Capítulo 62: O Despertar das Cinco Montanhas
O Reino de Sans estava silencioso, quase em um estado de suspensão enquanto seus maiores guerreiros se recuperavam das feridas devastadoras da última batalha. O ambiente estava carregado de tensão, e o ar parecia denso com o peso das preocupações não ditas. O impacto da última luta contra os deuses havia deixado todos em alerta, esperando pela próxima ameaça iminente.
Dentro da Montanha de Sans, a câmara onde os corpos de Sans, Arthuria, Nick e o Coelho Dourado descansavam estava imersa em uma aura sutil de cura, emanada por Yamato e seus feitiços de restauração. As feridas mais graves de Sans e Arthuria haviam sido estabilizadas, mas seus corpos ainda estavam fracos, com cicatrizes profundas tanto físicas quanto espirituais.
Toga e Rukia observavam em silêncio, seus olhos carregados de preocupação e cansaço, enquanto Yamato terminava de ajustar os últimos símbolos mágicos ao redor de seus corpos. A câmara estava iluminada por uma luz suave, quase etérea, enquanto as magias de cura continuavam a trabalhar.
— Eles estão estáveis, mas ainda levará tempo para que se recuperem completamente — Yamato disse, sua voz baixa, mas firme.
Nika, que estava encostada contra a parede, tentava esconder o medo em seus olhos. Ela ainda era jovem e inexperiente, e ver aqueles que ela admirava caídos de maneira tão terrível a deixou abalada. Toga notou seu desconforto e caminhou até ela.
— Eles vão ficar bem, Nika — Toga disse suavemente. — Yamato é a melhor curandeira que temos, e Sans... Ele não é do tipo que se deixa derrotar tão facilmente.
Nika assentiu, mas seu coração ainda estava pesado. Ela sabia que a luta estava longe de acabar, e o peso de seu próprio treinamento, e do que viria pela frente, parecia esmagador.
De repente, uma vibração estranha começou a percorrer o chão da montanha. Um sussurro de poder se espalhou pelo ambiente, como um eco distante de algo muito maior. Todos na câmara olharam em alerta, seus sentidos imediatamente aguçados. A vibração aumentou, e o som de algo profundo e antigo começou a emergir, como se o próprio reino estivesse despertando.
— O que está acontecendo? — perguntou Rukia, erguendo uma sobrancelha enquanto se preparava para qualquer ameaça.
Yamato franziu a testa, sentindo algo estranho no ar. Ela se virou rapidamente para olhar os corpos de Sans e Arthuria, e foi então que percebeu.
As Cinco Montanhas de Sans, que eram uma manifestação física do imenso poder de Sans, estavam começando a reagir. Essas montanhas, criadas a partir de sua energia espiritual e poder bruto, não eram apenas formações rochosas – elas eram partes de sua alma, conectadas a ele de maneira profunda e intrínseca. Quando Sans estava em perigo ou em uma situação de extrema tensão, as montanhas reagiam, liberando seu poder de maneira devastadora.
— As montanhas... estão despertando — Yamato murmurou, com os olhos arregalados.
As cinco montanhas, vistas de fora, começaram a brilhar com uma luz dourada intensa. Os habitantes do Reino de Sans olhavam para o fenômeno com admiração e medo. As montanhas, que normalmente eram símbolos de estabilidade e força, agora estavam ativas, vibrando com uma energia que parecia pulsar com a própria essência de Sans.
Toga, que havia testemunhado o poder das montanhas antes, sabia que isso significava algo muito sério. Ela olhou para Yamato, esperando uma explicação, mas até a Santa da Cura parecia incerta sobre o que estava prestes a acontecer.
Dentro da câmara, o corpo de Sans começou a se mover levemente, como se estivesse reagindo ao despertar de suas próprias criações. A luz dourada das montanhas começou a inundar o ambiente, e uma pressão esmagadora encheu o ar.
— Não pode ser... — Rukia sussurrou, sentindo o poder avassalador que se aproximava.
E então, em um único momento, os olhos de Sans se abriram.
Seus olhos, normalmente calmos e calculados, agora brilhavam com uma intensidade que todos ali nunca haviam visto antes. Ele se levantou lentamente, apesar de suas feridas, e parecia que a energia das montanhas estava fluindo diretamente para seu corpo, restaurando suas forças de maneira inacreditável.
— Sans! — Toga exclamou, aliviada ao vê-lo acordar, mas ao mesmo tempo cautelosa com o poder que emanava dele.
Sans olhou ao redor, seus olhos se fixando brevemente em cada um na sala antes de se concentrar no corpo de Arthuria, ainda desacordada ao seu lado. A expressão de Sans suavizou por um momento, mas logo se enrijeceu novamente, uma determinação implacável tomando conta dele.
— Eu sinto o que está vindo... — ele murmurou, sua voz baixa, mas carregada de gravidade.
Todos na sala sabiam do que ele falava. Havia algo mais chegando. Uma ameaça ainda maior do que os deuses que haviam enfrentado antes.
O Coelho Dourado, que estava deitado ao lado de Nick, também começou a reagir ao despertar de Sans. Seu corpo se mexeu levemente, mas ele ainda estava muito ferido para se levantar completamente. No entanto, a conexão entre os dois era inegável – o poder que fluía pelas montanhas parecia estar tocando tanto Sans quanto o Coelho Dourado, ligando suas energias de uma maneira que poucos compreendiam.
— Precisamos nos preparar — disse Sans, virando-se para Toga e Rukia. — Há algo grande se aproximando, algo que vai exigir tudo o que temos.
Yamato se aproximou dele, com os olhos cheios de preocupação.
— Você ainda não está completamente curado. Não pode lutar nesse estado.
Sans olhou para ela por um momento, e então um pequeno sorriso curvou seus lábios.
— Não se preocupe, Yamato. Eu ainda tenho força suficiente para o que vem a seguir.
Ele se levantou completamente, sua postura firme e imponente, e todos na sala sentiram a mudança na atmosfera. Sans, apesar de tudo, estava pronto para enfrentar o que viesse. E com as montanhas despertas, seu poder estava no auge.
A guerra ainda não havia terminado, e Sans sabia que o próximo confronto seria o maior de todos.
