Capítulo 68

6 2 0
                                        

Capítulo 68: A Chegada do Coelho Dourado

O Santuário do Sol estava mergulhado em um silêncio pesado, onde o som das respirações tensas e os feixes de magia de cura eram as únicas coisas que rompiam a quietude. Todos os que podiam ajudar estavam presentes, mas as esperanças de que Sans sobrevivesse diminuíam com o passar do tempo.

Moon chorava incessantemente, seus olhos fixos no corpo de seu irmão, enquanto Astrid, ao lado dela, permanecia em silêncio, de olhos fechados, incapaz de suportar a visão do jovem guerreiro à beira da morte. Ashura e Kilua estavam visivelmente perturbados, fazendo tudo ao seu alcance para manter o controle enquanto o corpo de Sans permanecia inerte, apesar dos esforços mágicos de Kimi e das outras curandeiras.

Foi nesse momento que o ar ao redor do Santuário pareceu vibrar, como se a própria realidade estivesse sendo distorcida. Todos sentiram uma presença esmagadora, algo antigo e poderoso, se aproximando. Então, em um piscar de olhos, uma figura apareceu diante de todos, como se tivesse se teletransportado do nada.

O Coelho Dourado.

Ele estava em sua forma humana, a máscara dourada ainda escondendo seu rosto, mas sua aura brilhava com uma intensidade impossível de ignorar. Todos ficaram estáticos, observando o ser que emanava tanto poder. Seu aparecimento foi tão repentino que até mesmo Apolo, que era o governante do Santuário, ficou sem palavras.

O Coelho Dourado não disse nada de imediato. Seus olhos, invisíveis por trás da máscara, pousaram no corpo de Sans. Sem hesitar, ele se aproximou, enquanto todos ao redor assistiam com um misto de esperança e apreensão.

Moon, soluçando, deu um passo à frente, sua voz fraca e trêmula.

— Por favor... se você puder... salve meu irmão...

O Coelho Dourado não respondeu. Ele se ajoelhou ao lado de Sans, estendendo a mão sobre o corpo gravemente ferido do jovem guerreiro. Um brilho dourado começou a emanar de seus dedos, espalhando-se pelo corpo de Sans, cobrindo suas feridas e preenchendo cada lacuna com uma energia radiante.

A tensão no ar era palpável, enquanto todos observavam em completo silêncio. A magia que emanava do Coelho Dourado era algo que poucos ali já haviam presenciado. Era pura, antiga, e carregava uma força quase divina.

As feridas de Sans começaram a se fechar, os buracos em seu corpo desaparecendo um por um. O buraco massivo em seu peito começou a ser preenchido pela energia dourada, até que, finalmente, a última marca de sua terrível batalha havia sido apagada.

Por um breve momento, a esperança brilhou nos olhos de todos.

Mas então, algo inesperado aconteceu.

De repente, uma única lágrima escorreu por baixo da máscara do Coelho Dourado, caindo no chão em silêncio. Ele, que até então parecia inabalável, ficou imóvel, como se algo dentro dele tivesse quebrado.

— Ele está morto. — Sua voz soou baixa, rouca, cheia de um peso que ninguém esperava.

O impacto dessas palavras foi devastador. A esperança que todos sentiam se desfez instantaneamente, como vidro se estilhaçando em mil pedaços. Moon soltou um grito angustiado, caindo de joelhos ao lado de seu irmão, seu corpo sacudindo em meio a soluços descontrolados.

— Não... não pode ser... — sussurrou Kilua, incapaz de aceitar a realidade. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e ela se aproximou de Sans, tentando processar o que acabara de ouvir.

Ashura fechou os punhos com força, sua frustração e dor evidentes. Ele olhou para o corpo de Sans, incapaz de entender como tudo havia acabado assim, apesar de todos os esforços.

— Mas... — começou Apolo, tentando encontrar palavras, mas o choque o impediu de continuar.

O Coelho Dourado ficou de pé, sua figura imponente, mas silenciosa, enquanto todos ao redor estavam mergulhados em incredulidade e dor. Ele não disse mais nada. Com um simples movimento, ele desapareceu da mesma maneira que havia chegado, teletransportando-se de volta para seu reino, deixando para trás um vazio opressivo.

O silêncio que se seguiu foi insuportável.

Moon soluçava descontroladamente ao lado de Sans, enquanto Astrid e Kilua, mesmo em estado de choque, tentavam processar o que acabara de acontecer. Apolo e Kimi estavam paralisados, o peso da perda esmagando a todos. A dor que enchia o Santuário era tão palpável que parecia envolver cada pedra, cada alma presente.

O Coelho Dourado, apesar de todo o seu poder, não conseguiu salvar Sans.

Acima dos Deuses Histórias para pegar e não largar. Descubra agora