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Gabriel

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Gabriel

12 de agosto de 2024
Las Vegas, EUA.

Quando eu encarei a placa da entrada da cidade senti choques de eletricidade por todo o meu corpo. Por muito tempo quis voltar aquele lugar. Mas agora, eu queria ir embora o mais rápido possível.

Não precisava de um plano. Os caras que trabalhavam para o paraguaio mandaram todas as atualizações do que o meu avô fez enquanto eu deixei a Nicole no aeroporto e dirigi até a cidade.

Como já era de se esperar, quando a noite chegou ele estava em um cassino e depois de trocar as minhas roupas em um posto qualquer, eu fui até lá. Não tinha pedido um hotel, não precisaria disso. Eu tinha que resolver essa merda rápido e voltar para o Brasil.

Já faziam umas seis horas desde o voo da Nicole e eu estava ansioso pra pelo menos poder falar com ela de novo. Levaria pelo menos mais umas oito horas até que ela chegasse ao Rio de Janeiro, e eu tive que tentar não ficar maluco cronometrando o tempo de viagem.

Não saber o que tava rolando com ela era uma tortura pra mim. Não tinha ninguém que pudesse me dar qualquer resposta e a minha cabeça me rodeava de perguntas. A Nicole sabia que tinha que comer, né? Ela entrou naquele avião chorando pra cacete e eu só queria ter entrado junto. Duvidava que ela estivesse se cuidando sozinha.

Gabriel: Respira, caralho. Ela tá bem. Tu vai ficar doidão - sussurrei sozinho, com o carro já entrando no estacionamento do cassino.

Tentar afastar a Nicole da minha cabeça era tipo uma missão impossível. E como se não fosse suficiente eu ser maluco por essa mulher, agora ela tá grávida e eu tô ficando maluco em dose dupla.

Eu deixei o carro em um lugar estratégico pra que não fosse tão difícil de fugir assim que estourasse a cabeça do velho.

O meu celular tocou antes que eu pisasse dentro do cassino e eu atendi o número desconhecido esperando que fosse a Nicole com alguma notícia.

Gabriel: Alô.

- Estava te esperando... faz tanto tempo que não vejo você - estreitei os olhos, na tentativa de reconhecer quem falava do outro lado da linha - Por que não entra e jogamos uma partida como nos velhos tempos?

Meu coração acelerou e automaticamente eu senti a garganta fechando, incapaz até de engolir a própria saliva.

Caralho.

Eu reconhecia aquela voz. Depois de tanto tempo, eu ainda reconhecia aquela voz. E ele sabia que eu estava por perto. Como?

Girei nos calcanhares com os olhos na procura de algo que respondesse a minha pergunta, mas não havia suspeitos.

RuínasOnde histórias criam vida. Descubra agora