18- Sobrevivendo a nova vida: o manual do caos

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A mesa estava agitada, com risadas e conversas cruzadas que se misturavam ao som de talheres e taças tilintando. Marcus contava uma história sobre uma missão desastrosa - e claramente exagerada - que envolvia uma noite chuvosa e uma tentativa mal-sucedida de rastrear fadas no território oeste.

- E foi aí que eu percebi que não era um lobo à nossa frente, mas uma senhora irritada com o cachorro. Ainda bem que escapei a tempo! - Marcus narrava, rindo alto e gesticulando, enquanto os outros explodiam em gargalhadas.

Rebeca tentava acompanhar a história, mas sua atenção era constantemente desviada para Viktor. Ele estava mais reservado, mas sua postura transmitia uma calma autoconfiança. Ao perceber que ela o observava, Viktor ergueu os olhos e sorriu de leve, o suficiente para fazê-la desviar o olhar, com uma sensação de calor inesperado no rosto.

- Rebeca, e você? - Ellie perguntou, puxando-a para a conversa. - Está se acostumando com esse grupo maluco?

Ela riu, tentando disfarçar a timidez. - Estou me acostumando, sim... mas vocês realmente são bem intensos.

Viktor interveio com um tom suave, mas que carregava um toque de provocação: - E acha que consegue lidar com isso, Rebeca?

Ela ergueu uma sobrancelha, surpresa pelo tom brincalhão. - Acho que sim. Tenho um bom instinto para detectar problemas.

Ao ouvir isso, Viktor deu um leve sorriso, uma expressão que parecia cheia de intenções não ditas. Ao lado deles, Mei observava a troca com um olhar astuto.

- Isso é, se Viktor deixar, né? - comentou Mei, num tom irônico. - Ele adora proteger os novatos.

Petal, que estava do outro lado, deu uma leve risada. - É verdade. Viktor tem essa coisa de superprotetor. Já vi ele dar bronca até no Marcus.

- Ei! Isso foi porque eu quase caí do telhado. E foi um mal-entendido - defendeu-se Marcus, fingindo indignação.

A provocação arrancou risadas do grupo, mas Viktor permaneceu com o olhar fixo em Rebeca, como se estivesse atento a cada reação dela. Rebeca se sentia estranhamente envolvida pela intensidade dele; por mais que a situação fosse descontraída, havia uma tensão sutil no ar, algo que só os dois pareciam perceber.

Em um momento de quietude entre as conversas, Viktor inclinou-se discretamente em direção a ela, a voz baixa para que apenas ela pudesse ouvir.

- Não precisa ter pressa para se adaptar. Estou aqui para ajudar.

O tom dele, apesar de formal, carregava um toque de familiaridade que a fez sentir-se mais à vontade. Ela assentiu, tentando conter um sorriso.

- Obrigada. Acho que com você por perto, as coisas ficam... mais fáceis.

Ele manteve o olhar nela por alguns segundos antes de responder. - Que bom ouvir isso.

A breve troca foi interrompida quando Ellie fez um comentário sobre os treinamentos no clã, e a conversa seguiu com os outros compartilhando histórias de suas aventuras. Mesmo assim, Rebeca sentia uma espécie de fio invisível entre ela e Viktor, que persistia, mesmo quando a atenção dele estava em outra pessoa.

Durante o resto do jantar, o grupo continuava a rir e a se provocar, mas Viktor ocasionalmente lançava olhares discretos na direção de Rebeca, que, por sua vez, tentava fingir que não percebia. Essa dança de olhares e sorrisos entre eles durou a noite toda, criando uma tensão sutil que, embora discreta, era impossível de ignorar.

Marked by ShadowHistórias para pegar e não largar. Descubra agora