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Gabriel

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Gabriel

10 de agosto de 2024
Los Angeles, EUA.

Precisei de mais de meia hora com ela nos meus braços, pra convencê-la a fazer um teste de gravidez. Fomos a uma farmácia perto da casa que tínhamos alugado, e a Nicole não falou uma palavra até que nós estivéssemos de volta no banheiro.

Nicole: Tô nervosa. Nunca fiz isso antes - falou, lendo as instruções atrás daquela embalagem. Mas fez uma careta ao me encarar - Tá tudo em inglês.

Gabriel: Não pode ser tão difícil - me aproximei, tentando ajudar ela a fazer aquilo.

Precisávamos de cinco minutos até uma resposta. Por mais nervoso que estivesse, precisei me manter calmo porque a Nicole já tava pirando por nós dois.

Ela me olhou uma última vez antes de fazer xixi no pote e depois enfiar os três palitos de teste dentro do pote. Ela nem me olhava. Aproveitei a distração pra roer as minhas unhas, porque tava foda. Meu coração estava acelerado pra caralho. Eu acho que ia desmaiar se visse dois traços. Mas eu não podia, cacete. Ela tava pirada e se eu desmaiasse ela ia desmaiar junto.

Meu Deus, e se ela desmaiasse? Porra. Eu ia fazer o que? Eu tava longe de casa, não falava inglês tão bem assim... só entendia um pouco.

Tirei meu celular do bolso da calça e pus no gps o hospital mais próximo. Só para garantir. Ficava a uns quinze minutos de distância e só de pensar em ficar quinze minutos com ela grávida e desmaiada dentro de um carro eu tinha vontade de desmaiar.

Nicole: Acho que eu vou vomitar.

Bloqueei o celular e deixei encima da pia, levantando o meu olhar pra ela. A Nicole me encarava, com o semblante retorcido em uma careta de nojo, sentada na lateral da banheira vazia.

Ela ia mesmo vomitar? Mulheres grávidas vomitaram. Ela estava mesmo grávida? A sensação de desmaio voltou como uma avalanche dentro do meu corpo, e eu tive que arrastar as mãos suadas no pano da calça jeans antes de me aproximar dela, segurando seu rosto entre as mãos.

Não dava pra desmaiar agora, caralho. Ela ia precisava da minha ajuda.

Gabriel: Tá tudo bem, meu amor - me amaldiçoei quando ouvi minha voz falhar, mas a Nicole pareceu nem perceber. Ela fechou os olhos e descansou o rosto nos meus dedos - Quer deitar?

Ainda com os olhos fechados, ela esticou a mão na minha direção, agarrando a gola da minha camiseta com força. Estava bem pálida e eu precisei repetir mais umas dez vezes, na minha cabeça, que não dava pra desmaiar agora.

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