Capítulo 3: O Encontro com a Deusa da Névoa
A noite cobriu a cabana em uma escuridão silenciosa, enquanto a névoa ao redor se tornava cada vez mais espessa. Moon, cansada mas vigilante, cuidava de seus irmãos adormecidos, Sans e Nick, que repousavam tranquilos após o dia turbulento. A pequena cabana, embora modesta, agora parecia um refúgio seguro, afastada das ameaças do mundo exterior.
Do lado de fora, a névoa começou a se mover de forma peculiar, como se tivesse vida própria. O ar dentro da cabana esfriou subitamente, e uma presença poderosa se fez sentir. A porta da cabana, que estava fechada, se abriu lentamente, sem um som sequer, revelando a figura imponente de uma mulher envolta em longas vestes brancas e ondulantes, que pareciam feitas da própria névoa.
Seus olhos, de um vermelho escarlate intenso, contrastavam com a suavidade de sua aparência. Eles brilhavam como brasas, irradiando um poder imensurável e uma sabedoria profunda. Era a Deusa da Névoa, uma entidade cujas lendas eram sussurradas em temor e reverência.
Moon, ao perceber a presença, virou-se de imediato, sentindo o poder esmagador da deusa. O instinto de sobrevivência a fez abaixar a cabeça e ajoelhar-se, sem ousar encarar diretamente aqueles olhos rubros que pareciam penetrar sua alma.
A Deusa da Névoa entrou na cabana, flutuando suavemente sobre o chão. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo sussurro de sua voz melódica que preenchia o ambiente.
“Levante-se, criança,” ordenou a Deusa, com um tom suave, mas que não deixava espaço para questionamentos. “Não tenha medo. Estou aqui para avaliar.”
Moon se levantou lentamente, mantendo os olhos baixos, sem ousar olhar diretamente para a deusa novamente.
A Deusa observou Moon com interesse. Estendeu uma mão delicada, e uma névoa fina começou a emanar de seus dedos, envolvendo a jovem e seus irmãos adormecidos. Era uma técnica antiga, um poder divino que permitia à Deusa da Névoa examinar os talentos e habilidades daqueles em seu domínio.
Os olhos escarlates da deusa brilharam intensamente enquanto ela usava sua habilidade. Primeiro, ela analisou Sans, o bebê reencarnado que já possuía um potencial incrível, apesar de sua condição atual. O talento de Sans com runas e sua capacidade latente de manipular habilidades era incomum e poderoso. Embora sua força ainda estivesse adormecida, havia algo em sua alma que a intrigava profundamente.
Em seguida, a Deusa voltou sua atenção para Nick, a irmã gêmea de Sans. O talento recém-adquirido de Nick para a esgrima e aura a impressionou. Mesmo tão jovem, ela já possuía o potencial para se tornar uma guerreira de elite, uma que poderia rivalizar com os maiores espadachins das lendas.
Por fim, a Deusa se concentrou em Moon. Foi aqui que ela encontrou algo verdadeiramente extraordinário. O talento de Moon para o maná e, mais importante, para as runas mágicas, era simplesmente descomunal. A aptidão natural de Moon para manipular a névoa e as ilusões era algo que raramente se via, mesmo entre seres que passaram milênios aperfeiçoando tais habilidades.
A Deusa recolheu sua névoa e permaneceu em silêncio por um momento, refletindo sobre o que havia descoberto. Havia poder ali, mas também um risco. Estes três possuíam um potencial que, se não controlado, poderia representar uma ameaça. Mas, ao mesmo tempo, moldados da maneira certa, poderiam se tornar aliados inestimáveis.
“Interessante,” murmurou a Deusa, quase para si mesma, antes de voltar a falar com Moon. “Você e seus irmãos possuem talentos notáveis. No entanto, com grande poder vem grande responsabilidade. E alguns poderes, se não forem bem guiados, podem se tornar um risco.”
Moon engoliu em seco, seu coração batendo forte no peito. “Minha senhora, prometo que nunca seremos uma ameaça para vossa divindade,” respondeu, tentando manter a calma na voz.
A Deusa inclinou levemente a cabeça, um leve sorriso enigmático curvando seus lábios. “Talvez. Mas preciso garantir que vocês realmente não serão um risco para este mundo… ou para mim.” Ela pausou, observando a reação de Moon. “Portanto, decidi que ficarei aqui por um tempo. Observarei você e seus irmãos de perto, para avaliar se são uma ameaça... ou talvez, algo mais.”
Moon ficou surpresa, mas compreendeu que não havia como recusar a presença da deusa. Ainda assim, o tom de ameaça velada nas palavras da Deusa da Névoa não passou despercebido. Ela sabia que teria que provar o valor e a inocência dela e de seus irmãos.
“Sim, minha senhora,” respondeu Moon, abaixando a cabeça novamente em sinal de respeito. “Estamos à sua disposição.”
A Deusa deu um passo em direção à janela, observando a névoa que parecia pulsar ao ritmo de sua vontade. “Amanhã começaremos o seu treinamento, Moon,” disse ela suavemente. “Seus irmãos estarão sob minha proteção enquanto estiverem sob meu domínio. Seja forte, garota, e não me desaponte.”
E com essas palavras, a Deusa da Névoa desapareceu, dissipando-se na névoa lá fora, deixando a cabana em um silêncio ainda mais profundo.
Moon permaneceu onde estava, tentando absorver tudo o que havia acontecido. Olhou para seus irmãos adormecidos, agora sob a proteção de uma deusa, mas também sob sua vigilância implacável. Com um suspiro, Moon se preparou mentalmente para o dia seguinte. O futuro era incerto, mas uma coisa era clara: a vida dela e de seus irmãos nunca mais seria a mesma.
