11-Sobrevivendo a nova vida: o manual do caos

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O sol nasceu lentamente, seus raios dourados filtrando-se pelas janelas do quarto de Rebeca, criando um espetáculo de luz e sombra. O canto dos pássaros preenchia o ar fresco da manhã, trazendo um novo dia repleto de possibilidades. Rebeca despertou, espreguiçando-se sob as cobertas, ainda um pouco atordoada com as lembranças da noite anterior. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios ao lembrar da conversa com Ellie e da promessa de novos começos.

Após se vestir, ela desceu as escadas, o aroma do café fresco e de pão tostado preenchendo o ambiente. A cozinha estava animada, com Mei e Petal conversando enquanto preparavam o café da manhã, e Marcus estava à mesa, concentrado em seu celular.

- Olá, dorminhoca! - exclamou Mei, com um brilho travesso nos olhos. - Você finalmente decidiu se juntar a nós? Ou estava esperando que a magia acordasse você?

Petal revirou os olhos, mas uma leve risada escapou de seus lábios.

- Deixe-a em paz, Mei. Todos precisam de descanso, especialmente alguém que está se adaptando a um novo mundo.

Rebeca sorriu para as duas, apreciando a dinâmica entre elas, mas não pôde deixar de sentir a leve tensão no ar.

- Bom dia! O que vocês estão aprontando?

- Café da manhã, claro! E depois vamos à sua antiga casa buscar suas coisas. Viktor teve que lidar com algumas questões de território esta manhã, então ele não poderá nos acompanhar, - explicou Petal, com uma expressão séria.

Marcus, sem tirar os olhos do celular, comentou:

- Ele e os outros wolfkins estão lidando com algumas rivalidades em território. Parece que os vampiros não estão felizes com algumas invasões.

- Como se ele fosse uma estrela de rock, sempre cercado de problemas, - brincou Mei, imitando uma pose exagerada. - Mas não se preocupe, nós estamos mais do que aptas para cuidar de você!

Rebeca riu, admirando a forma como Mei conseguia fazer piadas até nas situações mais tensas. Após o café da manhã, elas se prepararam para a viagem, e logo estavam a caminho da antiga casa de Rebeca. O carro era confortável, e enquanto Petal dirigia, Mei ocupava o espaço ao lado de Rebeca, mostrando-lhe o ambiente ao longo do caminho.

- Então, o que você está pensando sobre tudo isso? A mudança, o clã, a vida com... vampiros e wolfkins? - Mei perguntou, olhando de soslaio para Rebeca.

Rebeca hesitou por um momento, considerando sua resposta.

- É tudo muito novo. Eu nunca imaginei que estaria aqui, mas parece que tudo está se encaixando de alguma forma. - Ela olhou pela janela, observando a paisagem passar. - Embora eu sinta falta de casa.

- Ah, isso é normal. Você ainda tem suas raízes. - Mei sorriu, mas logo acrescentou: - Embora, para ser sincera, eu não estaria tão preocupada com isso. Seu lugar agora é aqui. Além do mais, Viktor deve estar curioso sobre você, já que você foi a razão de toda essa confusão.

- Eu... não sei o que pensar sobre isso - respondeu Rebeca, suas bochechas aquecendo ao mencionar o nome de Viktor.

Petal sorriu de canto, percebendo a mudança na expressão de Rebeca.

- É natural sentir-se assim. Ele é o líder do clã e é importante para todos nós. Mas não se preocupe. O que você precisa fazer agora é focar na sua segurança e no que vem a seguir.

Finalmente, chegaram à antiga casa de Rebeca. O edifício estava como ela o deixara, mas agora parecia estranhamente vazio e distante. Ao entrar, a nostalgia a atingiu com força, repleta de memórias. Ela se dirigiu para o seu quarto, onde havia deixado algumas de suas coisas, e começou a reunir seus pertences.

- Então, o que você vai levar? - perguntou Mei, mexendo em uma prateleira cheia de livros e fotografias.

