A cafeteria era um refúgio calmo, isolado do frenesi da cidade, mas Ellie sabia que o que aconteceria ali dentro poderia mudar os rumos do conflito no território leste. O aroma do café recém-moído se misturava com o incenso e a leve fragrância das ervas secas que decoravam o ambiente. Ela estava sentada em uma mesa próxima à janela, seus olhos atentos à porta, esperando o momento em que Gaius, o vampiro velho e tradicionalista, chegaria.
Marcus, que também parecia tenso, observava a entrada com a mesma vigilância. Aquele encontro não seria fácil. Gaius era o tipo de vampiro que via qualquer forma de mudança como uma ameaça ao seu domínio e aos seus métodos de operar. Ele acreditava no controle absoluto e, mais do que isso, na preservação das tradições. Qualquer tentativa de negociação que desafiasse essa ordem seria descartada sem hesitação.
Finalmente, a porta se abriu com um rangido baixo e Gaius entrou. Seus cabelos grisalhos e olhos penetrantes eram a primeira coisa que chamavam atenção, mas sua postura, firme e cheia de autoridade, era o que realmente o definia. Gaius usava roupas simples, mas com um corte refinado, algo que demonstrava sua longevidade, mas sem precisar se exibir. Ele era um vampiro de séculos e seus gestos, cada movimento, refletiam essa experiência.
Marcus levantou-se rapidamente e fez um gesto para que Gaius se sentasse. Ellie, por outro lado, permaneceu quieta, observando o vampiro com uma mistura de desconfiança e determinação. Gaius olhou para eles com uma expressão cínica.
— Não me façam perder o meu tempo com esse jogo de esconderijos — disse Gaius, sentando-se com um suspiro. — O que querem de mim, Marcus? Sei que não estão aqui só para beber um café.
Marcus, que conhecia bem a postura de Gaius, respondeu de forma respeitosa, mas clara. — Viemos porque sabemos que você tem o controle do que realmente importa no território leste, Gaius. O que está em jogo é muito maior do que o que você pensa.
Gaius olhou para ele, claramente intrigado, mas sem dar o braço a torcer. — Eu tenho controle do que importa, sim. E não preciso de ninguém me dizendo o que já sei. Então, me digam logo: o que querem em troca de um pouco da minha preciosa atenção?
Ellie, que havia permanecido em silêncio até aquele momento, finalmente se inclinou para frente. Sabia que a conversa não podia ser apenas sobre alianças ou territórios. O que Gaius queria, acima de tudo, eram lucros. Nada mais.
— Gaius, sabemos que você não precisa de mais territórios, nem de mais poder. O que você precisa, e o que eu posso lhe oferecer, são lucros — disse Ellie, com a calma de quem já sabia a resposta. — Estamos falando de um negócio que vai aumentar seus ganhos de uma forma que você nunca imaginou. Sem precisar abrir mão de nada que você preza, sem perder o controle.
Gaius arqueou uma sobrancelha, interessado, mas não se entregando facilmente. — Lucros, você diz? Do que está falando, exatamente?
Ellie sorriu ligeiramente, vendo que ele havia murchado a resistência inicial. — O que oferecemos, Gaius, é uma oportunidade de expandir suas operações sem precisar se envolver diretamente. Estamos falando de acesso a novos mercados, novos recursos e, o mais importante, territórios controlados com altos retornos financeiros.
Marcus completou, dando um tom mais prático ao discurso. — Imagine: novos contratos, novos acordos de território que tragam não apenas poder, mas também uma fonte constante de renda. Uma rede de informações e recursos que você pode controlar sem precisar se sujar diretamente com as batalhas políticas e territoriais.
O olhar de Gaius se afiou. Ele gostava de informações, gostava de controle, e gostava ainda mais de lucrar com isso. Mas sua desconfiança estava visível, ainda havia resistência em seu olhar. Ele sabia que qualquer negócio com ele deveria ser feito de forma que garantisse o que ele mais prezava: o controle.
— Então, vocês me oferecem dinheiro e controle sem sujar as mãos — disse Gaius com um sorriso torto. — Mas por que eu deveria confiar em vocês?
Ellie não hesitou. — Porque, se você não entrar nisso conosco, perderá a chance de dominar esse novo fluxo de recursos antes que outros o façam. Estamos à frente, Gaius. Podemos garantir que você seja o único a se beneficiar disso. E, se me permite ser mais direta, ao seu lado, esse dinheiro virá de maneira rápida e abundante. Estamos falando de lucros constantes, a longo prazo. Muito mais do que você poderia fazer sozinho ou com sua velha guarda.
Gaius olhou para ela, estudando-a, como se estivesse pesando cada palavra. O silêncio se estendeu por alguns momentos, até que ele finalmente falou, com um tom mais suave, mas ainda cheio de desconfiança.
— Você tem uma língua afiada, garota. Mas vamos ver se isso se traduz em resultados. Se essa aliança de fato trouxer os lucros que você promete, eu estarei disposto a considerar. Caso contrário, eu não hesitarei em cortar os laços.
Ellie e Marcus trocaram olhares rápidos. Sabiam que a negociação havia sido difícil, mas estavam no caminho certo. Gaius, embora cético, agora estava disposto a dar uma chance à proposta deles.
— Então, estamos em um acordo, Gaius? — Marcus perguntou com um sorriso que não escondia a leve satisfação de uma negociação bem-sucedida.
O vampiro velho não sorriu, mas seu olhar demonstrava que a conversa havia tomado o rumo desejado.
— Estamos, por enquanto. Mas lembrem-se, o tempo e os lucros dirão se fizemos a escolha certa.
Enquanto Gaius se levantava e se preparava para sair, Ellie olhou para Marcus, que estava com uma leve expressão de triunfo, e murmurou em tom baixo, mas irônico:
— Foi até fácil, não?
Marcus olhou para ela, com um sorriso enigmático. — Não seja ingênua, Ellie. Só começamos.
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Marked by Shadow
FantasíaApós ouvir rumores sobre um bar misterioso onde as sombras da sociedade se reúnem, a destemida jornalista Rebeca segue sua curiosidade até o coração do French Quarter, em Nova Orleans. Lá, ela cruza o caminho de Viktor, um vampiro enigmático com uma...
