bem de mim," — disse ele, sentando-se lentamente na cama.

— "Esse é o meu dever, Sans. Eu fui criada para proteger este lugar e para garantir que você possa continuar com seus planos sem se prejudicar no processo," — disse Toga, colocando uma mão em seu ombro.

Sans sorriu levemente. — "Acho que escolhi bem ao criar você."

— "E você sempre pode contar comigo para isso," — respondeu ela, firmemente.

Após se levantar e se alongar um pouco, Sans sentiu que estava pronto para continuar. Havia muitas coisas ainda a serem feitas, mas ele sabia que agora tinha aliados em quem podia confiar, e que não precisava carregar todo o fardo sozinho.

Toga o observou enquanto ele saía do santuário, sentindo uma conexão profunda com o jovem que a havia trazido à vida. Seu papel no futuro de Sans estava apenas começando, e ela estava pronta para desempenhá-lo com toda a sua força e determinação.

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