A mesa de jantar estava repleta de pratos variados, a luz suave das velas refletindo nos rostos dos wolfkins enquanto se acomodavam em suas cadeiras. Rebeca se sentou entre Ellie e Marcus, que estava fazendo uma imitação exagerada de um dos vampiros que haviam enfrentado. O clima, embora descontraído, carregava uma tensão subjacente, um eco do conflito recente que ainda pairava no ar.
Viktor, sentado na cabeceira da mesa, observava atentamente seus companheiros. Seus olhos, profundos e escuros como a noite, pareciam analisar cada um deles, capturando a essência de suas emoções. Com um gesto sutil, ele pediu silêncio, e a conversa cessou, todos voltando sua atenção para ele.
- Sei que todos estão se divertindo - começou Viktor, sua voz firme e calma -, mas precisamos abordar o que aconteceu com os vampiros. O conflito sobre o território leste não é algo que podemos ignorar.
Rebeca sentiu um frio na barriga. As palavras de Viktor, embora ditas com suavidade, carregavam o peso da responsabilidade. Ela olhou para Ellie, que estava com uma expressão séria, seu sorriso anterior desaparecido. Ellie sempre foi a mais direta entre os wolfkins, e Rebeca sabia que a situação a incomodava.
- Eles não respeitaram nossos limites - interveio Ellie, sua voz elevada, refletindo a frustração acumulada. - Eu não entendo por que devemos ceder espaço a vampiros que só querem causar problemas.
Viktor a observou, seu olhar intenso, mas compreensivo.
- Concordo, Ellie. Não se trata apenas de território, mas de respeito. Precisamos estabelecer fronteiras claras, mas também precisamos agir com estratégia. Um confronto direto pode não ser a solução mais inteligente.
Petal, sentada ao lado de Viktor, lançou um olhar de cumplicidade para ele. Embora não houvesse a mesma intensidade de conexão que havia em outros momentos, ainda era evidente a confiança mútua entre eles.
- Talvez uma conversa não seja tão impossível quanto parece - comentou Petal, com uma leveza na voz. - Se pudermos apresentar nossas preocupações de forma civilizada, quem sabe possamos evitar mais confrontos.
Viktor sorriu levemente para a irmã, reconhecendo o apoio, mas se virou para Mei, que observava a dinâmica com um olhar curioso e provocador.
- E quanto a você, Mei? O que pensa sobre essa abordagem diplomática? - Viktor perguntou, sabendo que ela sempre tinha uma opinião a oferecer.
- Bem, se vocês esperam que os vampiros sejam racionais, talvez precisem de uma boa dose de esperança - respondeu Mei, seu tom sarcástico deixando claro que não tinha muita fé na ideia. - Mas quem sabe uma performance dramática não funcione? O que acha, Viktor? Uma encenação para impressionar?
Todos riram, quebrando um pouco da tensão. Viktor revirou os olhos, mas um sorriso ainda dançava em seus lábios. Ele sempre apreciou a provocação de Mei, mesmo que muitas vezes preferisse manter as coisas sérias.
- Não sei se uma encenação vai resolver a situação, mas vou considerar sua sugestão - disse Viktor, sua voz leve, mas ainda mantendo um tom de liderança.
Dante, que estava ao fundo da mesa, colocou a mão no queixo, pensativo.
- E se eles não aceitarem a conversa? Isso pode ser arriscado, Viktor.
- Então estaremos prontos - respondeu Viktor com firmeza. - Mas quero acreditar que eles preferem evitar uma guerra. Ninguém sai ganhando com isso.
A atmosfera na mesa mudou, os wolfkins se olhando, avaliando a proposta de Viktor. Rebeca sentia a tensão, mas também a esperança que suas palavras traziam. Era evidente que ele era um líder natural, alguém que inspirava confiança mesmo nas situações mais complicadas.
Ellie quebrou o silêncio.
- Eu confio em você, Viktor. Você sempre busca o melhor para nós.
Rebeca observou a interação entre os wolfkins, notando como a relação deles com Viktor era forte. Havia um respeito profundo, uma lealdade que ela ainda estava se esforçando para entender completamente.
- E quanto a nós? - perguntou Mei, seus olhos fixos em Viktor. - O que devemos fazer enquanto você estiver fora?
- Precisamos nos manter unidos - respondeu Viktor. - Treinar e fortalecer nossas defesas. Não podemos nos dar ao luxo de relaxar. Mas enquanto isso, cuidem uns dos outros. Essa é a nossa força.
Mei se recostou na cadeira, brincando com um fio de cabelo, um sorriso provocativo no rosto.
- Estou começando a gostar de você, Viktor. Você pode ser bem sensato às vezes - disse, sua voz quase um sussurro.
Viktor sorriu, mas sabia que essa provocação era apenas um reflexo da amizade deles. Ele apreciava a leveza que Mei trazia, mesmo que às vezes ela fosse inflexível e direta.
A conversa continuou, e Rebeca se sentiu cada vez mais integrada ao grupo, observando as interações e a amizade que crescia entre Viktor e Mei. A química entre os dois era inegável, e Rebeca não pôde deixar de sentir uma pitada de admiração pela forma como eles se desafiavam.
Conforme o jantar prosseguia, Rebeca olhou para Ellie, que estava mais relaxada, conversando e rindo com os outros wolfkins. A cada palavra, a cada risada, ela via como as relações se fortaleciam, como cada um contribuía para a união do clã. Através de Viktor, o vínculo deles se tornava ainda mais evidente, e Rebeca se sentia cada vez mais em casa.
- Estarei aqui para ajudar com o que precisar, Viktor - disse Rebeca, sua voz firme. - Eu também quero fazer parte disso.
Viktor olhou para ela, um sorriso de aprovação se formando em seus lábios.
- Agradeço, Rebeca.
Com isso, o jantar continuou, uma mistura de risadas, conversas e planos para o futuro.
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Marked by Shadow
FantasiApós ouvir rumores sobre um bar misterioso onde as sombras da sociedade se reúnem, a destemida jornalista Rebeca segue sua curiosidade até o coração do French Quarter, em Nova Orleans. Lá, ela cruza o caminho de Viktor, um vampiro enigmático com uma...
