46 - papéis, missões e como não surtar

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Enquanto isso, com Ellie e Marcus no centro da cidade, a cena ao redor deles contrastava com a calma que se abatia sobre a cafeteria. As ruas estavam movimentadas, mas, ao adentrar o pequeno estabelecimento, o ruído da cidade parecia desaparecer, abafado pelo tilintar suave de xícaras e conversas baixas. A cafeteria, localizada em uma rua secundária longe do fluxo turístico, tinha um charme discreto, mas uma sensação palpável, como se fosse uma das muitas facetas escondidas da cidade.

O ambiente era acolhedor, com as paredes forradas de madeira escura e prateleiras cheias de livros antigos e frascos com ervas secas. O aroma de café moído no momento se misturava a uma pitada de incenso, dando ao local uma sensação quase ritualística. Mesas de ferro e madeira, com cadeiras gastas pelo tempo, estavam espalhadas de forma casual, criando pequenos recantos onde conversas eram trocadas em segredo, longe dos ouvidos curiosos. O lugar parecia calmo e inofensivo, mas Ellie e Marcus sabiam que havia mais do que aquilo.

Ellie observava os detalhes com um olhar atento. As vitrines exibiam potes com misturas de chás raros, pedras de diferentes tonalidades e até objetos que pareciam ter uma energia peculiar. Era um refúgio, mas não para qualquer um. Havia um quê de submundo ali, algo que tornava o lugar perfeito para encontros discretos, longe dos olhares curiosos do mundo exterior.

— Então é aqui que vamos encontrar esse velhote? — Ellie perguntou, ajeitando-se em uma das mesas perto da janela, seus olhos atentos ao movimento lá fora, como se esperasse a qualquer momento uma figura surgir entre a multidão.

Marcus fez um leve gesto com a cabeça, seus olhos fixos no mesmo ponto. — Sim, ele gosta de manter as coisas discretas. O tipo de lugar onde a fachada de normalidade disfarça o que acontece por trás.

Ellie olhou ao redor, absorvendo a atmosfera e notando as pequenas peculiaridades do lugar. Cada detalhe, do cheiro do café ao brilho suave nas prateleiras, parecia ter sido escolhido com cuidado, como se fosse um cenário para aqueles que sabiam o que procurar. Ela inclinou-se para frente, sentindo a energia inusitada do local, mas não sem uma certa desconfiança.

— Eu diria que este lugar tem um cheiro de segredo. — ela comentou, meio em tom de brincadeira, meio sério.

Marcus, com um sorriso ligeiramente irônico, apenas respondeu: — É, bem-vinda ao submundo.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora