24 - camas e conjurações

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A sala de jantar estava iluminada por velas tremeluzentes que lançavam sombras dançantes nas paredes, mas o ambiente carecia da energia vibrante que costumava reinar ali. Rebeca entrou, esforçando-se para manter a postura ereta, mas a fraqueza a dominava, e cada passo parecia exigir um esforço desmedido.

Ela se sentou à mesa, onde Ellie, Marcus, Jinn, Dante e Mei a aguardavam. As expressões em seus rostos eram uma mescla de preocupação e expectativa. Não havia risadas ou conversas leves, apenas um silêncio pesado que preenchia o espaço.

— Oi, pessoal — tentou cumprimentá-los, mas sua voz saiu mais fraca do que pretendia.

Ellie foi a primeira a notar.

— Rebeca, você está bem? Você parece… diferente.

— É só um dia cansativo — respondeu ela, forçando um sorriso que mal chegou a tocar seus lábios. — O treino foi intenso, mas estou aqui.

Dante olhou para ela, seu semblante sério.

— Você parece mais pálida do que o normal. Alguma coisa aconteceu?

Rebeca hesitou, sentindo um aperto no peito.

— Onde está Viktor? — Perguntou, tentando desviar a atenção de si mesma.

A pergunta foi recebida com uma pausa significativa antes que Mei respondesse com um sorriso sutil, mas irônico.

— Ah, o nosso líder está se recuperando. Ele se machucou em uma luta. Petal foi cuidar dele. Não vão jantar hoje, então só nós vamos aproveitar o banquete — disse ela, com um tom provocativo, olhando de relance para Jinn e Marcus.

Rebeca sentiu um frio na barriga ao ouvir a notícia.

— Machucado? Ele está… bem? — perguntou, a ansiedade crescendo a cada palavra.

Ellie deu um leve suspiro.

— Petal é uma boa curadora. Ele está em boas mãos, mas… todos nós sentimos a falta dele. Ele sempre tem uma presença tão forte na mesa, e sem ele… bem, é diferente.

Rebeca olhou para o prato à sua frente, suas mãos entrelaçadas sob a mesa. O silêncio pesado aumentava a sensação de que algo estava errado.

— A dor que eu senti mais cedo… — começou Rebeca hesitante. Todos os olhos se voltaram para ela. — Era intensa, como se algo estivesse me ferindo.

Dante franziu a testa, curioso.

— O que você está dizendo?

— Quando você falou sobre a luta… Eu não sei, mas eu sinto que… eu sinto a dor dele. — A revelação saiu como um sussurro, mas a seriedade do que ela estava dizendo preenchia o ar ao redor deles. — É como se nossa conexão fosse mais profunda do que apenas estarmos juntos.

Marcus fez uma expressão confusa.

— Isso é… possível? Você e Viktor têm uma conexão, mas não sabia que era tão intensa assim.

Rebeca olhou para eles, suas emoções se misturando.

— Eu não tinha ideia de que isso era real, mas agora… tudo faz sentido. Quando eu estava treinando e aquela dor apareceu, era como se eu estivesse sentindo o que ele sentia.

Mei se inclinou na cadeira, um sorriso provocativo nos lábios.

— E se você realmente estiver conectada a ele, isso significa que você é mais do que uma simples humana, não é?

Rebeca sentiu um rubor subir em suas bochechas, não apenas pela ideia de estar conectada a Viktor, mas pela insinuação de Mei.

— Isso é… complicado. Não sei se sou capaz de entender isso tudo — respondeu, um pouco envergonhada.

— Bem, você é parte disso agora, então talvez seja hora de entender — Jinn sugeriu, olhando com carinho para Rebeca. — Uma conexão como essa pode ser poderosa, e você pode usá-la a seu favor.

Dante observou a interação com um olhar pensativo.

— E se você quiser, pode me perguntar sobre os outros. O que você gostaria de saber?

Rebeca hesitou por um momento, observando cada um deles ao redor da mesa, sentindo-se parte de algo maior.

— E quanto a vocês? Como é a relação entre os Nightborne? O que significa ser parte deste clã?

Marcus sorriu, percebendo a curiosidade genuína de Rebeca.

— Ah, nós somos como uma família, na verdade. Cada um de nós tem nossas peculiaridades, mas todos nós cuidamos. Ellie e eu temos um relacionamento especial. Somos como irmãos, sempre prontos para nos proteger.

Ellie assentiu, sorrindo para Marcus.

— Sim, e a mesma coisa se aplica a todos nós. Dante e Jinn, por exemplo, são os melhores amigos que você pode ter. Eles sempre estão prontos para se meter em encrenca juntos — disse Ellie, com uma risada leve.

— Isso é verdade! — Dante se inclinou para frente, rindo. — E, claro, temos Mei aqui, que sempre está pronta para nos provocar e nos manter em alerta.

Mei sorriu maliciosamente.

— Alguém precisa manter a chama acesa, certo? Se não, vocês todos ficariam muito confortáveis em sua própria zona de conforto.

Rebeca sentiu um misto de alegria e nervosismo ao ver como eles se divertiam juntos.

— E como você se encaixa nisso tudo, Mei? — perguntou, intrigada.

Mei ergueu uma sobrancelha divertida.

— Oh, eu só tenho um jeito de ser. Adoro desafiar os outros, mas isso é só parte do meu charme — respondeu, piscando para Rebeca.

A conversa fluiu suavemente, mas Rebeca estava ciente de que a fraqueza a dominava, e a preocupação por Viktor apenas aumentava.

— Eu preciso vê-lo — declarou, decidida. — Não posso simplesmente ficar aqui me perguntando como ele está.

— Não sabemos se isso é uma boa ideia, Rebeca — Ellie disse, seu tom cauteloso. — Você não está se sentindo bem.

— Mas eu não posso deixar de lado o que sinto por ele — insistiu, a urgência em sua voz se tornando mais evidente. — Se há algo que posso fazer para ajudar, eu preciso tentar.

Marcus cruzou os braços, olhando para Rebeca.

— Se você realmente deseja vê-lo, nós vamos com você.

Dante assentiu, concordando com a decisão.

— O que aconteceu com ele pode ser sério, e é importante que você não se exponha mais. Lembre-se de que ele pode não estar em um estado ideal para recebê-la.

Mei se inclinou à frente, um sorriso travesso no rosto.

— O que você acha que vai fazer ao vê-lo? Declarar seu amor em meio a um ferimento? Que romântico!

Rebeca revirou os olhos, um sorriso involuntário surgindo em seus lábios.

— Eu só quero ter certeza de que ele está bem. Isso é tudo.

— Então vamos — Jinn disse, se levantando. — Você não está sozinha nessa.

Assim que deixaram a mesa, uma nova energia tomou conta do grupo. Mesmo com a tensão e a preocupação, havia um senso de unidade que a cercava. Rebeca não estava sozinha nessa jornada, e enquanto se preparava para ver Viktor, sua determinação se tornava mais forte.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora