O sol do meio-dia atravessava as amplas janelas da cozinha, iluminando o ambiente e aquecendo o ar frio da mansão. Rebeca entrou no cômodo, ainda sentindo os músculos tensos do treino intenso daquela manhã. A mesa estava pronta, mas, para sua surpresa, apenas Mei estava lá, sentada com a postura impecável e o olhar afiado como de costume.
Mei ergueu os olhos ao vê-la entrar e, embora mantivesse a expressão impassível, Rebeca captou um brilho levemente provocador em seu olhar.
– Só nós? – perguntou Rebeca, hesitante, enquanto se sentava.
Antes que Mei respondesse, Jinn e Ellie entraram juntos, trazendo consigo o aroma de grama e terra que haviam trazido do treino matinal. Jinn ocupou a cadeira ao lado de Mei, enquanto Ellie se acomodou do outro lado da mesa, deixando Rebeca entre ela e Mei.
– O resto está ocupado com outras… tarefas – explicou Mei, com um sorriso de canto. – Viktor e Dante foram resolver a questão das patrulhas no território sul. Marcus decidiu fazer uma ronda no bosque e Finn está testando novas estratégias de defesa.
Rebeca assentiu, grata pela explicação, mas ainda se sentia um pouco deslocada. Mei parecia observar cada gesto seu, os olhos claros acompanhando-a com um olhar que, mesmo contido, a deixava desconfortável. Ellie, percebendo o clima, decidiu quebrar o silêncio.
– Bem, é uma boa chance de nós quatro almoçarmos juntos – disse ela, tentando soar animada. – E você, Mei? Tem alguma novidade que possa dividir com a gente?
Mei deu um sorriso de canto, como se considerasse a pergunta de Ellie uma leve provocação.
– Ah, além de lidar com os problemas que os de sua espécie atraem? – respondeu Mei, olhando de relance para Rebeca, mas com um toque sutil de humor.
Jinn deu uma risada, claramente aproveitando a interação.
– Vamos lá, Mei – disse ele, dando um leve empurrão em seu ombro. – A Rebeca está se esforçando bastante. Tem que admitir que ela não é como os outros humanos.
Mei olhou para ele, arqueando uma sobrancelha.
– Será? Ela ainda precisa provar muita coisa – respondeu, seu tom levemente desafiador. – E ser “diferente” pode significar muitas coisas.
Ellie, decidida a não deixar a conversa tomar um rumo tenso, inclinou-se um pouco na direção de Mei, adotando um tom quase conspiratório.
– Vamos, Mei. Admita, já deu pra perceber que ela está aqui para ficar. Além do mais, aposto que até você consegue ver que ela está tentando.
Rebeca desviou o olhar, tentando não parecer ansiosa demais, enquanto Mei parecia ponderar as palavras de Ellie. Jinn então se juntou ao esforço, usando seu humor característico.
– Eu diria que temos espaço para uma humana no grupo, não? – Jinn olhou para Mei com um sorriso despretensioso, e continuou: – De qualquer forma, você já tolera a presença da Petal, e ela é, bom… única.
Mei estreitou os olhos em um sorriso afiado, rebatendo o comentário de Jinn.
– A Petal é diferente. Ela se provou de várias maneiras. – Seus olhos recaíram novamente sobre Rebeca, com uma mistura de desconfiança e curiosidade. – Quanto a ela, vamos ver.
Ellie trocou um olhar cúmplice com Rebeca, claramente se divertindo com o jeito difícil de Mei. Em meio ao clima leve, ela percebeu a oportunidade de trazer Rebeca mais para o grupo.
– Mas Rebeca já deu provas de que é dedicada – disse Ellie. – E tem outra coisa, Mei. Viktor não a marcaria sem um motivo forte.
Esse comentário pareceu atingir um ponto sensível, e Rebeca percebeu um sutil desconforto na expressão de Mei. Ela disfarçou rapidamente, mas foi o suficiente para que todos notassem.
– Claro – respondeu Mei, relutante. – Viktor não faria algo sem pensar… eu sei disso.
Jinn, percebendo a chance de aliviar ainda mais a tensão, mudou o rumo da conversa, trazendo um tom bem-humorado.
– Acho que estamos precisando de uma comemoração oficial para a Rebeca – sugeriu ele. – Algo que a inclua formalmente no grupo. Quem sabe um “batismo” Nightborne?
Rebeca deu uma risada, um pouco desconcertada, mas sentindo-se mais à vontade com o apoio de Jinn e Ellie. Mei soltou um suspiro, cruzando os braços e fingindo desdém.
– Se quiserem mesmo fazer isso, tudo bem – ela disse, num tom que era meio aceitação e meio provocação. – Mas não esperem que eu organize nada.
Ellie riu, dando uma piscadela para Rebeca. – Ah, Mei, sabia que você ia entender.
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Marked by Shadow
FantasiApós ouvir rumores sobre um bar misterioso onde as sombras da sociedade se reúnem, a destemida jornalista Rebeca segue sua curiosidade até o coração do French Quarter, em Nova Orleans. Lá, ela cruza o caminho de Viktor, um vampiro enigmático com uma...
