Capítulo 30: Um Lar e Uma Nova Voz
Após a exaustiva criação de A-1 e os sucessos do dia anterior, Sans começou a perceber o quanto era desconfortável dormir no chão. Ele havia passado por muitas mudanças, e seu corpo, mesmo adaptado às duras condições, ansiava por um pouco mais de conforto. Ele se levantou, observando a paisagem ao seu redor, e teve uma ideia.
"Eu deveria criar um lugar para chamar de lar," Sans murmurou para si mesmo. Ele decidiu que construiria uma cabana, semelhante àquela em que havia crescido neste mundo. Com isso em mente, Sans fechou os olhos e se concentrou, lembrando de cada detalhe da antiga cabana, desde as tábuas de madeira rústica até a lareira acolhedora no centro.
Usando o poder de sua linhagem recém-despertada, ele começou a materializar a cabana a partir de sua mente. Em questão de minutos, uma estrutura surgiu diante dele: uma cabana simples, mas aconchegante, com paredes de madeira, um telhado de palha e uma pequena chaminé. Sans abriu a porta e entrou, sentindo-se imediatamente confortável no espaço que havia criado.
"Isso vai servir perfeitamente," ele pensou em voz alta, dando uma volta pelo interior. Ele percebeu que não havia apenas criado a cabana, mas que todos os móveis e utensílios que lembrava também estavam lá. Tudo estava exatamente como ele havia imaginado.
Com um lugar para se abrigar, Sans decidiu que era hora de preparar algo para comer. Ele se dirigiu à pequena cozinha da cabana e começou a criar ingredientes. Farinha, ovos, leite, frutas frescas — tudo o que precisava para preparar um café da manhã como os que lembrava de sua infância.
Enquanto cozinhava, Sans pensou em A-1. Mesmo que sua criação não precisasse de comida para sobreviver, Sans queria que ele tivesse a experiência de uma refeição. Afinal, comer não era apenas sobre sustento; era um momento de prazer, de conexão.
Quando tudo estava pronto, Sans montou a mesa, que logo se encheu de pratos fumegantes e apetitosos. Ele foi até a porta da cabana e chamou por A-1, que estava treinando a uma certa distância. "Ei, A-1! Venha, a comida está pronta!"
A-1 olhou para ele de longe, acenando com a mão e sorrindo. Ele parecia genuinamente feliz por ser convidado a se juntar à refeição. Era uma expressão rara, mas sincera. A-1 caminhou até a cabana e se sentou à mesa com Sans.
Enquanto comiam, Sans observava A-1 experimentar a comida. O golem, embora não precisasse se alimentar, parecia desfrutar do sabor dos pratos que Sans havia preparado. Era um comportamento curioso, mas que mostrava o quão bem Sans havia feito seu trabalho ao criar A-1.
No meio da refeição, A-1, pela primeira vez, falou: "A comida está muito boa, mestre."
Sans ficou surpreso, quase engasgando com a própria comida. Ele nunca havia ouvido A-1 falar antes. "Você... você falou!" exclamou Sans, olhando para sua criação com um misto de surpresa e curiosidade.
A-1 assentiu calmamente, como se não houvesse nada de estranho em sua fala. "Desde minha criação, eu sempre soube ler, escrever e falar, mestre. Mas como você nunca me deu permissão para falar, achei que não deveria fazer isso."
Sans piscou, absorvendo o que A-1 acabara de dizer. Ele não sabia se ria ou se ficava preocupado com a lealdade quase cega de A-1. Antes que A-1 pudesse continuar e se desculpar por ter falado sem permissão, Sans estendeu a mão e deu um leve peteleco na testa de A-1, rindo.
"Você não precisa pedir permissão para falar, A-1," Sans disse, sorrindo. "Você pode falar comigo sempre que quiser. Afinal, você é minha criação, mas isso não significa que você não tenha sua própria voz."
A-1 pareceu aliviado e, pela primeira vez, um brilho de algo que poderia ser descrito como emoção atravessou seu olhar. "Obrigado, mestre. Vou fazer o meu melhor para conversar mais."
Sans acenou, satisfeito. "E pare de me chamar de mestre. Me chame de Sans."
"Sim, San... Sans," respondeu A-1, um pouco hesitante, mas sorrindo.
A conexão entre criador e criação havia se fortalecido naquele momento. Não era mais uma relação unilateral; A-1 começava a expressar sua própria personalidade, mesmo que de forma sutil. Sans percebeu que, apesar de ter criado A-1 para ser leal e obediente, ele também queria que sua criação tivesse autonomia, que pudesse pensar por si mesmo e até questionar, se necessário.
Depois do café da manhã, eles passaram o dia juntos, treinando e explorando as novas habilidades de A-1. Sans continuava impressionado com a rapidez com que A-1 aprendia e se adaptava. Com o tempo, ele sabia que A-1 se tornaria um aliado formidável.
Quando o sol começou a se pôr, Sans e A-1 voltaram para a cabana. Eles haviam estabelecido uma rotina e, embora estivessem apenas começando a entender o que o futuro lhes reservava, ambos sentiam que estavam prontos para enfrentar qualquer desafio.
Enquanto Sans se deitava em sua nova cama, ele olhou para o teto de madeira e sorriu. "Talvez esse mundo não seja tão ruim assim," ele pensou. Ele tinha uma casa, um aliado e um poder que ainda estava aprendendo a controlar. O futuro era incerto, mas, com A-1 ao seu lado, Sans sentia que poderia enfrentar qualquer coisa que viesse.
E com isso, ele fechou os olhos e caiu em um sono profundo e tranquilo, mais uma vez pronto para as aventuras que o aguardavam no novo dia.
