A sala de jantar estava iluminada por velas tremeluzentes que lançavam sombras dançantes nas paredes, mas o ambiente carecia da energia vibrante que costumava reinar ali. Rebeca entrou, esforçando-se para manter a postura ereta, mas a fraqueza a dominava, e cada passo parecia exigir um esforço desmedido.
Ela se sentou à mesa, onde Ellie, Marcus, Jinn, Dante e Mei a aguardavam. As expressões em seus rostos eram uma mescla de preocupação e expectativa. Não havia risadas ou conversas leves, apenas um silêncio pesado que preenchia o espaço.
— Oi, pessoal — tentou cumprimentá-los, mas sua voz saiu mais fraca do que pretendia.
Ellie foi a primeira a notar.
— Rebeca, você está bem? Você parece… diferente.
— É só um dia cansativo — respondeu ela, forçando um sorriso que mal chegou a tocar seus lábios. — O treino foi intenso, mas estou aqui.
Dante olhou para ela, seu semblante sério.
— Você parece mais pálida do que o normal. Alguma coisa aconteceu?
Rebeca hesitou, sentindo um aperto no peito.
— Onde está Viktor? — Perguntou, tentando desviar a atenção de si mesma.
A pergunta foi recebida com uma pausa significativa antes que Mei respondesse com um sorriso sutil, mas irônico.
— Ah, o nosso líder está se recuperando. Ele se machucou em uma luta. Petal foi cuidar dele. Não vão jantar hoje, então só nós vamos aproveitar o banquete — disse ela, com um tom provocativo, olhando de relance para Jinn e Marcus.
Rebeca sentiu um frio na barriga ao ouvir a notícia.
— Machucado? Ele está… bem? — perguntou, a ansiedade crescendo a cada palavra.
Ellie deu um leve suspiro.
— Petal é uma boa curadora. Ele está em boas mãos, mas… todos nós sentimos a falta dele. Ele sempre tem uma presença tão forte na mesa, e sem ele… bem, é diferente.
Rebeca olhou para o prato à sua frente, suas mãos entrelaçadas sob a mesa. O silêncio pesado aumentava a sensação de que algo estava errado.
— A dor que eu senti mais cedo… — começou Rebeca hesitante. Todos os olhos se voltaram para ela. — Era intensa, como se algo estivesse me ferindo.
Dante franziu a testa, curioso.
— O que você está dizendo?
— Quando você falou sobre a luta… Eu não sei, mas eu sinto que… eu sinto a dor dele. — A revelação saiu como um sussurro, mas a seriedade do que ela estava dizendo preenchia o ar ao redor deles. — É como se nossa conexão fosse mais profunda do que apenas estarmos juntos.
Marcus fez uma expressão confusa.
— Isso é… possível? Você e Viktor têm uma conexão, mas não sabia que era tão intensa assim.
Rebeca olhou para eles, suas emoções se misturando.
— Eu não tinha ideia de que isso era real, mas agora… tudo faz sentido. Quando eu estava treinando e aquela dor apareceu, era como se eu estivesse sentindo o que ele sentia.
Mei se inclinou na cadeira, um sorriso provocativo nos lábios.
— E se você realmente estiver conectada a ele, isso significa que você é mais do que uma simples humana, não é?
Rebeca sentiu um rubor subir em suas bochechas, não apenas pela ideia de estar conectada a Viktor, mas pela insinuação de Mei.
— Isso é… complicado. Não sei se sou capaz de entender isso tudo — respondeu, um pouco envergonhada.
— Bem, você é parte disso agora, então talvez seja hora de entender — Jinn sugeriu, olhando com carinho para Rebeca. — Uma conexão como essa pode ser poderosa, e você pode usá-la a seu favor.
Dante observou a interação com um olhar pensativo.
— E se você quiser, pode me perguntar sobre os outros. O que você gostaria de saber?
Rebeca hesitou por um momento, observando cada um deles ao redor da mesa, sentindo-se parte de algo maior.
— E quanto a vocês? Como é a relação entre os Nightborne? O que significa ser parte deste clã?
Marcus sorriu, percebendo a curiosidade genuína de Rebeca.
— Ah, nós somos como uma família, na verdade. Cada um de nós tem nossas peculiaridades, mas todos nós cuidamos. Ellie e eu temos um relacionamento especial. Somos como irmãos, sempre prontos para nos proteger.
Ellie assentiu, sorrindo para Marcus.
— Sim, e a mesma coisa se aplica a todos nós. Dante e Jinn, por exemplo, são os melhores amigos que você pode ter. Eles sempre estão prontos para se meter em encrenca juntos — disse Ellie, com uma risada leve.
— Isso é verdade! — Dante se inclinou para frente, rindo. — E, claro, temos Mei aqui, que sempre está pronta para nos provocar e nos manter em alerta.
Mei sorriu maliciosamente.
— Alguém precisa manter a chama acesa, certo? Se não, vocês todos ficariam muito confortáveis em sua própria zona de conforto.
Rebeca sentiu um misto de alegria e nervosismo ao ver como eles se divertiam juntos.
— E como você se encaixa nisso tudo, Mei? — perguntou, intrigada.
Mei ergueu uma sobrancelha divertida.
— Oh, eu só tenho um jeito de ser. Adoro desafiar os outros, mas isso é só parte do meu charme — respondeu, piscando para Rebeca.
A conversa fluiu suavemente, mas Rebeca estava ciente de que a fraqueza a dominava, e a preocupação por Viktor apenas aumentava.
— Eu preciso vê-lo — declarou, decidida. — Não posso simplesmente ficar aqui me perguntando como ele está.
— Não sabemos se isso é uma boa ideia, Rebeca — Ellie disse, seu tom cauteloso. — Você não está se sentindo bem.
— Mas eu não posso deixar de lado o que sinto por ele — insistiu, a urgência em sua voz se tornando mais evidente. — Se há algo que posso fazer para ajudar, eu preciso tentar.
Marcus cruzou os braços, olhando para Rebeca.
— Se você realmente deseja vê-lo, nós vamos com você.
Dante assentiu, concordando com a decisão.
— O que aconteceu com ele pode ser sério, e é importante que você não se exponha mais. Lembre-se de que ele pode não estar em um estado ideal para recebê-la.
Mei se inclinou à frente, um sorriso travesso no rosto.
— O que você acha que vai fazer ao vê-lo? Declarar seu amor em meio a um ferimento? Que romântico!
Rebeca revirou os olhos, um sorriso involuntário surgindo em seus lábios.
— Eu só quero ter certeza de que ele está bem. Isso é tudo.
— Então vamos — Jinn disse, se levantando. — Você não está sozinha nessa.
Assim que deixaram a mesa, uma nova energia tomou conta do grupo. Mesmo com a tensão e a preocupação, havia um senso de unidade que a cercava. Rebeca não estava sozinha nessa jornada, e enquanto se preparava para ver Viktor, sua determinação se tornava mais forte.
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Marked by Shadow
FantasyApós ouvir rumores sobre um bar misterioso onde as sombras da sociedade se reúnem, a destemida jornalista Rebeca segue sua curiosidade até o coração do French Quarter, em Nova Orleans. Lá, ela cruza o caminho de Viktor, um vampiro enigmático com uma...