- Eu preciso levar algumas roupas, meus livros e algumas coisas pessoais, - Rebeca respondeu, enquanto abria o armário e começava a tirar algumas peças.

Petal começou a ajudar, enquanto Mei continuava a fazer comentários sarcásticos sobre os itens que Rebeca escolhia.

- Sério, você vai levar essa blusa? Parece que foi feita nos anos 90! - Mei exclamou, segurando a blusa de forma teatral.

- O que tem de errado com isso? - Rebeca respondeu, rindo. - Eu gosto dela! E, além disso, estilo é relativo.

- Eu vou levar isso como um elogio, então, - disse Mei, piscando para Rebeca.

Enquanto Rebeca organizava suas coisas, algo em seu interior começou a se inquietar. Ela ainda não havia ligado para sua família. Assim que terminou de embalar tudo, sentiu um impulso incontrolável de contatá-los.

- Preciso fazer uma ligação rápida - anunciou Rebeca, pegando seu celular que estava em sua bolsa. - Só um momento.

Ela se afastou um pouco, encontrando um lugar tranquilo na sala de estar, e discou o número da casa de sua família. O telefone tocou várias vezes antes que sua mãe atendesse.

- Alô? - a voz de sua mãe soou do outro lado, com um toque de preocupação.

- Mãe! É a Rebeca! - ela disse, a ansiedade fazendo seu coração disparar.

- Oh, Rebeca! Você não atendeu o celular! Sua prima esteve ai ontem e ficou preocupada porque não havia ninguém em casa. O que está acontecendo? - A voz de sua mãe misturava alívio e confusão.

- Eu... não sabia que ela tinha passado. Estava ocupada. Eu meio que me mudei com uns amigos, o aluguel estava complicado - disse Rebeca, tentando soar casual.

- Mas onde você está querida? - perguntou sua mãe, a preocupação ainda visível em sua voz.

- Estou... em um lugar seguro, mãe. Estou com algumas pessoas que estão cuidando de mim. É uma longa história, mas estou bem. - Rebeca respirou fundo, tentando manter a calma.

- Uma longa história, certo? Você não pode simplesmente desaparecer assim! - A preocupação da mãe começou a aumentar novamente.

- Eu sei, mas tudo está diferente agora. Vou explicar tudo depois, eu prometo. Por enquanto, estou ocupada organizando algumas coisas. - Rebeca olhou para a mesa cheia de suas coisas, sentindo-se culpada por não poder revelar a verdade.

- Você me preocupa, querida. Mas tudo bem, desde que você esteja bem. - Sua mãe parecia um pouco mais tranquila, mas ainda relutante.

- Sim, mãe. Eu vou me cuidar, prometo. E quando tiver tudo resolvido, ligo de novo. - Ela tentava encerrar a conversa, mas a tensão ainda estava lá.

- Tá bom, Rebeca. Fico aguardando notícias suas. Cuide-se, por favor. - Sua mãe finalizou, ainda com um leve toque de preocupação na voz.

Rebeca desligou e olhou para Mei e Petal, que a esperavam. As expressões no rosto delas variavam de preocupação a curiosidade.

- Você está bem? - perguntou Petal, seu tom suave.

- Mais ou menos, - respondeu Rebeca, tentando segurar as lágrimas. - Minha mãe ficou um pouco preocupada porque não atendi o celular e ela não sabia onde eu estava.

- E o que você disse a ela? - Mei perguntou, com um olhar cético.

- Que estou me mudando com alguns amigos. Que estava com dificuldades com o aluguel. - Rebeca sentiu um frio na barriga ao pensar na mentira.

- Bem, se precisar de ajuda para organizar suas coisas, estou aqui, - Mei disse, sua voz carregando um tom sarcástico.

Rebeca revirou os olhos, mas não respondeu. Com um pouco de apoio e incentivo de Petal, ela começou a organizar suas coisas novamente.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora