27- camas e conjurações: bruxinha teimosa

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A luz do sol filtrava-se através das cortinas do quarto, lançando feixes dourados que dançavam nas paredes. Rebeca estava sentada ao lado da cama de Viktor, seus olhos fixos no rosto dele, ainda pálido e marcado pela dor. A preocupação pesava em seu coração, e a noite anterior parecia ter se arrastado, repleta de medos e ansiedades.

O quarto estava em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som suave da respiração de Viktor. Ele ainda não havia acordado, e a angústia de Rebeca crescia a cada segundo. Ela sentia uma conexão intensa com ele, uma ligação que transcendeu a dor física e a ansiedade. Mas enquanto ela permanecia ali, uma sombra se movia na porta.

Petal entrou no quarto, sua expressão cansada, mas os olhos ainda reluzindo com uma determinação feroz. Os cabelos bagunçados e a palidez do rosto deixavam claro que ela ainda não havia se recuperado totalmente. Mei estava logo atrás dela, com uma expressão de preocupação e reprovação.

— Petal, você não deveria estar aqui. — disse Mei, com um tom de desespero. — Você ainda está se recuperando.

Petal ignorou a advertência e se aproximou da cama de Viktor, seus olhos ardendo com um misto de preocupação e determinação. — Eu preciso terminar o que comecei. Ele precisa de mim.

— Ele precisa de você, mas você não tem energia para isso! — Mei protestou, um fio de exasperação na voz. — Você não pode simplesmente usar o que não tem.

Petal se virou, o olhar intenso. — E se eu não fizer nada? Você sabe o que pode acontecer. — Ela olhou para Viktor, seu coração apertando. — Ele pode morrer, Mei. Eu não posso deixar isso acontecer.

Viktor estava imóvel, e a ideia de perdê-lo parecia insuportável. Rebeca observava a cena com o coração pesado. A luta entre Petal e Mei estava clara, mas a preocupação de Petal superava qualquer objeção. Ela queria salvar Viktor, e essa determinação fazia seu corpo parecer mais forte, mesmo que a exaustão a dominasse.

— Você está sendo idiota, Petal. — Mei disse, com a voz entrecortada. — Se você continuar assim, quem vai cuidar de você? Você não é indestrutível.

— Eu vou me recuperar, e o que estou fazendo aqui é muito mais importante. — Petal retrucou, sua voz cheia de fervor. — Se eu não tentar, ele não terá a chance de se recuperar.

— Você está se colocando em perigo! — Mei exclamou, seus olhos se estreitando em frustração. — Você acha que só porque você é uma bruxa, pode fazer tudo sozinha?

Nesse momento, Viktor começou a se mover, uma expressão de dor cruzando seu rosto. Rebeca se inclinou mais perto, a esperança ressurgindo em seu peito. — Viktor? — chamou, sua voz suave.

Ele abriu os olhos, tentando se concentrar. A expressão dele mudou quando viu Petal ao seu lado. — O que… o que está acontecendo? — murmurou, a voz rouca.

Petal imediatamente se aproximou, tocando a mão dele com suavidade. — Você está seguro agora. Eu estou aqui, e vou fazer você ficar bem.

Viktor franziu a testa, percebendo a exaustão nos olhos dela. — Petal, você não parece bem. Você… você precisa descansar.

— Não posso descansar até saber que você está fora de perigo. — respondeu ela, sua determinação ressoando na sala. — Vou usar o que restar da minha energia.

— Você não deve fazer isso. — Viktor disse, sua voz quase um sussurro, mas firme. — Eu vou ficar bem.

— Não! — Petal interrompeu, a emoção tomando conta de sua voz. — Você não entende, Viktor. Eu não posso deixar você assim.

Mei, incapaz de conter a frustração, exclamou: — Você não vai conseguir se curar se estiver sem energia, Petal! Você precisa ser razoável.

Mas Petal apenas balançou a cabeça, sua determinação inabalável. — Eu não posso perder mais um irmão. — As palavras saíram com um peso que ecoou na sala.

Rebeca assistia, seu coração se apertando. O vínculo entre Petal e Viktor era palpável, e a determinação dela não era apenas uma batalha contra a fraqueza, mas uma luta para salvar alguém que ela amava.

— Petal, se você não estiver bem, como poderá ajudar Viktor? — Rebeca disse, sua voz tranquila, tentando suavizar a tensão.

— Ela está certa, Petal. — Viktor disse, olhando diretamente nos olhos dela. — Você precisa se cuidar também. Não pode me ajudar se não estiver forte.

Petal hesitou, os olhos se enchendo de lágrimas, mas não por fraqueza; era uma mistura de emoção e determinação. — Eu não posso deixar que você sofra mais.

Com um foco renovado, Petal fechou os olhos e começou a canalizar sua energia. A luz que emanava de suas mãos começou a brilhar intensamente, preenchendo o quarto com uma aura dourada. O cheiro de ervas e flores parecia invadir o ambiente, enquanto a energia negativa da ferida de Viktor começava a se dissipar. A dor que antes dominava seu rosto começou a se suavizar, e os traços de sofrimento foram se desvanecendo lentamente.

— Você… está fazendo isso. — murmurou Viktor, a voz agora carregada de um brilho de esperança.

— Sim. Eu não vou deixar você ir. — Petal declarou, a força da determinação a impulsionando. A luz ao redor deles cresceu, envolvendo Viktor, e a expressão dele se iluminou à medida que a dor se afastava.

O quarto ficou em silêncio, todos observando com admiração e preocupação.  Enquanto ela se entregava à magia, o vínculo entre eles se tornava mais forte, mais intenso.

Quando a luz começou a se dissipar, Viktor abriu os olhos novamente, agora mais claros, mais vivos. A gratidão e o alívio eram evidentes em seu olhar.

— Você… você fez isso por mim. — ele disse, quase em um sussurro.

— Eu não podia perder mais um irmão. — Petal respondeu, a voz carregada de emoção, mas também de uma nova esperança.

Porém, assim que a última centelha de energia deixou seu corpo, Petal sentiu suas forças se esvaírem. Sua visão começou a escurecer e, antes que pudesse reagir, desmaiou, caindo suavemente sobre a cama ao lado de Viktor.

Rebeca correu para pegar Petal, seu coração acelerado, enquanto Mei também se aproximava rapidamente. O quarto, que momentos antes estava cheio de esperança, agora estava tomado pela preocupação.

— Petal! — Rebeca exclamou, segurando a amiga em seus braços. A expressão de desespero era palpável enquanto ela tentava avaliar o estado da bruxa.

Viktor, ainda se recuperando, olhou para Petal, sua expressão misturando alívio e preocupação. — Ela se entregou demais. — Ele sussurrou, a dor que agora era apenas um eco, dando lugar à urgência. — Precisamos ajudá-la.


Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora