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Nicole

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Nicole

13 de Fevereiro de 2024
Irajá
Zona Norte, Rio de Janeiro.

Antes mesmo de abrir os olhos eu já sentia a minha cabeça latejando com a dor. Talvez tivesse passado do ponto e precisaria lidar com a ressaca durante o dia inteiro.

Respirei fundo enquanto tentava lembrar o quanto eu tinha bebido na noite anterior.

Meia garrafa? Ou uma garrafa inteira?

Não, uma garrafa inteira não, porque quando o irmão da Dhiôvanna chegou e... porra, ele bebeu comigo.

Sentei na cama, olhando para o espaço vazio do meu lado.

Caralho Nicole, diz que tu não fez merda?!

A cabeça doeu mais ainda quando forcei minha memória pra lembrar o que tinha rolado.

Me lembrei de estar extremamente irritada e triste com o que tinha rolado na casa da minha mãe, eu trabalhei normalmente e depois vim pra cá. Tinha começado a beber sozinha, mas o Gabriel chegou e não me lembro o que falou, nem o que eu falei, mas me lembrava de alguns flashs.

Ele sentado na minha frente enquanto nós dividimos a garrafa de Gin. Lembrei dos destroços da garrafa espalhados por todo o chão da sala, e naquela hora me veio em mente todas as vezes que o monstro do Murilo bebia e destruía a nossa cozinha, igual a noite que ele quase nos matou.

Depois disso eu passei mal, e só me lembro de estar no banheiro vomitando. Não tenho noção de como eu consegui sair daquela cozinha, e não sabia se eu tinha limpado o chão. A única e a última parte que me lembrava, era de estar trancada no banheiro.

Todo o meu desespero era somente por um único motivo... eu não gostava de beber muito porque cada vez que o álcool entrava no meu corpo, surgia uma  aprendiz de Mia Khalifa.

Sério, eu me recusava a ter transado com o irmão da minha chefe, porra.

Como eu vim parar nessa cama? Onde tava aquele infeliz?

Enquanto todos os meus neurônios queimavam, eu puxei o edredom pra longe do meu corpo, só pra ter certeza do que eu já esperava, e logicamente me vi sem nenhuma peça de roupa.

Droga.

Calma, Nicole. Deve ter alguma coisa errada. Tudo bem que você nunca se controla quando bebe, que você acha que é uma atriz pornô e faz e fala coisas que até Deus duvida, mas dessa vez pode ter sido diferente.

Até porque, eu acordei e ele nem tava do meu lado, né? Mas pensando por outro lado, o Gabriel era bem bom em fugir. Talvez a gente transou e ele fugiu, pô. Não, isso não deve ter acontecido.

Só respira e concentra. Mantenha a calma e... foda-se!

Dei um pulo pra fora da cama e peguei o primeiro short e blusa que encontrei. Não escovei os dentes, nem penteei os cabelos. Caminhei mais rápido que consegui pra longe daquele quarto, e me concentrei pra descer as escadas sem cair.

A minha cabeça ainda doía pra caralho, e doeu mais ainda quando vi a Dhiô e o Thiago sentados na mesa tomando café.

Nenhum sinal do Gabriel.

Thiago: Bom dia, flor do dia.

Dhiôvanna: Que cara de ressaca - comentou dando uma risadinha - Fiz café.

Cocei minha nuca antes de me aproximar deles.

Nicole: Bom dia. Acho que vou aceitar o café.

Dhiôvanna: Foi difícil com a família? - confirmei com a cabeça. Tinha contado a ela que iria buscar minhas coisas na casa da minha mãe - Se quiser conversar, eu tô aqui.

Tentei sorrir pra agradecer, mas eu mal conseguia manter meus olhos abertos.

Nicole: O pior de tudo é que nem consegui pegar todas as minhas coisas. A gente discutiu e eu deixei pra trás. Vou voltar uma outra...

Minha voz morreu completamente quando o irmão da Dhiô entrou na cozinha com os pés descalços, camisa e bermuda, mas meus olhos focaram no cabelo molhado. Ele tinha acabado de sair de um banho, e isso alimentava mais ainda minha teoria de que a gente tinha transado e eu não lembrava.

Ele estava normal, parecendo feliz até... que porra! Seus olhos passaram por todos nós. Pela Dhiô, pelo Thiago e por último em mim. Como nem a irmã ou o cunhado dele falaram algo, imaginei que já tivessem se encontrado mais cedo.

Meu Deus, será que eles viram esse doido saindo do meu quarto?

Pra fugir daquela situação embaraçosa, minha única reação foi virar de costas e caminhar até a pia, para lavar a pouca louça que tinha. Pelo menos assim eu podia evitar o Gabriel.

Thiago: Posso te levar qualquer dia desses, Nicole - a voz dele chamou minha atenção, mas não virei pra olhar - Aí tu pega tudo que precisa e não fica na obrigação de voltar lá.

Nicole: Uh-uhum - pigarrei, e continuei mantendo o foco em esfregar a esponja no prato.

Quase dei um pulo de susto quando notei o corpo do Gabriel parado literalmente atrás do meu. Juro que tranquei minha respiração. Ele pregou uma xícara no escorredor de louça, esticando a mão esquerda do lado do meu corpo pra alcançar. Não fazia o menor sentido, era só dar um passo pro lado que ele nem precisaria encostar em mim... nem estar tão perto assim.

Mas entendi que tudo aquilo foi planejado quando senti a mão direita parando bem encima da minha cintura. O prato escorregou da minha mão caindo de volta na pia e o Gabriel soltou uma risadinha fraca, afastando a mão do meu corpo.

Mas a maldita sensação ainda continuava ali. Era como se ele ainda me tocasse, mesmo que já tivesse se afastado.

Ele saiu de trás do meu corpo e parou do meu lado, se encostando na pia, e trocou umas palavras com a Dhiô sobre os pais deles. Eu não consegui entender nada do que eles falavam, porque meu corpo parecia pegar fogo.

O Gabriel não agiu na inocência quando me tocou, ele tinha feito de propósito, pra me deixar sem jeito mesmo. Mas o que mais intrigou foi a forma como ele segurou na minha cintura. Não foi um toque comum. Foi simplesmente como se ele precisasse tocar aquela parte no canto direito da minha cintura, exatamente aquela parte de mim.

Eu não lembrava de nada que tinha rolado na noite passada, mas cada vez estava mais convencida de que tinha transado com aquele homem e agora não fazia a menor ideia de como agir.

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