Capítulo 53: A Despedida

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O sol ainda nem havia se levantado completamente quando Buck chegou à Estação 118 para o que seria seu último dia por um tempo

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O sol ainda nem havia se levantado completamente quando Buck chegou à Estação 118 para o que seria seu último dia por um tempo. O ar estava carregado de um sentimento pesado, de uma tristeza contida que pairava sobre ele. Ele sabia que era a decisão certa — precisava de espaço, de distância. Mas isso não tornava a despedida menos dolorosa.

Cada passo dentro da estação parecia um adeus. Ele olhava para os detalhes que antes passavam despercebidos: o brilho das ferramentas no caminhão, o som familiar das vozes dos seus colegas, a rotina que ele tanto amava. Por mais que as coisas estivessem complicadas entre ele e Eddie, esse lugar sempre havia sido seu porto seguro.

Quando todos estavam reunidos na sala de descanso, Buck respirou fundo. Ele tinha que fazer isso, mas não sabia como as palavras sairiam. Bobby foi o primeiro a se aproximar, seus olhos carregando a sabedoria de alguém que já havia visto muitas despedidas.

"Você tem certeza de que isso é o que você precisa, Buck?" Bobby perguntou, a voz baixa e cheia de preocupação.

Buck assentiu. "Preciso, Bobby. Preciso de tempo, de espaço... Eu amo vocês, amo esse lugar. Mas... eu estou me perdendo aqui, e isso não é justo com ninguém."

Bobby colocou uma mão firme no ombro de Buck. "Você sempre terá um lugar aqui, Buck. Essa é a sua casa."

Buck sorriu, mas o peso em seu peito só parecia aumentar. Então foi a vez de Hen e Chimney se aproximarem. Hen o puxou para um abraço apertado, e ele sentiu a familiaridade reconfortante daquela equipe, daquela família.

"Você vai fazer falta, Buck. Mas se você acha que isso vai te ajudar a se encontrar, nós vamos estar aqui quando você voltar," Hen disse, e Chimney, em sua maneira usual, tentou aliviar o momento.

"Só não vá arranjar uma família nova lá no Texas. Já basta o drama que temos aqui!" Chimney brincou, tentando manter o tom leve, mas seus olhos também brilhavam com uma tristeza disfarçada.

Buck riu, mas era uma risada triste. Despedir-se deles era mais difícil do que ele esperava.

Depois das despedidas com a equipe, Buck sabia que faltava o mais difícil: Eddie e Christopher. A tensão entre ele e Eddie ainda pairava como uma sombra, e Christopher... bem, o menino já havia deixado claro o quanto ele não queria que Buck fosse embora.

Mais tarde, quando ele chegou à casa de Eddie, Christopher correu até a porta, as muletas batendo no chão de maneira rápida e ansiosa. Seu rosto estava iluminado pela esperança de que talvez, apenas talvez, Buck tivesse mudado de ideia. Mas quando ele viu a mala ao lado de Buck, seu rosto se transformou em decepção.

"Você vai mesmo?" Christopher perguntou, a voz tremendo de emoção.

Buck se agachou para ficar na altura do menino. Seu coração apertava ao ver a tristeza nos olhos de Christopher. "Eu vou, Chris... Mas é só por um tempo, prometo. Eu só preciso de... um tempo para pensar em algumas coisas."

Christopher balançou a cabeça, mas o menino estava claramente chateado. "Por que você não pode ficar? A gente pode resolver as coisas, Buck. Eu não quero que você vá."

As palavras do garoto cravaram fundo no peito de Buck. Ele lutou contra as lágrimas que ameaçavam cair, forçando um sorriso que não conseguia esconder sua dor.

"Eu sei, Chris... Eu sei. E isso é muito difícil para mim também. Mas, às vezes, a gente precisa de espaço para entender as coisas, para voltar mais forte. E eu prometo, quando eu voltar, a gente vai fazer um monte de coisas legais juntos, ok?"

Christopher deu um pequeno aceno, embora claramente insatisfeito. "Você promete mesmo?"

Buck respirou fundo, segurando a mão de Christopher. "Eu prometo, campeão."

E então, Eddie apareceu na porta, com os olhos pesados, sem saber exatamente o que dizer ou como lidar com a despedida. Ele observou em silêncio enquanto Buck se despedia de seu filho, tentando encontrar as palavras certas para dizer a Buck... mas nenhuma delas parecia suficiente.

"Posso dar um abraço em você antes de ir?" Buck perguntou a Eddie, sentindo o peso do momento aumentar.

Eddie hesitou, o olhar fixo no chão por um instante. Ele sabia que, no fundo, não queria que Buck fosse embora, mas algo o impedia de expressar isso. A dor, o orgulho, o medo de dizer o que realmente sentia. Ele assentiu lentamente e se aproximou de Buck.

O abraço entre eles foi tenso, carregado de palavras não ditas, sentimentos reprimidos. Eddie segurava Buck com força, como se quisesse transmitir o que não conseguia verbalizar. Buck sentiu o coração de Eddie batendo rápido contra o peito e por um momento quase achou que ele diria algo, algo que o fizesse reconsiderar a partida.

Mas Eddie permaneceu em silêncio.

Ao se afastarem, Buck olhou para Eddie, esperando que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa. Mas Eddie apenas desviou o olhar, cruzando os braços em um gesto de defesa. Buck queria desesperadamente ouvir as palavras "fica", mas sabia que não viria.

Buck deu um último sorriso para Christopher e Eddie, pegou sua mala e saiu, deixando a casa para trás. Quando chegou ao carro, sentiu um nó na garganta. O Texas era sua próxima parada, mas ele não sabia se estava fugindo ou buscando algo.

No aeroporto, enquanto esperava para embarcar, sua mente ainda estava em Eddie, em Christopher, na vida que ele estava deixando em Los Angeles, mesmo que temporariamente. Ele olhou pela janela para o horizonte, com a sensação de que estava deixando para trás muito mais do que apenas uma cidade. E enquanto o avião decolava, ele se perguntou, pela primeira vez, se esse tempo longe realmente resolveria alguma coisa.

Talvez, no fundo, ele soubesse que estava deixando uma parte importante de si para trás.

Entre Chamas e Emoções (BUDDIE 9-1-1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora