4- A arte de sobrevivêr com estranhos: dicas de convivência forçada

9 5 2
                                        

Rebeca continuava encarando Petal, o coração acelerado e a cabeça cheia de perguntas. Era como se cada palavra dita pela mulher adicionasse uma nova camada ao mistério que a envolvia. Petal levantou-se com suavidade e foi até a mesa repleta de frascos, pegando um pequeno recipiente de vidro cheio de um líquido esverdeado que parecia pulsar levemente.

— Tome isso — disse Petal, entregando o frasco para Rebeca. — Vai ajudar com os efeitos colaterais da... marca.

Rebeca segurou o frasco, hesitando. Ela olhou para o líquido, depois para Petal, como se procurasse alguma garantia.

— Não vou te envenenar — brincou Petal, arqueando uma sobrancelha. — Confie em mim, se quisesse te machucar, já teria feito isso. Mas você vai precisar estar lúcida para entender o que vou te contar.

Relutante, Rebeca levou o frasco aos lábios e engoliu o conteúdo de uma vez. O sabor era amargo, mas logo uma sensação de calma começou a se espalhar pelo seu corpo. Ainda segurando o frasco vazio, ela respirou fundo e encarou Petal.

— Certo. Agora você pode me explicar o que está acontecendo?

Petal cruzou os braços e começou a falar, sua voz firme, mas não sem uma dose de empatia.

— Viktor mencionou o "clã" ontem à noite, e agora você faz parte dele, de certa forma. Você se tornou uma... protegida, podemos dizer.

Rebeca piscou, sentindo o impacto dessas palavras. — parte de um clã? Existem mais...criaturas?— questionou, com um nó na garganta.

— Sim, — respondeu Petal, com um tom grave. — E cada uma delas tem uma razão, uma verdade que vai além do que as pessoas costumam ver.

Rebeca balançou a cabeça, a confusão ainda dominando sua expressão.

— Eu não pedi para ser protegida. Eu nem sei o que isso significa! — Ela soltou um suspiro frustrado. — Não quero fazer parte disso... Eu tenho minha vida... meu trabalho...

— Não é tão simples, — Petal a interrompeu gentilmente. — A conexão que você tem agora, Rebeca, não é algo que se pode simplesmente ignorar. Viktor deixou uma marca em você, e ela a liga a nós... e também a coloca em risco.

As palavras de Petal eram suaves, mas carregavam um peso profundo. A cada palavra, Rebeca sentia que o mundo que conhecia se distanciava mais e mais, e uma nova realidade, sombria e irresistível, começava a se desenrolar à sua frente.

Rebeca olhou para Petal, uma mistura de medo e curiosidade crescendo em seu peito.

— E agora? — perguntou em voz baixa, quase como um sussurro. — O que eu faço?

Petal deu-lhe um sorriso reconfortante, apertando sua mão levemente.

— Agora, você precisa aprender a viver nesse mundo, — disse, em um tom quase protetor. — E nós estaremos aqui para ajudá-la.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora