Capítulo 80

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Capítulo 80: O Retorno da Verdadeira Memória

O Coelho Dourado caminhava em silêncio pelo vasto deserto de ruínas, seus olhos fixos em um imenso portão que pulsava com uma energia sombria e caótica. Ele estava em busca de um lugar há muito esquecido, onde suas verdadeiras memórias foram seladas. À medida que se aproximava, o som de passos pesados reverberava pelo ar, e logo uma figura colossal surgiu. Era o Cerberus, o guardião do portão, uma besta gigantesca com três cabeças que protegiam o Reino Esquecido.

Sem perder tempo, Cerberus avançou em um ataque feroz, mas o Coelho Dourado, com uma agilidade incomparável, desviou dos golpes mortais. Em um movimento preciso e rápido, ele cortou as três cabeças do guardião com facilidade. O corpo da criatura tombou ao chão, criando uma nuvem de poeira ao seu redor. Com o caminho livre, o Coelho Dourado seguiu em direção ao antigo castelo, onde sabia que encontraria mais do que apenas lembranças.

Dentro do castelo, cercado por escombros, ele encontrou algo que lhe era familiar: uma figura imponente, imóvel como uma estátua, com uma armadura dourada reluzente. Não era uma espada, mas uma de suas sete Cavaleiras Sagradas, guerreiros lendários que uma vez o serviram. Ela estava em modo de estase, protegida pelos Gardulas, guardiões do reino.

Ao se aproximar, sua aura começou a despertar a Cavaleira Sagrada. A energia ao redor da estátua tremulou, e lentamente a figura em armadura dourada ganhou vida. Seus olhos brilharam com uma luz intensa, e ela ajoelhou-se diante de seu mestre, reconhecendo-o imediatamente.

— Mestre... — sua voz era forte, reverberando pelo grande salão. — Após tanto tempo, você voltou. Eu senti sua presença, e despertei para ajudá-lo a recuperar o que é seu por direito.

— Levante-se, Emia — disse o Coelho Dourado, com um tom autoritário, mas frio. — Precisamos quebrar o selo. Minhas memórias verdadeiras estão além daquele portão, e não vou descansar até recuperá-las.

Emia, a líder de suas Cavaleiras Sagradas, se ergueu com determinação. Ela olhou para o Coelho Dourado com admiração, mas também com a compreensão de que ele não era mais o mesmo de antes. Agora, ele era uma força determinada, guiada pela vingança.

Juntos, eles se aproximaram do Portão do Selamento, um portal massivo de energia que emanava uma barreira mágica quase impenetrável. A cada passo, a tensão aumentava, mas o Coelho Dourado estava focado. Com Emia ao seu lado, ele começou a golpear o portão com uma força impressionante. Cada impacto quebrava mais da barreira mágica, que resistia como se tentasse proteger algo imensurável.

— Este selo é poderoso, Mestre — disse Emia, entre um golpe e outro. — Mas juntos, podemos destruí-lo.

Por horas, eles continuaram seu ataque implacável. A barreira parecia interminável, mas a determinação do Coelho Dourado não vacilava. Após três horas de esforços incessantes, um som estrondoso ecoou pelo reino. A barreira se partiu, e o portão finalmente cedeu. Diante deles flutuava uma bolha de luz, pulsando com uma energia antiga e poderosa. Dentro dela estavam as memórias verdadeiras do Coelho Dourado, seladas desde sua reencarnação.

— Lá está, Mestre — disse Emia, fitando a bolha. — Suas verdadeiras memórias. Tudo o que você foi, antes de tudo isso.

Sem hesitar, o Coelho Dourado estendeu a mão e tocou a bolha. Num instante, um turbilhão de lembranças o atingiu. Ele se lembrou de seus antigos companheiros, bravos guerreiros que lutaram ao seu lado e morreram por ele. Lembrou-se de sua esposa, uma mulher que ele amou profundamente e que foi arrancada de sua vida. Lembrou-se do sofrimento, da traição, e do caos que moldou sua existência.

Mas o mais importante, ele se lembrou de Moloch, o ser que destruiu tudo o que ele amava e que jurou destruir. Sua vida reencarnada havia apagado esse ódio, mas agora ele se lembrava de tudo. Suas memórias novas começaram a desaparecer, substituídas por sua verdadeira identidade.

— Moloch... — sussurrou o Coelho Dourado, seus olhos brilhando com uma fúria renovada. — Você será destruído. Nada no mundo vai me impedir.

Quando ele voltou ao presente, suas antigas memórias estavam completamente restauradas, e seu propósito era claro. A missão de vingança contra Moloch era tudo o que importava agora. Ele olhou para Emia, que o observava em silêncio.

— Nada mais importa agora, Emia. — sua voz era fria, desprovida de qualquer emoção. — Vamos destruir tudo. Eu preciso ser forte o suficiente para matá-lo, e não deixarei nada em meu caminho.

Emia apenas assentiu, compreendendo o destino sombrio que agora guiava seu mestre. Ela sabia que nada seria capaz de impedi-lo, e ela o seguiria até o fim.

Sem olhar para trás, o Coelho Dourado saiu do castelo. Seu poder estava completo, sua determinação inabalável. A fúria que o consumia seria liberada sobre o mundo, e ninguém seria poupado.

Fim do Capítulo 80

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