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Gabriel
12 de agosto de 2024 Las Vegas, EUA.
Nunca foi tão difícil ganhar um jogo em toda a minha vida. Eu não conseguia me concentrar, porque a minha cabeça nem tava naquele lugar. As minhas fichas não tinham somado nem cem mil e toda vez que eu estava prestes a fazer uma jogada eu sentia o velho me olhando com toda a atenção que ele tinha.
Tudo mudou quando um dos caras que estava jogando comigo, fez sinal com a cabeça, para que eu o encontrasse lá no estacionamento. Imaginei que ele fosse informante do Paraguaio, e consegui ir para o estacionamento depois de ver que aquele velho dos infernos estava pegando outra bebida no bar.
- Ele quer falar com você.
O homem não esperou nem que eu tivesse mais perto pra me entregar o celular. Tirei o aparelho dele, com a minha cabeça fritando.
Caralho, eu tava sem tempo.
Porra, cada minuto longe dela, sem saber o que tava rolando, tava me matando. Eu não ia perder essa mulher. Eu não podia perder essa mulher. E quando ela voltasse pra mim, eu nunca mais ia tirar os meus olhos dela.
Arrascaeta: Escorpio? - respirei fundo - Por que está demorando?
Gabriel: Ele tá com a minha mulher - eu engoli o nó na garganta, pra voltar a falar - Tô tentando bolar um plano pra tirar ela do encalço dele e finalizar essa merda.
Arrascaeta: Estamos sem tempo, Scorpio.
Gabriel: Vem pra cá e mata ele tu, então. Eu não vou arriscar a vida dela.
Arrascaeta: Tu não queres a liberdade mais do que tudo? A liberdade tem um preço a se pagar.
Soltei uma risada sem emoção.
Eu não queria a minha liberdade mais do que tudo. Um dia eu qui, mas hoje não. Hoje tinha outra coisa que eu queria mais do que tudo.
Gabriel: Liberdade nenhuma vai fazer sentindo se ela não tiver viva - trinquei meu maxilar, sentindo o meu corpo bem mais tenso do que antes - Tu quer que eu termine essa missão? Beleza, eu termino, mas tu vai ter que me ajudar.
Ouvi um suspiro, antes de ele voltar a falar com aquele sotaque bagunçado.
Arrascaeta: Como?
Gabriel: Ela tá num avião. Te passo o número do voo e tu dá o teu jeito de me entregar ela bem... me garante que vai fazer isso, e eu mato ele agora.
Arrascaeta: Eu não tenho como... - eu nem deixei ele terminar de falar.
Gabriel: Escuta aqui, caralho, tu vai me ajudar nessa porra, ou quem vai morrer vai ser tu. Tá me entendendo?
Arrascaeta: Não me ameace.
Passei a mão pelo rosto, bufando.
Gabriel: Se eu perder ela, eu não tenho mais nada a perder - encostei a testa no carro, fechando os olhos. Eu já não sabia mais o que falar. O desespero já tinha me consumido por completo - Se eu perder a minha família, eu vou acabar com a tua, eu vou acabar com a dele. Eu vou tacar fogo nessa cidade.
Arrascaeta: Você tá indo pra um lado perigoso, Escorpio - seu tom de alerta deveria ter me deixado nervoso, mas não tinha nada que me deixasse mais nervoso do que a Nicole em perigo.
Eu tinha prometido que iria até o inferno por ela. Se eu perdesse ela, eu ia fazer a vida de todo mundo virar um inferno.
Gabriel: Foda-se, porra. Tu vai ajudar? - ele ficou em silêncio - O que você quer, Paraguaio? Fala. Qualquer coisa. Quanto tu quer? Quer que eu jogue pra ti o resto da minha vida? Eu jogo.
Arrascaeta: Escuta, Escorpio. Mata ele. Mata ele agora. Eu vou tirar a tua menina com vida desse voo.
Meu coração errou uma batida.
Gabriel: E?
Arrascaeta: Quando tu matar ele, pela ordem, tu entra no lugar dele na facção. Quando tu tira o rei do jogo, tu se torna o rei. Você quer ser o rei ou você quer sua família?
Estreitei os olhos.
Nunca precisei dessa facção pra porra nenhuma. Essa merda só fodeu a minha vida mais e mais. Se meu vô não tivesse entrado nessa coisa, ele nunca teria feito tudo que fez.
Gabriel: Quer ficar com o lugar dele? É isso?
Arrascaeta: Temos um acordo?
Gabriel: É teu, caralho. Pega essa merda, eu não quero. Me promete que vai tirar a Nicole de lá.
Arrascaeta: Tem a minha palavra.
Respirei aliviado. Não cem por cento, eu acho que só estaria totalmente aliviado na hora que segurasse ela nos meus braços.
Rapidamente, expliquei para o Paraguaio que o meu avô tinha um filho, e que esse filho estava no voo ao lado da Nicole. Eu disse como ele me ameaçou, falando que se algo acontecesse a ele, os seguranças avisariam ao filho, e homem mataria ela. O Paraguaio disse que sabia o que fazer e mandou que eu matasse o meu avô e os dois seguranças, com a ajuda do homem que trabalhava pra ele.
Eu pedi que ele passasse as instruções do que fazer para o Mendes, para que o meu segurança levasse a Nicole pra nossa casa e quando desligou, me fazendo prometer que daria o lugar a ele na facção, eu enviei algumas mensagens para o Mendes falando o que tinha rolado e pedi que seguisse as instruções daquele Paraguaio.
- Escorpião.
Eu olhei para o homem ao meu lado, que apontou com a cabeça para a direção que o meu avô e os dois seguranças dele saiam à minha procura. E puxei o cara comigo, para trás de um carro.
Troquei um olhar com ele, tirando a arma da minha cintura. O cara me acompanhou entendendo o que faríamos.
Gabriel: Eu vou no velho. Você atira no primeiro que ver - eu sussurrei - Atira pra matar. Atira quantas vezes for preciso.
Ele assentiu, e eu fiz sinal, quando vi os homens se aproximarem do carro onde nós estávamos escondidos.
No mesmo segundo, atirei enquanto um grito de raiva rasgava meu peito. Um grito de dor por todos esses anos. Por tudo que ele tirou de mim. Por todas as vezes que eu chorei por ele.
Nunca em toda minha vida eu estive tão perto de conseguir minha liberdade, do que naquele momento.