29 - camas e conjurações

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No dia seguinte, o sol brilhava através das cortinas, preenchendo o quarto com uma luz suave que dançava nas paredes. O ambiente estava silencioso, exceto pelo leve som da respiração tranquila de Petal, que ainda repousava na cama, seus traços marcados pelo cansaço, mas com um leve toque de cor nas bochechas, sinal de que estava se recuperando.

Rebeca acordou primeiro, seus olhos pesados de sono, mas sua mente rapidamente se encheu de preocupações. Ao se levantar, ela notou que Viktor ainda estava dormindo em uma cadeira ao lado da cama, o rosto marcado pela fraqueza, mas sua expressão relaxada. Um leve sorriso se formou nos lábios de Rebeca ao vê-lo ali, tão dedicado a cuidar de Petal mesmo em seu estado debilitado.

Ajeitando-se em um canto do quarto, Rebeca decidiu preparar um pouco de chá. Ela se movia com cuidado, não querendo perturbar o sono dos amigos, enquanto lembrava da noite anterior, das tensões e das promessas silenciosas feitas no calor do momento.

Enquanto a água fervia, Mei apareceu na porta, seus cabelos bagunçados e uma expressão de cansaço no rosto. Ela se espreguiçou, tentando afastar os vestígios de sono.

— Alguma novidade? — perguntou Mei, sua voz sonolenta, mas com um toque de esperança.

— Petal ainda está dormindo, mas parece um pouco melhor. — Rebeca respondeu, fazendo uma pausa enquanto observava a amiga. — E Viktor também precisa descansar.

Mei se aproximou da cama, observando Petal com atenção. — Eu me preocupo muito com o que aconteceu. Aquela energia que ela usou foi intensa demais. Não sei como ela conseguiu se recuperar tão rapidamente.

— Ela é forte. — Rebeca disse, trazendo duas xícaras de chá e colocando uma ao lado de Mei. — Mas todos nós precisamos ser fortes agora. Isso é um esforço conjunto.

— Sim, uma equipe de cansaço e preocupação. — Mei respondeu com um sorriso cansado, pegando a xícara e apreciando o aroma reconfortante.

Rebeca observou enquanto Mei sussurrava algumas palavras em um tom quase imperceptível, um pequeno feitiço de proteção para Petal, envolvendo a cama da bruxa em uma aura de segurança.

— Você acha que ela vai se recuperar logo? — Mei perguntou, olhando novamente para Petal.

— Espero que sim. — Rebeca respondeu, preocupada. — Mas precisamos dar espaço para que ela faça isso.

— E quanto a Viktor? — Mei levantou a sobrancelha, lembrando-se da infecção por magia negra que ele ainda lutava contra.

Nesse momento, Viktor começou a se mover na cadeira, os olhos se abrindo lentamente, revelando um brilho de lucidez. Ele se espreguiçou, tentando se ajeitar, e logo notou as duas observando-o.

— Bom dia, seres talvez humanos. — Ele disse, tentando soar brincalhão, mas a fraqueza em sua voz entregava sua condição.

— Olha só, o vampiro ressuscitou. — Mei respondeu com um sorriso, aliviando um pouco a tensão no ar.

— O que aconteceu com a ação heroica de salvar o dia? — Viktor se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

Rebeca olhou para ele, seu coração apertando ao ver que ele ainda lutava. — Estávamos pensando em como você e Petal devem se recuperar. Sem mais heroísmo por um tempo, ok?

Viktor assentiu, mas a expressão em seu rosto mostrava que ele estava ansioso para se levantar e ajudar. — Se eu não fizer nada, vou acabar me sentindo inútil. E eu não suporto a ideia de vocês todos se preocupando tanto.

— Você não é inútil, Viktor. — Rebeca disse, um brilho de determinação em seus olhos. — Precisamos de você forte para a próxima vez.

Nesse momento, Petal começou a se mover, os olhos se abrindo lentamente. Um leve sorriso se formou em seu rosto ao ver os amigos ao seu redor.

— Olha quem decidiu acordar. — Mei brincou, aliviada.

— O que eu perdi? — Petal murmurou, tentando se sentar, mas Rebeca e Mei a ajudaram a se reclinar novamente.

— Você não perdeu nada, apenas alguns momentos de heroísmo em nosso favor. — Viktor respondeu, um sorriso fraco, mas genuíno, se formando em seus lábios.

— E não se esqueça que você me deve um pouco de energia. — Ele brincou, piscando para Petal. — Afinal, eu sou seu irmão mais velho. É meu trabalho te proteger, mesmo quando você se coloca em situações impossíveis.

Petal tentou rir, mas logo uma expressão de dor cruzou seu rosto. — Desculpe por ter sobrecarregado você, Viktor.

— Você sabe que pode contar comigo, Petal. — Viktor disse, sua voz mais suave, enquanto ele segurava a mão dela. — Estamos juntos nisso. Você é minha irmã, e eu não deixarei você enfrentar nada sozinha, nem mesmo suas próprias escolhas.

— Eu sei. — Petal respondeu, seus olhos brilhando com gratidão.

Mei observou a troca de olhares entre Viktor e Petal, sentindo a profundidade do vínculo que eles compartilhavam. Era uma relação de irmãos que transcendia qualquer obstáculo, e isso a deixou aliviada. Mesmo em momentos difíceis, havia uma força imensa naquela conexão.

— Vamos deixá-la descansar um pouco mais. — Viktor sugeriu, soltando a mão de Petal e se levantando com esforço. — E eu também preciso de um pouco de café. Como é que um vampiro pode estar tão cansado? Isso é humilhante.

Petal soltou uma risada suave, e a leveza na atmosfera ajudou a dissipar a tensão. — Vamos lá, se você fizer um bom café, prometo que não vou exigir que você cuide de mim por um tempo.

Viktor sorriu, um brilho nos olhos que mostrava a forte relação de apoio e carinho entre eles. — Feito. E não se preocupe, vou te trazer um pouco de açúcar, porque você sabe que é isso que você precisa.

Enquanto Viktor se afastava para preparar o café, Mei e Rebeca trocaram olhares cúmplices, feliz por tudo ter acabado bem.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora