Capítulo 61: O Despertar da Santa da Cura
Sans e o Coelho Dourado, gravemente feridos após as intensas batalhas, caminharam mancando até uma câmara isolada onde seus corações se apertaram com a visão. Arthuria e Nick, as duas figuras mais queridas por eles, estavam desacordadas no chão, cobertas de sangue e ferimentos profundos. O desespero tomou conta de seus olhos, mas eles estavam tão esgotados que mal conseguiam reagir. Seus próprios corpos estavam à beira do colapso.
Sans, lutando contra a dor, ajoelhou-se ao lado de Nick, enquanto o Coelho Dourado se aproximava de Arthuria. Havia uma urgência no ar, mas suas forças estavam completamente drenadas. A cena de desolação ao redor parecia tirada de um pesadelo - corpos por toda parte, o chão ensanguentado, e a aura de morte preenchendo o ambiente. O peso da culpa e do fracasso pesava em seus ombros.
Mas, antes que pudessem fazer qualquer coisa para ajudá-las, uma sombra monstruosa começou a se formar na câmara. Ela crescia, expandindo-se em cinco formas distintas, como montanhas colossais. Sans reconheceu instantaneamente o poder: eram as Montanhas de Sans, uma manifestação de seu próprio poder, mas algo estava errado. Elas pareciam vivas, distorcidas e dominadas por uma força que ele não compreendia.
O Coelho Dourado, ainda de joelhos, tentou levantar-se, mas seu corpo não obedeceu. Seus músculos tremiam, e a exaustão finalmente o venceu. Ele olhou para Sans, que estava em um estado semelhante.
- Nós não podemos... cair agora... - Sans murmurou, mas antes que pudesse resistir, seu corpo também cedeu.
A sombra das cinco montanhas cobriu os dois heróis, e naquele instante, tanto Sans quanto o Coelho Dourado desmaiaram, caindo inertes ao lado de Arthuria e Nick.
Longe dali, no Reino de Sans, Toga e Nika perceberam que algo terrível havia acontecido. O ar estava pesado com uma sensação de perigo iminente. As duas desceram rapidamente até o campo de batalha, e a visão que tiveram ao chegar foi devastadora. Sans, Arthuria, Nick e o Coelho Dourado estavam todos caídos, cobertos de sangue e ferimentos. O campo de batalha era uma visão infernal, com corpos espalhados por todos os lados, e o som do vento cortante carregava o cheiro da morte.
Toga, mantendo a calma, olhou para Nika, que estava à beira do pânico.
- Precisamos tirá-los daqui, agora - disse Toga, sua voz firme, mas preocupada.
Nika assentiu rapidamente, embora ainda estivesse atônita com a gravidade da situação. As duas carregaram Sans, Arthuria, Nick e o Coelho Dourado com todo o cuidado possível, seus corpos estavam frágeis e à beira da morte. Decidiram levá-los para o coração do Reino de Sans, onde uma recém-criada figura aguardava - alguém capaz de salvá-los.
Yamato, a Santa da Cura, aguardava em silêncio dentro da Montanha de Sans. Ela era uma jovem de aparência calma e serena, com cabelos brancos, olhos azuis como o céu, e um único chifre branco saindo do lado direito de sua cabeça. Seu kimono branco estava amarrado por uma faixa azul, e sua presença exalava uma aura de paz e serenidade, mas também de imenso poder. Criada por Sans para ser uma curadora de elite, Yamato pertencia à raça Minu, que Sans havia desenvolvido após perceber a desvantagem de não ter um curador poderoso em seu exército.
As escamas de zintrium branco e vermelho que cobriam partes de seu corpo brilhavam suavemente, um sinal de sua linhagem única e de seus poderes de cura extraordinários. Yamato tinha o título de Santa da Cura, e era conhecida por sua habilidade de curar até mesmo os ferimentos mais graves. Ela havia sido convocada especificamente para momentos como este, onde a vida dos mais importantes estava em perigo.
Quando Toga e Nika chegaram com os corpos ensanguentados, Yamato imediatamente avaliou a situação com olhos clínicos. Ela colocou a mão sobre o peito de Sans e Arthuria, seus dedos tremendo ao sentir o quão graves eram os ferimentos.
- Eles estão à beira da morte... Se continuarem perdendo sangue, não sobreviverão - Yamato disse com uma calma controlada, mas sua expressão traía a seriedade da situação. - Leve-os para a sala de emergência imediatamente.
Sem hesitar, Toga e Rukia, que havia se juntado a elas, obedeceram e levaram os corpos de Sans e Arthuria para a sala de emergência. Enquanto isso, Yamato colocou suas mãos sobre o Coelho Dourado e Nick, usando suas habilidades mágicas para estabilizar seus ferimentos e parar o sangramento. A energia de cura azul-clara que emanava de suas mãos fluía com precisão, selando os cortes mais profundos e revitalizando os corpos exaustos.
Depois de garantir que Nick e o Coelho Dourado estavam fora de perigo imediato, Yamato correu para a sala de emergência, onde Sans e Arthuria estavam em estado crítico. As luzes mágicas na sala de cura pulsavam enquanto ela trabalhava sem descanso. A tensão era palpável enquanto os minutos se transformavam em horas. Cada segundo parecia uma eternidade, mas Yamato não permitiu que o medo ou a pressão a paralisassem.
Suas mãos se moviam com velocidade e precisão, enquanto usava toda a sua energia e conhecimento para salvar os dois. Feitiços de cura antigos eram sussurrados enquanto símbolos mágicos brilhavam ao redor do corpo de Sans e Arthuria. Ela trabalhava incansavelmente, determinada a não deixar que eles sucumbissem à morte.
Finalmente, após três longas horas de procedimentos exaustivos, Yamato deu um suspiro profundo. Ela olhou para os corpos de Sans e Arthuria, agora estáveis, embora ainda muito fracos. Eles haviam sido salvos da beira da morte.
- Consegui... - Yamato murmurou, caindo de joelhos, exausta, mas aliviada.
Toga e Rukia, que haviam observado todo o processo de perto, sentiram o alívio lavar sobre elas. A batalha ainda não estava terminada, mas pelo menos, por enquanto, Sans e Arthuria estavam vivos. A guerra poderia esperar mais um pouco.
Yamato, mesmo exausta, olhou para os corpos feridos e prometeu a si mesma que, enquanto ela estivesse lá, ninguém mais perderia a vida. A batalha havia sido brutal, mas agora, eles tinham uma chance de lutar outro dia.
