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Nicole

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Nicole

13 de Agosto de 2024
Leblon
Zona Sul, Rio de Janeiro.

Quando eu ouvi o tiro, achei que fosse o fim. Achei que tivesse sido a arma dele. Mas quando seu corpo perdeu a força encima do meu e eu senti o sangue de outra pessoa sujando todo o meu corpo, eu olhei pra cima encontrando a minha salvação. Nunca pensei que fosse ficar tão feliz em ver a minha sombra, como tinha apelidado carinhosamente o Mendes.

Eu acho que nunca mais seria capaz de reclamar dos seguranças que o Gabriel colocou na minha cola.

Ainda no aeroporto, a polícia colheu meu depoimento enquanto levavam o homem em um saco preto. Ainda no aeroporto o Gabriel me ligou, me tranquilizou e disse que ele tinha terminado o que precisava fazer. Me disse que finalmente ia voltar pra casa. Quando entrei no jatinho, ele não conversou comigo, mas não desligou a chamada de vídeo. Me pediu para tentar dormir um pouco e em algum momento realmente apaguei. Quando eu acordei, o Mendes me avisou que ja íamos pousar no Rio.

Infinitas mensagens do Gabriel encheram meu celular, avisando que tinha entrado no avião, que tinha avisado a Carla e que todos os seguranças estariam em nossa pra que eu me sentisse mais segura.

Só de pisar na entrada daquele prédio eu já me senti mais segura. Precisava de um banho, precisava da minha cama e mais do que tudo, eu precisava ver o Gabriel. Aquela angústia só sumiria do meu peito no momento em que eu o visse.

Mas algo dentro de mim se aqueceu na hora em que as portas do elevador foram abertas e eu dei de cara com o Thiago no meu sofá. Ele tirou os olhos do chão pra me encarar e no momento que encontrou meu rosto, eu já estava deixando o Olaf no chão e correndo para abraçá-lo, com meu rosto coberto por lágrimas.

Thiago: Oi, Nica. Tá tudo bem, você tá em casa - sussurrou contra o meu cabelo, deixando um beijo na minha cabeça. Eu assenti, tentando me firmar com as suas palavras, mas eu ainda sentia desespero. Ele não me soltou, nós continuamos abraçados - Você tá machucada? Respira fundo.

Eu neguei com a cabeça e tentei respirar fundo, mas meu choro me impedia. Tive que me afastar dele pra secar o meu rosto e respirar pela boca umas três vezes, pra tentar controlar meu choro.

Sentei no sofá, abraçando minhas pernas e o Thiago continuou de pé, me olhando com atenção.

Eu concentrei o olhar na televisão, porque se olhasse pra ele, eu começaria a chorar de novo.

Nicole: Eu não quero mais chorar - falei, voltando a chorar com o rosto escondido nas mãos.

Cacete, eu ia passar os próximos meses chorando desse jeito?

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