Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Gabriel
30 de Agosto de 2024 Leblon Zona Sul, Rio de Janeiro.
Fazia tantos anos que eu não passava um aniversário com a minha família, que no momento em que me mandaram fazer um pedido ao assoprar a vela, desejei viver o mesmo no ano que vem, e no outro, e no outro e no outro.
As coisas estavam voltando aos eixos de uma vez por todas.
Meus pais estavam felizes pra cacete de saber que seriam avós, mas no momento que contamos a notícia minha mãe quase morreu de desespero e fez eu e a Nicole jurarmos que não íamos embora de novo.
Eu não podia contar como tinha acabado, nem pra eles e nem pra minha irmã. Não importava mais. Então eu garanti que o pesadelo já tinha acabado, que eu tinha resolvido e que eu a Nicole e nosso bebê ficaríamos no Rio de vez.
Não sei se eles acreditavam muito, acho que no fundo rolava uma desconfiança e um medo de que a qualquer momento a gente fosse sumir, mas conforme os dias foram passando eles iam colocando mais confiança nas minhas palavras.
Resolvi tudo que tinha que resolver com o Paraguaio. Ele tinha assumido o lugar do velho na facção e nada mais me ligava a esse mundo sujo. Claro que não deixaria de jogar, afinal é a forma como ganho o meu dinheiro, mas pelo menos eu não devia nada a ninguém e não tinha que viver com medo e fugindo.
Pra comemorar o meu aniversário a gente fez uma coisa simples. Só um jantar com a minha mãe e meu pai. Minha irmã. Minha mulher e o nosso filho. Ah, tinha o Thiago também, mas depois de eu destruir ele na sinuca acho que nem tava mais pela casa.
Fui arrancado dos meus pensamentos na hora que vi ele saindo da cozinha com a minha irmã grudada no pescoço dele. Eu torci o nariz e observei os dois virem até os sofás onde estávamos todos sentados conversando, bebendo e jogando canastra.
Eu não sei porque eles ainda tentavam se sabiam que eu ia ganhar.
A única que tinha desistido era a Nicole, que tava bem de boa comendo as trufas que tinha encomendado.
Eu já tinha cansado de falar pra ela parar de comer chocolate e comer comida. Toda vez ela não comia nas refeições e depois se atracava com doce. Ela tava pior que uma criança.
Thiago: Já tá grudada no chocolate de novo? Comida tu não comeu, né?
A Nicole revirou os olhos e deu outra mordida na trufa de morango. A Dhiô sentou no sofá de frente pra mim e pra Nicole, e meus pais estavam sentados nas poltronas do lado dos sofás.