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Nicole
13 de Junho de 2027 Leblon Zona Sul, Rio de Janeiro.
Observei atentamente quando aquele pedacinho de gente tentou me enrolar, largando todas as suas bonecas no chão e correu na direção do pai dela, que tinha acabado de chegar do trabalho.
Anna: Pai! Pai! Papai!
Com certeza essa era a palavra que ela mais gostava de dizer.
Bloqueei o meu celular, cruzei os braços e virei o pescoço, olhando o momento em que ela esticou os bracinhos e se jogou no colo do Gabriel.
E como todos os dias, ele pegou ela no colo e jogou ela para o alto duas vezes antes de beijar o cabelinho dela.
Gabriel: Minha princesa!
Continuei observando até onde ia a mente avançada daquele projeto de gênio.
Gabriel: Brincou? Como foi teu dia?
Anna: Siá, pai. Siá! - ela apontou para o nosso cachorrinho chamando ele - Olaf! Vem... vem!
Gabriel: Calma garota - ele riu, enquanto se aproximava do sofá me olhando - Eu mal cheguei e tu já quer levar o Olaf pra passear.
Nicole: Ela quer me enrolar, isso sim - a danada escondeu o rosto no pescoço do Gabriel já sabendo que eu ia dedurar ela, quando ele abaixou pra me dar um beijo rápido - Já falei três vezes que a senhorita só vai passear quando ajudar a guardar a bagunça que fez sozinha.
A Anna me olhou com um biquinho na boca. Era a minha cópia todinha. Cada ano ela ficava mais parecida, até no jeito de ser. A diferença é que ela curtia mais essas coisas de princesa, enquanto eu na idade dela era mais moleca... mas a garota era bagunceira e birrenta igual.
Gabriel: Fez bagunça, é?
Ele se jogou do meu lado no sofá e eu me aproximei quando ela desceu do colo dele, fingindo nem ouvir nada, e voltou para o meio da sala onde haviam várias bonecas espalhadas.
Nicole: Como foi no trabalho?
Gabriel: Tudo certo. E no teu?
Nicole: Também.
Nos últimos anos ele começou a investir em algumas empresas de automóveis, já que ele amava o assunto e queria fazer o dinheiro girar. Então às vezes ele tinha que ir até a fábrica ou escritório para resolver algumas coisas.
Por outro lado, um ano depois que a Anna nasceu eu comecei a me aperfeiçoar nas pinturas e hoje dava aulas para crianças e adolescentes em uma escola próxima. Eu gostava, me fazia bem. E pelo menos eu me sentia útil para algo além da nossa casa.
A Anna segurou a boneca da Branca de Neve nos braços e andou até estar na nossa frente.
Nicole: Ela vai te enrolar - sussurrei pra que só ele ouvisse.
O Gabriel sorriu, louco pra ver a filha dar um nó nele. Ele se divertia muito em ver ela fazer a gente de bobo.
Anna: Neném, pai.
Ele pegou a boneca que ela esticou pra ele e colocou nos braços como se fosse um neném mesmo.
A Anna sorriu e foi até a mesa de centro, roubando uma das bolachas que tinha ali. Ela comeu com calma, olhando o filme da frozen que passava na televisão. O Gabriel e eu não desviamos os olhos dela, mesmo que sentisse a mão dele em minha coxa.
Depois que a bolacha acabou, ela se virou pra gente com a boca suja e deu mais um sorriso... dessa vez, só para o pai.
Lá vem.
Anna: Siá, papai.
Gabriel: Não posso nem tomar um café? Trocar de roupa?
Anna: Vem - pediu, abrindo e fechando as mãozinhas pra chamar ele.
Óbvio que a reação dele foi soltar a boneca e puxar a Anna para o colo, enchendo ela de beijos. Mas como eu conhecia a filha que tinha, esperei que abrisse a boca pra dizer:
Anna: Guada neném - ela abriu os braços mostrando a bagunça da sala - Guada todox nenéns!
Coloquei a mão na frente da boca pra ela não ver que eu estava rindo e o Gabriel olhou incrédulo pra nossa filha.
Gabriel: Eu?
Anna: Bincou tem que guarda! - repetiu o que eu sempre falava pra ela.
Quando eu dizia que essa garota não era desse mundo, era sobre isso que eu tava falando. Ela enrolava qualquer um com aquele sorrisinho fofo e aqueles olhos de boneca.
Gabriel: Tu é esperta, né garota? - ele bufou e levantou pra guardar as bonecas no cestinho de brinquedos.
Nunca ouvi ele dizer não pra ela.
Nicole: Para, amor - chamei, depois de controlar minha risada. A Anna me olhou na hora, já sabendo que ia sobrar pra ela - Ele brincou sozinho, Anna Lua? Quem foi que trouxe esses brinquedos todos pra cá quando já tinha mais um monte, hein?
Anna: O papai.
O Gabriel abriu a boca pra responder e eu tive que olhar mais séria pra ela.
Nicole: Ah, foi? - ela assentiu - Tem certeza disso? Lembra o que aconteceu com o Pinóquio quando ele mentiu?
Ela colocou as mãozinhas na barriga e eu vi seus olhos se arregalando.
Anna: A Lua aduda o papai.
Eu achava um amor quando ela falava "A Lua" porque ainda não conseguia falar seu primeiro nome.
Era foda não se derreter por ela. Mas eu tinha que ser mais firme, porque todas as pessoas da nossa família viviam fazendo as vontades da Anna. A única pessoa que ela tinha um pouquinho de medo era de mim.
Nicole: Você vai ajudar, né? Aham, tá bom. Vou fingir que não foi você que fez tudo isso sozinha.
O Gabriel, como o bom pau mandando da filha, colocou ela nos ombros e continuou guardando os brinquedos.
Subi as escadas rapidinho e peguei uma jaquetinha pra ela, porque ventava muito na rua.
Quando desci, eles tinham terminado de arrumar a bagunça e ela se recusou a sair dos ombros do pai até que estivéssemos do lado de fora e ela quis segurar a coleira do Olaf enquanto caminhávamos na orla.
O Gabriel me puxou pra mais perto e deu um beijo nos meus dedos, entrelaçados aos seus, enquanto andávamos atrás da nossa neném que cantarolava alguma musiquinha que tinha escutado nos desenhos.