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Nicole
10 de agosto de 2024 Los Angeles, EUA.
O olhar dele encima de mim pesava bem mais que uma tonelada. Eu fingi que não notei. Não queria ter que jogar a bomba no colo do Gabriel também. Ele já estava tão neurótico com outra situação que eu preferi manter essa desconfiança comigo.
Na verdade, quis manter a desconfiança longe até mesmo da minha cabeça. Tentei não pensar, tentei não surtar e resolvi que só pensaria nisso quando voltássemos ao Brasil... mas obviamente ele não me daria paz.
Quando chegamos a casa onde ficaríamos pelos próximos dez dias, eu desci do carro com pressa, levando o Olaf junto comigo. O Gabriel ia falar alguma coisa, mas eu corri tão rápido pra dentro do cômodo que a única coisa que escutei foi o seu suspiro derrotado.
Tentar não pensar era quase impossível, e eu sabia que ele não ia me deixar esquecer o assunto. Nem perdi tempo para admirar a casa e corri para o andar de cima, onde sabia que deveria ficar o nosso quarto.
Soltei o ar dos meus pulmões, parecendo que tinha corrido uma maratona. Deixei o Olaf no chão e assim que escutei o Gabriel subindo a escada com passos apressados eu me enfiei sozinha dentro do banheiro.
Em menos de dez segundos o punho dele já acertava a porta com agressividade.
Gabriel: Abre.
Olhei meu reflexo no espelho, tentando respirar direito. Parecia que eu estava debaixo da agua. Parecia que eu estava afogando. Apertei as minhas mãos contra a pia até sentir os nós dos dedos doerem.
Gabriel: Nicole - mais dois socos - Abre aqui.
Nicole: Eu tô sufocando. Me dá espaço!
Gabriel: Espaço é o caralho. Eu quero saber o que tá rolando. Abre essa merda.
Nicole: Ah, eu também queria saber o que tá rolando com você. Vai me falar? - debochei, sabendo que ele não ia falar merda nenhuma. Quando não ouvi resposta nenhuma, resolvi encerrar aquele assunto - Me deixa respirar.
Gabriel: Respira depois de me falar porque agiu daquele jeito - ouvi a sua respiração pesada, mesmo do outro lado da porta e inconsistentemente arranhei meu pescoço com minhas unhas. Aquela sensação de sufoco era a pior coisa que eu tinha sentido nos últimos dias. Eu tava com medo. Eu tava morrendo de medo - Linda, me fala o que tá rolando contigo.
Fechei os olhos depois de ouvir a voz descer alguns tons. Ele não estava mais calmo, mas estava tentando mostrar que eu podia contar a ele.